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‘Game of Thrones’. Mais um casamento de cortar a respiração

É definitivo: no mundo de Game of Thrones (A Guerra dos Tronos), ‘casamento’ passou a ser sinónimo de ‘catástrofe’.

Aviso: este artigo contém spoilers

Depois do trágico e violento desfecho da mais recente boda real, que celebrou a efémera união de Joffrey e Margaery, não é difícil prever uma queda abrupta no número de matrimónios realizados em Westeros. Compreensivelmente, admita-se, já que a probabilidade de ser assassinado durante o copo-d’água começa a ser bastante significativa.

Este segundo episódio da série criada por David Benioff e D. B. Weiss, intitulado The Lion and the Rose, foi originalmente transmitido no domingo à noite, nos Estados Unidos da América, pela HBO; em Portugal, foi para o ar na noite de ontem, no canal Syfy. Se ainda não o viste, estás à espera de quê?

De um modo geral, este episódio veio eficazmente contrariar a tendência que se vinha começando a fazer notar na série – de que apenas as personagens vistas como ‘bons da fita’ pelos fãs, leia-se Ned e Robb Stark, se encontram em perigo de serem sujeitas a um fim sangrento e inesperado. A morte de Joffrey – o protagonista mais odiado de toda a história – veio mostrar que, em última instância, isso não é bem assim. Absolutamente ninguém está a salvo – seja herói, vilão ou algo menos simples de classificar.

As incidências deste capítulo tornam-se ainda mais surpreendentes se nos recordarmos de que este foi apenas o segundo episódio da temporada. Geralmente, eventos tão importantes e significativos não surgem de forma tão precoce. No entanto, é precisamente esta imprevisibilidade e fuga à estrutura narrativa tradicional que distingue Game of Thrones de tudo o resto.

Resumidamente, The Lion and the Rose foi um dos melhores episódios de toda a série: pelo que mostrou, pela forma como o fez e pelas consequências que terá em todo o enredo.

Passemos, agora, a uma análise mais detalhada.

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King’s Landing.

Tendo em conta a importância dos acontecimentos que tiveram lugar em King’s Landing (Porto Real), o episódio acabou por se focar maioritariamente na capital. Apesar disso, ainda houve tempo para fazer um curto ponto da situação dos enredos que estiveram ausentes na season premiere.

Bran (Isaac Hempstead-Wright), Hodor (Kristian Nairn), Jojen (Thomas Brodie-Sangster) e Meera (Ellie Kendrick) continuam a sua obscura demanda pelas terras a norte da Muralha (The Wall). Aparentemente, o jovem Stark começa a dominar ambos os poderes que possui: é um warg (e tem passado cada vez mais tempo na mente do seu lobo gigante Summer – Verão) e um greenseer (vidente verde). De facto, foi precisamente esta última habilidade que lhe permitiu ficar a saber que tem de continuar a dirigir-se para norte, através do estranhíssimo contacto que estabeleceu com o misterioso corvo de três olhos, usando uma árvore como intermediária.  Todos estes elementos mágicos são ainda um pouco confusos; esperemos, portanto, que tudo nos seja explicado de modo mais satisfatório quando Bran chegar ao seu desconhecido destino.

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“Esta árvore dava um extraordinário guarda-fatos.”

Quem também está de volta é Melisandre (Carice van Houten) e os seus mórbidos churrascos em Dragonstone (Pedra do Dragão). Desta vez, a sacerdotisa vermelha decidiu queimar na fogueira o cunhado de Stannis Baratheon (Sthephen Dillane), sob o olhar atento do próprio Rei e da sua esposa. Refira-se que, até este episódio, não tínhamos visto muito da Rainha Selyse Baratheon (Tara Fitzgerald), que aparentemente é uma fanática religiosa que não se importa muito com o facto de o marido preferir a companhia de outra mulher. Em última análise, apesar de ter sido bom voltar a ver Davos Seaworth (Liam Cunningham) e a Princesa Shireen (Kerry Ingram), as cenas em Dragonstone acabaram por ser quase desnecessárias, pelo facto de não terem contribuído de forma alguma para o avançar do enredo.

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Qual Queima das Fitas, qual quê?

Com Joffrey (Jack Gleeson) fora de cena, a honorável posição de personagem mais detestável está agora por preencher. Um dos principais candidatos ao lugar é, indubitavelmente, Ramsay Snow (Iwan Rheon), o filho bastardo de Roose Bolton (Michael McElhatton). Para além de organizar caçadas a jovens indefesas – que depois servem de refeição aos seus cães –, Ramsay transformou Theon (Alfie Allen) num ser deplorável – Reek (Cheirete) –, destruindo completamente o orgulhoso Greyjoy de outrora. Por sua vez, a relação de Ramsay e Roose aparenta ser bastante complexa: o filho quer claramente a aceitação do pai; este, por sua vez, olha para Ramsay com um estranho misto de orgulho e desprezo.

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“Não te esqueças do aftershave, Reek.”

Agora que é Protetor do Norte, Roose pretende recuperar rapidamente as terras presentemente ocupadas pelos Greyjoy. O primeiro passo consiste na conquista de Moat Cailin (Fosso Cailin), tarefa que incumbiu ao seu sádico e maníaco filho, que contará com a ajuda do seu novo ‘animal de estimação’ Reek. Adicionalmente, tendo tomado conhecimento de que Bran e Rickon Stark estão vivos, o Lorde de Dreadfort (Forte do Pavor) encarregou Locke (Noah Taylor) de os capturar. Se bem se recordam, Locke foi quem amputou a mão direita a Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau); como tal, os irmãos Stark que se cuidem.

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“Uau, este Greyjoy é mesmo bom barbeiro.”

Sem mais demoras, falemos de tudo o que aconteceu em King’s Landing. Ainda antes do fatídico casamento, Jaime Lannister arranjou alguém para o ajudar a melhorar a sua perícia como espadachim esquerdino: Bronn (Jerome Flynn), o mercenário que não faz nada que não seja a troco de dinheiro – se excetuarmos as suas relações promíscuas, claro. A dinâmica entre estas duas personagens será certamente interessante de acompanhar.

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Jaime Lannister agora é esquerdino.

Entretanto, Tyrion (Peter Dinklage) e Shae (Sibel Kekilli) continuam a ser protagonistas das cenas mais entediantes de toda a série. A relação entre os dois nunca foi interessante, dificilmente o virá a ser e, portanto, esperemos que Varys (Conleth Hill) tenha, de facto, conseguido levar Shae para bem longe de Westeros. Acrescente-se ainda que o método que Tyrion utilizou para convencer a sua amante a fugir da capital é um daqueles clichés que não esperamos ver em Game of Thrones

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“Shae, eu ainda estou visivelmente apaixonado por ti, mas estou a fingir que não para que te vás embora e não sejas morta pelo meu pai.”

Durante o pequeno-almoço do dia do casamento real, ficámos finalmente a conhecer Mace Tyrell (Roger Ashton-Griffiths), pai de Margaery (Natalie Dormer) e de Loras (Finn Jones) e filho de Olenna (Diana Rigg). Infelizmente, a personagem foi pouco participativa no episódio e, como tal, teremos de esperar para o ficarmos a conhecer melhor. No entanto, à primeira vista, não parece ser tão interessante como o resto da sua Família. Para além disso, presenciámos ainda uma das últimas maldades de Joffrey: destruiu completamente o livro que o seu tio Tyrion lhe ofereceu, usando a sua nova espada de aço valiriano.

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“Vossa Graça, aceite este cálice gigante que, no fundo, não lhe servirá para nada.”

No que diz respeito à cerimónia matrimonial, pode dizer-se que decorreu sem quaisquer sobressaltos. Os problemas, esses, começaram a surgir apenas durante o banquete. Numa série com uma dezena de enredos diferentes e perto de cem personagens distintas, um dos principais obstáculos está precisamente na distribuição do tempo. Neste episódio, essa dificuldade foi ultrapassada com excelência, já que os seus últimos vinte minutos se concentraram integralmente no mesmo local.

De entre as várias interações entre personagens que vimos durante o banquete, destaque-se, em primeiro lugar, a tensa conversa entre Jaime e Loras. O Kingslayer (Regicida) não acha piada nenhuma ao facto de o jovem Tyrell estar de casamento marcado com a sua irmã Cersei (Lena Headey). É provável que não esteja a par do pouco interesse que o próprio Loras tem demonstrado no referido casamento, dada a sua homossexualidade (aquela troca de olhares com o Príncipe Oberyn Martell – Pedro Pascal – não passou despercebida).

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“Não te preocupes, Jaime. Eu não faço nada à tua irmã.”

Em segundo lugar, realce-se também a pequena conversa entre Tywin (Charles Dance), Cersei, Oberyn e Ellaria (Indira Varma), carregada de ironia e mensagens subliminares (relativas, sobretudo, à suposta responsabilidade de Tywin na morte de Elia Martell). A exceção foi Cersei, que pôs as figuras de estilo de lado e decidiu ser sempre bastante direta nas suas intervenções. De facto, a Rainha Regente (ou ex-Rainha Regente?) foi particularmente desagradável durante todo o episódio – que o digam Pycelle (Julian Glover) e Brienne (Gwendoline Christie).

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A definição de tensão está nesta imagem.

Entretanto, começaram as humilhações de JoffreyTyrion, sendo a primeira o horroroso espetáculo protagonizado unicamente por anões, intitulado ‘The War of the Five Kings‘ (‘A Guerra dos Cinco Reis’). Quando Tyrion se recusou a ir juntar-se ao teatro, o jovem Rei decidiu fazer dele o seu copeiro, rebaixando-o ainda mais. As sucessivas tentativas de distrair Joffrey, por parte de Margaery, não foram suficientes para que as humilhações terminassem.

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O equivalente de Westeros ao Circo Cardinali.

Por esta altura, a tensão ia subindo e pairava no ar a ideia de que algo catastrófico estava prestes a acontecer: restava saber o quê.

Finalmente, quando Joffrey sufocou e partiu desta para melhor (ou pior), houve certamente muitos espectadores que não quiseram acreditar, simplesmente pelo facto de ser bom demais para ser verdade. Mas o jovem tirano morreu mesmo e os Sete Reinos terão brevemente um novo Rei: por lógica, será Tommen Baratheon (Dean Charles-Chapman), o filho mais novo de Cersei, que parece bem menos cruel e maquiavélico do que o irmão. Infelizmente, a última coisa que Joffrey fez antes de morrer foi apontar para Tyrion, que foi imediatamente indicado como culpado e capturado por elementos da Kingsguard (Guarda Real). Neste momento, ainda é difícil ter certezas quanto ao responsável pela morte do Rei. Porém, vimos Dontos (Tony Way) dizer a Sansa (Sophie Tunrner) que estava na hora de fugir, o que deixa poucas dúvidas quanto ao seu envolvimento. Resta saber quem estará mais por detrás deste regicídio.

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Este será o wallpaper de muitos fãs de Game of Thrones nas próximas semanas.

O diretor do episódio em questão, Alex Graves, merece uma referência pelo trabalho extraordinário realizado, tendo conseguido atribuir aos últimos momentos do capítulo uma sensação de insegurança e incerteza completamente extenuante.

O Rei Joffrey está morto!

Notas Finais do Episódio:

Melhor cena – Morte de Joffrey Baratheon 

Melhor ator / atriz – Jack Gleeson (Joffrey Baratheon)

Melhor fala – “There’s only one hellPrincess. The one we live in now.” / “Há apenas um inferno, Princesa. Aquele em que vivemos agora.” (Melisandre)

Momento de ‘comic relief‘ (alívio cómico) – (Tyrion) “To the proud Lannister childrenThe dwarf, the crippleand the mother of madness.” / (Tyrion) “Às orgulhosas crianças Lannister. O anão, o aleijado e a mãe da loucura.”

Outras personagens presentes no episódio não indicadas na review – Podrick Payne (Daniel Portman); Meryn Trant (Ian Beattie); Myranda (Charlotte Hope); Tansy (Jazzy de Lisser); High Septon – Alto Septão (Paul Bentley); Walda Bolton (Elizabeth Webster); Axell Florent (James McHale); Kayla (Pixie Le Knot)

Participação especialSigur Rós: a banda islandesa interpretou o tema The Rains of Castamere‘, frequentemente associado à Família Lannister

Nota – 9/10

. . .

Terminada a review, resta-nos esperar por um novo capítulo, que chega já no próximo domingo.

Se tiveres curiosidade, vê a preview do terceiro episódio, divulgada pela HBO:

www.youtube.com/watch?v=_XMvUQQNhnU

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