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Drop, de Thee Oh Sees

Os Thee Oh Sees iam acabar e agora diz que já não. Ou então foi só um hiato pequenino e já voltaram. Ou então é depois da tournée que passa por Paredes de Coura. Já não sei. Eles fazem quantos tantos hiatos como discos, quase, e um gajo perde-se. Não interessa, adiante. Drop cai (repararam?) de maneira um bocado inesperada, mas tem uma rede a amparar-lhe a queda. O Floating Coffin (2013) trazia riffs encorpados, com guitarras e sintetizadores a desbravar caminho, estava cuidadosamente produzido e prudentemente espontâneo em partes iguais e foi um dos pontos altos do ano passado, mesmo perdendo vigor à distância de quatro ou cinco canções. Drop está diferente.

Não que diste em muito de trabalhos anterior, mas o facto de o John Dwyer ter gravado este ábum praticamente sozinho muda as coordenadas pelas quais o som dos Thee Oh Sees se norteia. Savage Victory e Transparent World são ressonâncias espessas de um psicadelismo mais degenerado do que o que se anda a fazer noutras paragens, é um som bastardo que vai beber, respectivamente, aos longos preliminares sem consumação de Psyhic Ills ou Grassed Inn e às linhas de baixo dos Black Angels, com uma nota de rodapé a indicar-nos, op. cit, a Toe Cutter – Thumb Buster do ano passado, uma mudança abaixo, embebida em vocais e teclados espectrais. A faixa inicial, Penetrating Eye, recicla parte do riff central da Toe Cutter – Thumb Buster, que, feitas as contas, estaria mais logicamente inserida na sonoridade de Drop que na de Floating Coffin. Mas os Thee Oh Sees não são um silogismo.

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É que Drop não se insere onde Floating Coffin e predecessores mais próximos se inseriam, um cenário de revivalismo garage com White Fence, Ty Segall e Mikal Cronin (que toca saxofone em algumas faixas do Drop), e não há espaço para o folk do Purifiers II (2012) que ainda transbordou para Floating Coffin. É uma tomada de posição concreta que completa um todo melhor que a soma das partes. Em Encrypted Bounce (A Queer Song) dá para sentir o agridoce rock sem aditivos dos Stooges. Drop, que dá o nome ao álbum, é única faixa que lembra os trabalhos do ano passado. De resto, o álbum quase parece conceptual, apesar das suas nuances, com constantes referências à visão e a lentes, espelhos e câmaras.

Termina como terminou Floating Coffin, uma falsa balada com fundações de violoncelo e desgosto a acabar com uma harmonia em clarinete (parece) a lembrar uma passagem da Bohemian Rhapsody. Em verdade, Drop é uma rapsódia, um sortido da Cuétara em forma de disco.

Nota: 7.5/10

*Escritor por opção do autor ao abrigo de Acordo Ortográfico de 1945.

 

 

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