Retira-se o telefone e colocam-se os livros. Esta é uma iniciativa que visa promover a leitura e os laços comunitários, do Movimento Comerciantes Avenida Guerra Junqueiro, Praça de Londres e Avenida de Roma, reaproveitando uma velha cabine telefónica e transformando-a numa minibiblioteca self-service.

Em parceria com a Portugal Telecom, a biblioteca será inaugurada no dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, com um conceito bastante simples: qualquer um poderá ir à cabine, tirar o livro que quer, escrever o seu nome num papel e em contrapartida deixar lá outro para substituir o que levou.

Em explicações à agência Lusa, Carlos Moura-Carvalho, do movimento, afirmou que a Cabine de Leitura terá entre 50 a 60 livros, tanto para adultos, como para jovens e para crianças, todos eles doados por editoras, livrarias e por moradores do bairro.

Proporcionando um modo informal de troca de livros assente na confiança, o objetivo desta cabine-biblioteca é estreitar os laços comunitários entre os moradores, fomentar a leitura, exercitar a cidadania e promover o gosto pelos livros num espaço imprevisto e criativo. Moura-Carvalho afirmou que acredita “no civismo”, e que “as pessoas irão respeitar as regras. Se, no final do primeiro dia, tiverem desaparecido os livros todos, teremos de os repor“.

De forma a lembrar aos utilizadores de onde o livro veio e a sua responsabilidade em manter aquele espaço através das devoluções e trocas, todos os livros terão um marcador com os objetivos do projeto. A sua localização na Praça de Londres também deverá ficar perto da Pastelaria Mexicanapara que haja um controlo de proximidade“, acrescentou Moura-Carvalho.

No dia 23, para acompanhar a abertura da nova cabine, haverá uma cerimónia “oficial” de inauguração por volta das 19h , assim como atividades nas livrarias do bairro e na Pastelaria Mexicana.

Em Portugal uma iniciativa deste tipo é ainda pouco influente, com apenas um exemplo de um projeto semelhante (uma biblioteca numa cabine) em Barcelinhos, no norte do país. Porém, noutros países, este modo de circular livros de forma criativa é já muito comum, nomeadamente no Reino Unido e noutros onde o fenómeno mundial book crossing é bastante utilizado.