Estreia hoje nas salas portuguesas mais uma adaptação hollywoodesca de uma história mítica da mitologia grega. E, como quase todas as tentativas anteriores, o resultado é desastroso.

A vida de Hércules já é conhecida. O semi-deus, encarnado aqui por Kellan Lutz, é invencível e tem como missão proteger os gregos da ira de seu pai e irmão. A grande motivação de Hércules é Hebe (Gaia Weiss), princesa de Creta, a quem prometeu amar eternamente mas que se encontra em perigo nas mãos de Iphicles (Liam Garrigan), irmão do herói grego.

Ora, visto que todos estão familiarizados com o mito, o que se tem que fazer num filme destes é criar condições para que o espectador não perca o interesse. É preciso tomar caminhos alternativos até ao final inevitável da vitória de Hércules, através de um enredo um pouco afastado da história original e mexidas cenas de ação, sem descartar bons desempenhos dos atores. E o homem a quem coube esta missão, Renny Harlin, conseguiu falhar em todos os aspetos.

O início deste Hércules: A Lenda Começa é um aviso para o que vai ser todo o filme. Uma cena de ação muito pobre, com efeitos especiais a fazerem lembrar aqueles jogos de computador mais pobres graficamente, abraçada a meia dúzia de atores musculados e suados a gritar só porque sim não é propriamente a melhor forma de começar uma longa-metragem que se quer, como a personagem principal, épica. Mas infelizmente é isso que o realizador Renny Harlin nos oferece.

Tudo o que se segue não sai muito desta linha desastrosa. O realizador utiliza várias vezes o recurso à slow-motion, semelhante ao de filmes como 300 ou séries como Spartacus, mas, ao contrário das obras referidas, parece haver um total desconhecimento de como usufruir desta técnica. E a excessiva quantidade com que é utilizada não favorece muito o filme. Aliás, todas as lutas que decorrem nos curtos minutos da obra de Harlin parecem perder ritmo com tanta câmara lenta.

O enredo em si mais parece sair de um artigo da Wikipedia. Nem argumentistas nem realizador quiseram ter um pingo de originalidade e Hércules: A Lenda Começa tornou-se demasiado previsível, demasiado aborrecido e demasiado doloroso de ver. Sempre que alguma das personagens abre a boca ficamos com a sensação de déjà vu, pois algures noutros filmes já ouvimos todas aquelas frases tão cheesy, o que acaba por arruinar por completo todos os diálogos. As cenas de ação, que poderiam salvar esta obra, ficaram muito aquém, graças à sua curta duração e efeitos visuais absolutamente patéticos.

As interpretações também deixam muito a desejar. Kellan Lutz tem sempre a mesma cara, quer seja para ouvir a notícia da morte da mãe quer seja para dar forças a um exército inteiro, o que não é muito aconselhável a quem encarna o mítico Hércules. Gaia Weiss perdeu-se muito num over-acting irritante, sempre a querer ir além das suas possibilidades o que culminou com uma performance muito pobre. Os outros intervenientes nunca conseguiram fazer muito mais do que os atores principais. A certa altura perece que ninguém acreditava minimamente nesta obra menor.

Hércules foi um semi-deus, e a mais recente longa-metragem a retratar a sua vida mais parece um semi-filme. Recheado de efeitos visuais de bradar aos céus, interpretações muito más e uma realização desastrosa de Renny Harlin, Hércules: A Lenda Começa tem lugar no Olimpo dos piores filmes.

1/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Legend of Hercules

Realizador: Renny Harlin

Argumento: Sean Hood Daniel Giat

Elenco: Kellan Lutz, Liam McIntyre, Gaia Weiss, Scott Adkins, Liam Garrigan

Género: Ação, Aventura

Duração: 98 minutos