No outro dia estava a passar os olhos pelas notícias nacionais, sentado no meu quarto aqui na Dinamarca, filtradas pelos meus contactos e pelas páginas que sigo no Facebook, quando dou por mim a tropeçar num artigo que referia a entrevista que Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF), tinha dado à Rádio Renascença. A representante do BACF deu algumas entrevistas e feito declarações que têm dado que falar nos media e nas redes sociais, criando publicidade que serviu, e bem, para angariar ainda mais voluntários para a causa de alimentar os mais desfavorecidos.

Desta vez, Jonet decidiu disparar que as redes sociais são uma das razões que faz o exército de desempregados deste país alienar-se e continuar na mesma situação ad eternum. E é aqui que eu abro os olhos e me ponho a pensar como há tanta gente que não se apercebe o quão importante a internet pode ser para combater a pobreza, para dar ferramentas a pessoas desempregadas para se renovarem assim como para encontrarem trabalho.

isabel jonet

As declarações

Para não ser injusto aqui fica o link para o vídeo da entrevista de Raquel Abecassis a Isabel Jonet e parte específica que me fez revirar os olhos:

O pior inimigo dos desempregados são as redes sociais. Muitas vezes as pessoas ficam desempregadas e ficam dias e dias inteiros agarradas ao Facebook, ou agarradas a jogos, agarradas a amigos que não existem e vivem uma vida que é uma total ilusão, porque não estão no trabalho, mas como estão agarradas ao computador pensam que estão a gerar algum trabalho

O que a Internet não é?

A Internet, ao contrário do que muita gente pensa, não é apenas um recreio, não é um escape virtual onde vamos apenas para nos alienarmos da realidade; para muitos a rede das redes é um modelo e um local de negócio, assim como uma ferramenta de trabalho. Desde de sistemas colaboracionais muito mais eficientes, veja-se o Google Docs, até às redes sociais que ajudam a fazer contactos profissionais, sendo o LinkedIn o exemplo óbvio aqui, ou a encontrar oportunidades de emprego atualizadas e partilhadas a uma velocidade muito superior que muitos serviços especializados conseguem fazer, vejam-se os grupos de Facebook que se dividem por áreas de interesses/serviços ou por regiões.

Sem entrar nos pontos políticos em que discordo ou concordo com a senhora, tenho mesmo que dizer que “se está a virar o bico ao prego”. Dizer que as redes sociais são inimigos é como dizer que a tecnologia é perigosa para a saúde. É demagógico, desinformado e possivelmente perigoso.

facebook

Se é verdade que a Internet nos inunda com entretenimento e está cheia de distracções, dizer que as redes sociais são um inimigo e que a percepção que as pessoas têm delas não passa de uma ilusão é injusto para os milhares de trabalhadores independentes, a caixa onde se metem todos aqueles que por habilidade natural ou estudo prolongado oferecem artigos ou serviços que não se encaixam bem no mercado de trabalho tradicional, que usam as redes sociais como o seu principal veículo de publicidade e de contacto com os seus clientes, essa rede de contactos e esse espaço (maioritariamente gratuito) de publicidade era impossível de obter há 10 anos.

Conclusões

Se hoje escrevo esta crónica a partir da Dinamarca é porque a Internet me permitiu encontrar formas de me educar, de me renovar em termos profissionais, assim como me permitiu encontrar oportunidades. As redes sociais, que Isabel Jonet demoniza, foram uma grande ajuda no processo de manter a minha saúde mental, permitindo-me conetar com outras pessoas ao invés de me sentar a um canto a deprimir sobre o quão inútil estar desempregado me fazia sentir.

redes sociais

Como aqui já se falou de alguns websites que podem servir para desenvolveres ou descobrires novos interesses e capacidades ou ainda de que forma podes melhorar o teu CV relacionando com competências que te podem fazer seres uma pessoa com muito maior possibilidade de oferecer novos inputs a uma empresa ou uma organização.

Então, senhora Jonet, por favor não generalize nem sobre desempregados nem sobre redes sociais, porque há muita gente que vive e que superou situações de desemprego por causa da Internet.

Qual a tua opinião sobre as declarações que Isabel Jonet fez? Deixa as tuas opiniões na caixa de comentários.