O segundo dia do Portugal Fashion já não foi na capital. Na Alfândega do Porto estavam reunidos os amantes da Moda portuguesa, esperando ansiosamente para ver as criações que seriam apresentadas por Júlio Torcato, Luís Buchinho, Daniela Barros e Hugo Costa, e Anabela Baldaque

O espaço amplo onde decorrem os desfiles estava decorado de forma simples. A passerelle era delimitada por duas linhas de palha pintada, e a entrada para os bastidores escondida por paredes altas formadas por fardos de palha.

As primeiras criações a percorrer a passerelle foram as de Júlio Torcato. O criador de menswear utilizou como inspiração os uniformes retro e o luxo aristocrático decadente, criando o conceito de “tailoring urbano” através da aplicação das regras de alfaiataria a materiais inesperados: lãs, sedas, caxemira, algodão, entre outros, numa paleta de cores essencialmente escura, constituída por castanhos, pretos, verdes e azuis.

 Luís Buchinho trouxe a ilusão à passerelle com “Untitled”. Pegando no trabalho de Georges Rousse, o designer criou peças verdadeiramente arquiteturais, onde os pretos e brancos modernistas eram cortados por múltiplos tons de rosa.  Assimetrias, formas, contrastes de materiais (lãs plissadas, peles, tricotados e por aí em diante), reuniram-se para criar peças elegantes e confortáveis, para uma mulher “de carácter forte e afirmativo”.

Daniela Barros e Hugo Costa foram os terceiros a apresentar as suas coleções. “Dalka”, de Daniela, encontrava contrastes entre materiais tecnológicos e naturais, fibras nobres e seda. A silhueta forte e austera, simultaneamente andrógina e feminina, “evoca a energia do personagem e o olhar feminino (inspirado nas mulheres históricas e guerreiras)”. Pretos, cinzentos, azuis e brancos foram os tons escolhidos numa coleção cuja peça de eleição é o casaco.

Hugo Costa trouxe uma coleção inspirada no ““Bushido”, código de conduta e modo de vida dos Samurai”. As peças apresentavam volumes exagerados, mas funcionais, numa escolha de cores que passa muito pelo preto, mas que chega ao laranja, em materiais tradicionais e tecnológicos.

“4 Horas Antes” de Anabela Baldaque foi uma coleção rica em texturas e estampados. “É um desafio para quem olha, quem veste, quem interpreta e cria histórias”. A silhueta era ampla, estruturada, livre e esvoaçante, girly, acima de tudo. A paleta de cores era variada, maioritariamente de tons outonais; os casacos, peças-chave, tinham cintos versáteis e bolsos de proporções exageradas.

 

Fotografias de Juliana Pereira.