O sexto dia da Festa do Cinema Italiano começou com mais uma aula de Italiano per Principanti, tendo sido, de seguida, exibido novamente o filme La Prima Neve, do realizador Andrea Segre, que no ano passado venceu o galardão máximo do Festival com Shun Li e o Poeta. Pode não ser o melhor título da sétima edição do 8 1/2, mas segue uma linha artística e dramática que serviu de mote para tantas outras fitas do mesmo género.

A Primeira Neve (La Prima Neve) – Andrea Segre [2013] – 6/10

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É um filme sobre imigração, morte, filosofia e amizades improváveis, que fará as delícias dos mais facilmente emocionáveis. La Prima Neve tem dois atores de Zoran, o Meu Sobrinho Herdado a desempenharem papéis secundários, e a história fala-nos de Dani (Jean-Christophe Folly), um refugiado da Líbia que se encontra nos Alpes italianos, onde conhece Michele (Matteo Marchel), um rapaz rebelde e metediço que se diverte com os amigos em várias peripécias pelas montanhas. Ambos se irão aproximar pelos traumas do passado que carregam, e que ficaram neles marcados para a vida: a morte da mulher de Dani e o acidente que tirou a Michele o seu pai. E num misto de humor e drama emocional, acompanhamos a viagem de descoberta que ambos fazem naquele lugar, enquanto a amizade entre eles cresce e cada um tenta perceber que passos deve seguir para continuar o seu caminho.

La Prima Neve recebeu o Prémio do Público na última edição do Festival de Veneza, e pelo andar da carruagem, será um dos filmes preferidos dos espectadores que foram assistir às duas exibições que teve, em Lisboa, na Festa do Cinema Italiano. Deixando-se levar pela atmosfera propícia a lágrimas (muitas delas forçadas) criada pela narrativa, foram muitas as pessoas que atribuíram, ao filme, no formulário que permite ao público classificar os filmes da secção Competitiva, o número máximo de estrelas permitidas para votar.

Mas um filme não pode ser avaliado dessa forma, e apenas alguns conseguem deixar-se levar pelo dramalhão comovente e pseudo-inspirador que vemos desenrolar-se no ecrã. Mas, e apesar dos defeitos da sua história e da forma como ela é contada (caminhando por vezes para os mecanismos mais fáceis e cansativos), não deixa de ser uma película interessante, que se reforça pelas fantásticas interpretações do elenco, pela banda sonora, pelos momentos de humor muito bem conseguidos, e a importância que se dá ao retrato dos costumes e hábitos daquela localidade.

Sendo, infelizmente, muito desequilibrado, com coisas que parecem desajustadas e mal utilizadas, La Prima Neve salva-se para muitos espectadores porque pega nos sentimentalismos que mais lhes dizem ao coração. Contudo, fora isso, temos em mãos uma obra com alguma beleza própria, nesta história simplista que constantemente nos soa familiar. Tem drama com pendor televisivo e narrativamente básico, e o lado cinematográfico só pode ser apreciado mais a nível estético. Com acessórios completamente desnecessários, o que vale é que nem tudo é artisticamente vulgar e banal neste filme de Andrea Segre, que impõe as suas ideias para uma história que merecia um tratamento muito mais criativo e original.