A primeira semifinal da edição 2013 do Festival Eurovisão da Canção já começou e o Espalha-Factos está a acompanhar a grande noite. Entre os 16 concorrentes desta noite, apenas 10 terão presença garantida na final de sábado.

A cerimónia iniciou com a atuação de Emmelie de Forest, numa atuação que contou com um coro de todo o mundo. A vencedora da edição 2013 voltou a ser espectacular, pelo menos assim o disse a organização.

A noite inicia com a Arménia. Aram MP3 é o favorito dos bookies e Not Alone é a primeira das muitas baladas de uma noite que se prevê dramática. A música transforma-se a partir da segunda metade, com os tons dubstep a levar a arena ao rubro e a pintar o palco de vermelho. Difícil será não passar. Os efeitos do chão do palco são fantásticos.

A Letónia começa a noite na cozinha com a canção mais cute da noite. Eles são queridos e muito contagiantes. Levantou-se um burburinho no Auditório 2 da FCSH/NOVA, o nosso Eurospot! E até há quem trauteie a música. Podemos não perceber nada disto, mas eles mereciam passar, nem que fosse por ter sido tão giro cantar isto em conjunto.

Estónia acusa nervos no início da atuação, mas tem tudo para ser estrondoso. As parecenças com Euphoria são evidentes, mas estamos perante um upgrade com dança contemporânea e uma menina loura. É impressionante como é que a afinação se mantém constante ao longo de uma atuação com tanta exigência física. Tanja é a nossa diva dos países bálticos.

A Suécia é, mais uma vez, a favorita das comunidades de fãs. País oficial do schlager e potência eurovisiva, conta com uma Sanna Nielsen mais fit que nunca, no corpo e na voz. O vestido é quase o que a Suzy levou à final do Festival da Canção, mas assenta que nem uma luva aqui. A atuação é simples e muito semelhante à do Melodifestivalen, mas vai correr bem junto de todos aqueles que ainda não a viram. Irrepreensível.

Islândia conta com a canção-paródia do ano. Playback (Portugal 1981) pede os outfits de volta. Podia ser engraçado, mas não é. Todos nós gostávamos que Silvia Night voltasse, agora que vimos isto. Excelente performance dos leds do palco. Há países que têm de ficar pela semifinal.

No intervalo soubemos, nos recordes da Eurovisão, que os Jedward detêm a marca de cabelo mais alto – 18,6 cm. Finalmente ganharam!

Se Shakira fosse morena, chamava-se Hersi e era da Albânia. A voz da intérprete albanesa lembra em tudo a da famosa colombiana, em mais uma balada. A interpretação é segura, mas não estamos perante um momento de grande criatividade ou diferença. É provável que não tenhamos uma finalista aqui.

As gémeas Tolmachevy estão de regresso numa bizarra performance de ‘siamesas de cabelo’ que não conseguimos entender quem teve a capacidade de achar bonita. Não são tão queridas como no JESC 2006, mas continuam a ser muito giras. Rui Andrade tem uma presença discreta, nos backvocals, mas nota-se, principalmente na parte final, no suporte ao último refrão. Na sala, o apoio ao primeiro português da noite foi evidente.

Nunca esteve fora do top10 das finais e não vai ser este ano que vai acontecer. O Azerbaijão traz mais uma balada bem conseguida e com arranjos tradicionais. O profissionalismo da delegação azeri é inegável e Dilara canta muito bem, apesar da dificuldade em atingir algumas notas agudas, naquele que podia ser um hino da Disney. O bridge, acompanhado pelos efeitos de luz proporcionados pelo excelente palco de Copenhaga, foi de grande beleza.

A evolução da música da Ucrânia desde a final nacional é notável. Uma música pop pobre transformada em mais uma boa atuação do país de Leste. Arranjos melhores, produção em palco brilhante e utilização muito inteligente do carisma da intérprete. É nestas pequenas coisas que se nota a diferença de preparação entre países. Na sala ninguém parece esquecer-se do facto de Ucrânia e Rússia estarem na mesma semifinal. Haverá diferença nos resultados?

Numa noite de divas, espaço para um tenor. A Bélgica e Alex Hirsoux fazem uma aposta clássica. Mother é uma balada à antiga e pode estar demasiado no séc. XX para conseguir o apuramento. A sala parece concordar que, apesar do evidente esforço e talento de Alex, o resultado vai ser fora dos 10 primeiros.

A bandeira moldava foi construída em barro, num postcard muito interessante da Cristina Scarlat. A aposta é uma das mais arrojadas da noite, com a sonoridade caótica de Wild Soul a destacar-se na planície eurovisiva. É pena não ser pela positiva. A atuação em palco tenta compensar uma música que não tem melodia, não tem harmonia e, a piorar, não tem voz. A jogada final de arrancar uma extensão de cabelo foi só ridícula.

Valentina Monetta regressa com Maybe. Só o facto de insistir tanto merece o nosso respeito. E já se fala do regresso em 2015. É a melhor das suas três tentativas, mas a ausência de vizinhos e o excesso de baladas pode voltar a prejudicá-la. O cenário em palco é paradisíaco, mas as cortinas a simular uma ostra são ligeiramente kitsch. A atuação é muito segura.

Portugal é aguardado com expectativa depois de uma noite de baladas. O postcard entusiasma a sala, mas não tanto como a entrada da mais recente diva nacional. Não é só por sermos portugueses, mas a atuação foi mesmo uma lufada de ar fresco após tanta cor escura. O final soa melhor do que nunca e a performance vocal foi infalível, embora a canção não perca as debilidades de que sofre e não se consiga disfarçar a  pouca complexidade da composição. A evolução desde o Festival da Canção é impressionante. Muito bem, RTP!

Holanda foi a acalmia depois da tempestade Suzy. O pseudo-country teve uma excelente apresentação em palco e aquilo que poderia ser só uma canção chata, resultou muito bem no palco eurovisivo. Vozes muito seguras do duo holandês, que arriscam colocar os Países Baixos pela segunda vez consecutiva na final.

Montenegro foi recebida com alguns problemas técnicos na Euronight do Espalha-Factos. Problemas superados, estamos perante a canção étnica do ano. Tem grandes hipóteses e ocupa a vaga da Sérvia, a mais ‘batida’ neste tipo de atuação. Atuação simples, mas segura.

A Hungria apresenta-se com uma atuação à Factor X. Definitivamente favorita, com uma atuação segura e a que melhor fez uso de todo o espaço do palco. Foi um bom fim e a posição favorecerá a passagem.

Na votação da sala, os favoritos foram: Portugal, Estónia, Suécia, Rússia, Azerbaijão, Ucrânia, São Marino, Holanda, Montenegro e Hungria.