O florescimento do blues e do rock&roll fez com que muitas pessoas fossem levadas a acreditar que os músicos vendiam a sua alma ao diabo. E por que preço? Nomes de bandas suis generis. Na história da música, muitas são as vezes em que nos questionamos acerca da origem do nome das bandas. The Beatles, Green Day, Os Azeitonas, Linda Martini… São muitos os exemplos de nomes que nos deixam com a cabeça a deitar fumo. O Espalha-Factos resolveu abrir a caixinha de Pandora dos nomes ridículos que pelos quais muitas bandas atuais e do passado chegaram a ser conhecidos. Junta-te a nós nesta viagem alucinante pelo mundo encantado dos nomes bizarros.

Kaiser Chiefs – Parva

Muitas vezes o primeiro nome das grandes bandas é apenas uma ideia parva. Os Kaiser Chiefs levaram a ideia à letra e chamaram à sua banda Parva. Com este nome, o que aconteceu a seguir foi muito surpreendente: a banda não conseguiu nenhum contrato discográfico. A partir daí foi sempre a subir e com ideias cada vez menos parvas: mudaram de nome para Kaiser Chiefs, lançaram canções como Everyday I Love Less and Less ou I Predict a Riot e Ricky Wilson teima em subir para tudo o que pode durante os concertos, outra ideia nada parva.

Xutos e Pontapés – Beijinhos e Parabéns

A partir do momento em que a banda de Zé Pedro e companhia teve este como primeiro nome, compreende-se porque é que a cada cinco anos os Xutos e Pontapés se lembram de celebrar os anos de actividade. Mais interessante só mesmo a volta de 180 graus o nome teve, de beijinhos para xutos e de parabéns para pontapés.

Coldplay – Starfish

Estrelas do Mar e Chris Martin têm em comum mais do que se pode imaginar. A verdade é que o primeiro nome da banda que se viria a tornar conhecida com uma outra designação foi inspirado num dos poucos seres vivos que é capaz de se autorregenerar. Já o nome Coldplay foi repescado de um outro grupo que deixou cair o nome por achar que era demasiado depressivo.

Nirvana – Fecal Matter

Antes de ter aberto a porta do grunge, Kurt Cobain já andava nos meandros da música, mais concretamente no punk. Só assim se explica o nome da primeira banda do vocalista que durante uns estonteantes dois anos, entre 1985 e 1986, espalhou matéria fecal por onde quer que tocasse. Apesar disso, ainda tiveram tempo para lançar uma demo com 17 temas também eles malcheirosos.

R.E.M. – Cans Of Piss

Continuamos na senda dos nomes que remetem para coisas desagradáveis, neste caso, se a tradução for feita à letra. O vocalista Michael Stipes e o guitarrista Peter Buck conheceram-se por acaso mas descobriram logo que ambos tinham bom gosto musical. Mas o bom gosto ficou-se por aí, já que a formarem nomes para a futura banda deixavam um bocado a desejar.

Lamb of God – Burn The Priest

Os Lamb of God são muitas vezes vistos como um corpo estranho na música, em geral, e no heavy metal em particular. Tendo em conta o trajecto dos americanos, mais estranho ainda era o primeiro nome da banda: Burn the Priest («Queima o Padre»). Tudo porque os groovers estão longe de serem uma banda de black metal norueguesa, incendiários de igrejas e ofensores de nosso senhor, todo o poderoso. Por culpa desta associação ao satanismo, a banda mudou o seu nome para “Cordeiro de Deus”.

Muse – Gothic Plague

Desde cedo, os britânicos sobressaíram da concorrência graças a alguma extravagância e às (nem sempre) aplaudidas fusões entre o rock, o sinfónico e mais recentemente a electrónica. Antes de todas estas misturas, em 1994, os Muse começaram por chamar-se Ghotic Plague. Como a banda ainda não cruzou as fronteiras do «gogó», não é de admirar que um dia destes Matt Bellamy e companhia apareçam de pulsos cortados e unhas pintadas de preto.

Ornatos Violeta – Suores dos Reis

É sabido que os Ornatos Violeta são uma das grandes bandas de culto portuguesas. É unânime também que Manel Cruz é idolatrado como um dos maiores letristas nascidos em terras lusas. O que nem toda gente sabe é que antes de serem Ornatos, os portuenses eram Suores. Sim, Suores dos Reis foi o primeiro nome da banda rock, numa hilária sátira à Escola Artística de Soares dos Reis, onde Manel Cruz estudou na sua juventude.

Simon & Garfunkel –  Tom & Jerry

Não se sabe se Paul Simon e Art Garfunkel tinham uma tara pelos desenhos animados do gato e do rato, da mesma maneira que não se sabe como é que primeira editora que os acolheu teve a ideia peregrina de chamar Jerry Landis a Simon e Tom Graph a Garfunkel. A única coisa boa no meio desta história foi terem lançado a canção Hey Schoolgirl. A partir daqui foi só derreter corações femininos.

Bloc Party – Superheroes of BMX

A roda, a máquina a vapor, os preservativos com sabores… Desde os primórdios da história, o Homem sempre foi capaz de ter grandes ideias. Ainda assim, às vezes existem ideias que nos parecem brilhantes, mas são só estúpidas. O primeiro nome dos Bloc PartySuperheroes of BMX – é um belíssimo exemplo disso. A boa notícia é que os “heróis das bicicletas” foram a tempo de mudar o nome para “Festa de Rua”. Excelente ideia, sem dúvida!

Radiohead – On a Friday

Por incrível que possa parecer, desta vez não se vai falar falar de Creep. Pronto, a canção acabou de ser posta ao barulho. É inevitável. Na escola de rapazes de Abingdon havia uma sala de música que Ed O’Brien e Phil Selway usavam para se preparar antes dos espetáculos da sua recém criada banda. Faziam-no, qual ritual, todas as sextas feiras. E puff, não se fizeram os cereais de chocolate, mas fez-se a base para surgirem os Radiohead.

U2 – Hype

De facto, muitas pessoas não percebem o hype em torno deles, mas decerto desconhecerão que os U2 já se chamaram Hype, corria o longínquo ano de 1978. Por esta altura não era só o nome da formação de Bono Vox que era diferente. Antes de enveredarem pelo rock, tinham o punk como prato do dia, com influências dos The Clash e dos Sex Pistols.

Queens of the Stone Age – Gamma Ray

Embora neste artigo não pareça, nem sempre as primeiras ideias para nome das bandas são desastradas. Às vezes há apenas falta de sorte e foi esse o caso dos Queens of the Stone Age. Os californianos formaram-se em 1996 com o desígnio de Gamma Ray, mas azar dos azares, havia já outra banda com esse nome, uma banda germânica de power metal, que até esteve presente no Vagos Open Air no ano passado. Assim, para evitar levar uns pontapés com botas de biqueira de aço alemãs, os QOTSA resolveram alterar o seu nome.

Dire Straits – Café Racers

Poder-se-ia tratar de um café onde só lá vão pilotos de corrida, ou motards, mas Café Racers não é mais do que o primeiro nome da banda formada por Mark Knopfler. Este teria sido de resto o nome definitivo da formação, não fosse um episódio no qual os Café Racers iriam tocar num festival com condições precárias e numa altura em que a banda andava mal de dinheiros. A combinação perfeita para a adoção do nome Dire Straits.

Pink Floyd – The MeggaDeaths

O que é que os Pink Floyd e os Megadeth têm em comum? À cabeça têm o mau feitio de Roger Waters e Dave Mustaine, mas poderiam ter muito mais do que isso. Apesar dos britânicos serem uma das bandas mais complexas e criativas de todos os tempos, a escolha do nome para o projecto musical foi uma autêntica travessia no deserto. Até chegarem a Pink Floyd, os londrinos passaram a pente fino meia dúzia de nomes alternativos, nos quais constava o célebre The Meggadeaths. Ao que tudo indica a inspiração para esse nome surgiu do filme Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb («Doutor Estranhoamor») de Stanley Kubrick.

Artigo escrito por Pedro Afonso Afflalo e Pedro Bento