No dia em que se assinalaram os 40 anos desde a Revolução dos Cravos, o Teatro-Cine de Torres Vedras recebeu os Clã, uma das bandas mais emblemáticas da música portuguesa contemporânea. O público torriense, maioritariamente constituído por casais e famílias, encheram o Teatro-Cine para celebrar a liberdade ao som da banda portuense que não se cingiu a apresentar os temas do seu mais recente disco Corrente, como nos brindou com alguns dos seus maiores clássicos.

No palco, os vários instrumentos da banda e, ao fundo, uma floresta. As luzes apagam-se e ouvem-se sons de pássaros e da natureza. Rapidamente os membros da banda entram em palco e arrancam com Curto Circuito, tema de Corrente, tal como Também sim e Basta, tocados de rajada e sem quaisquer palavras pelo meio. Se nas primeiras audições não tínhamos ficado totalmente convencidos com Corrente, a opinião foi logo mudada com o rock destes três primeiros temas a resultar muitíssimo bem em palco.

Depois das habituais apresentações, os Clã mostraram-se entusiasmados no seu regresso a Torres Vedras, depois de terem passado pela cidade “há uns anos e com um disco para super-novos”, seguindo logo para o segundo single de Corrente, A paz não te cai bem, uma “canção sobre desamores”.

Nem só de Corrente foi feita esta noite. O primeiro clássico a ser tocado por Manuela Azevedo e companhia foi GTI (gentle, tall and intelligent), numa versão curta e cantada de cor por toda a plateia.

Celebrando a revolução, um elemento do público ofereceu um cravo vermelho a Manuela no final de uma das canções, o que serviu de pretexto para a vocalista desejar os parabéns ao “quarentão 25 de abril”. O mote não poderia ter sido melhor para Sexto Andar, uma vez que muitos foram certamente surpreendidos com a Revolução via rádio, tal como na história da canção.

Das colaborações com “o rapaz muito talentoso” Samuel Úria nasceram duas das melhores canções de Corrente: Canção de Água doce e Zeitgeist. Mesmo que Manuela não nos tivesse contado da colaboração, as letras não enganam e as descrições cómicas “denunciam” logo o Tio Sam.

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A cada tema que passava íamos ficando cada vez mais deslumbrados com a beleza invulgar de Manuela Azevedo, com a sua presença em palco imponente e com a sua voz única, provavelmente uma das mais bonitas do país.

Um dos pontos altos do concerto foi com a clássica Tira a teima, single de Cintura (2007). Depois de uma explosão de energia, foi tempo para uma bonita balada, escrita pelo também “muito talentoso” Nuno Prata: A ver se sim. Provavelmente, a música mais bonita de Corrente.

A já emblemática Sopro no Coração foi também cantada em coro por um Teatro-Cine esgotado, assim como a energética Corda Bamba, que nos fez queixar dos lugares sentados do teatro. Os mais novos, que representavam uma percentagem bastante generosa do público, acompanharam todos os temas com muita atenção e energia. Manuela ficou felicíssima com estes “pequenos rockers”: “O rock vai render em Torres Vedras com esta geração! Incrível!”.

Depois da primeira saída de palco a banda voltaria rapidamente para mais um tema de Corrente, desta vez Artesanato, com letra do enorme Sérgio Godinho, e para a já clássica e comovente Problema de Expressão, provavelmente um dos temas mais carismáticos da banda.

Saindo de palco pela segunda vez, os C foram quase obrigados a voltar, de tantos que foram os aplausos dos torrienses. O final do concerto foi absolutamente explosivo e rockeiro: “nós tocamos mais uma, mas só se vocês se levantarem!”. O Teatro-Cine virou pista de dança para pequenos e graúdos a saltar em Asa-delta e a dançar com Fahrenheit. Magnífico.

Sendo este um concerto de apresentação de Corrente, o alinhamento foi bastante sensato, uma vez que foram tocados quase todos os temas do novo disco, ainda que com alguns clássicos para intervalar. Alguns dos fãs mais antigos talvez gostassem de ter ouvido mais alguns temas antigos, como H2homem ou Amigos de quem, mas da escolha dos temas, à interacção com o público, passando pelo jogo de luzes, os Clã deram um concerto absolutamente irrepreensível.

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No final do concerto, os fãs puderam ainda pedir autógrafos e trocar algumas palavras com Manuela Azevedo, Fernando Gonçalves, Hélder Gonçalves, Miguel Ferreira, Pedro Biscaia e Pedro Rito. Na sua página oficial de facebook, a banda agradeceu aos fãs torrienses: “Só pra dizer … que ontem em Torres Vedras foi um grande rock! Obrigado a todos pela rica noite que nos ofereceram!” Obrigada nós. Voltem sempre!

Fotografias: facebook oficial dos Clã