No passado sábado, o Teatro-Cine de Torres Vedras encheu para receber Ricardo Vilão, Salvador Martinha, Luís Franco Bastos e Rui Sinel de Cordes, os Lx Comedy Club, na sua tour de “sul a norte do país” intitulada First Class Tour. Com diferentes estilos humorísticos entre si, os quatro humoristas deixaram os torrienses a rir às gargalhadas durante quase duas horas, sem tabus, sem filtros e sem regras.

Ricardo Vilão, universalmente conhecido por chegar atrasado a todo o lado, foi o primeiro a entrar em cena. Coube-lhe então a missão de brincar com quem não desligou os telemóveis e/ou chegou atrasado, com os casais que “são mas não são casados” nas primeiras filas, e até descobrir que havia na plateia quem fosse “massagista e administrativa de uma empresa” ao mesmo tempo, proeza que lhe valeu ser mencionada por todos os elementos dos Lx Comedy Club. Com o seu característico humor de observação, Vilão contou-nos alguns episódios caricatos do seu quotidiano, falou das “pequenas coisas da vida” e ainda nos proporcionou alguns momentos de riso com o seu relógio à la Michael Knight.

Tendo já ultrapassado o seu tempo de antena, Vilão deu lugar a Salvador Martinha. O humorista conhecido por ser “o único português sem telemóvel” começou por classificar o público torriense como “ratons”, denominação para “pessoas que se acham mais espertas que as outras e que se identificam umas às outras na rua, tipo maçonaria”. Com o seu já habitual humor de costumes, Salvador falou-nos das formas de tratamento usadas entre mulheres, as “migas” e as “bff”, das calças que as lojas querem que os homens usem, do três estados da vida (“na m****”, “solteiro” e “apaixonado”) entre várias outras coisas com as quais todo o público se identificou.

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Seguiu-se Luís Franco Bastos. Célebre pelas suas imitações, o humorista brindou-nos cáustico e corrosivo, brincou com “a senhora do público que a rir parece um babuíno daqueles de rabo vermelho, que estão em vias de extinção”, mostrou-nos o taxista racista que conheceu no Porto e ainda imitou algumas personalidades ilustres como Mário Soares ou Jorge Jesus, como só ele sabe fazer. Tal como os restantes humoristas, Luís também criticou as características-tipo das mulheres e as suas catch phrases como “tu é que sabes” ou “faz o que entenderes”.

Por fim foi a vez de Rui Sinel de Cordes. O humorista famigerado pelo seu humor negro contou-nos algumas histórias das suas passagens por todo o país em espectáculos e com o seu programa de televisão Gente da minha terra, as piadas que o fizeram ser processado inúmeras vezes, e os sítios do país aos quais já não pode voltar. Rui Sinel de Cordes criticou algumas das tendências atuais, como a moda de “ser saudável”, de “correr no meio dos carros em Lisboa”, dos sumos detox e das mulheres que “põem sementes em tudo, nem que fossem canários”.

No final do espetáculo, o público e os humoristas puderam tirar fotografias uns aos outros, registando “a sua perspectiva de Lx Comedy Club para a posteridade.

Foram quase duas horas de grandes gargalhadas e de grande identificação com muitas das piadas contadas pelo grupo com “a maior tournée de humor de sempre em Portugal”. De facto, não é por acaso que os Lx Comedy Club têm esgotado quase todos os teatros por onde têm passado de norte a sul do país. Trata-se de um espetáculo que vale muito a pena, ou não fosse rir o melhor remédio.

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Fotografias: Facebook oficial de Lx Comedy Club