Uma prova de que o Cinema não se limita aos grandes e pequenos ecrãs são as falas e diálogos que nos acompanham para o resto da vida, mesmo depois de deitarmos fora o pacote das pipocas. O Espalha-Factos apresenta-te uma seleção de algumas das frases mais inesquecíveis da sétima arte, aquelas que são reconhecidas um pouco por todo o mundo e que podem aparecer em conversas entre amigos, de todas as idades – porque o Cinema é assim: universal e intemporal. 

10. “I do wish we could chat longer…but I’m having an old friend for dinner. Bye.” – O Silêncio dos Inocentes (1991)

A frase é tão arrepiante quanto parece, não fosse ela da autoria do famoso assassino em série Hannibal “O Canibal” Lecter (Anthony Hopkins).

Não é por acaso que O Silêncio dos Inocentes foi o primeiro filme de terror a ser premiado com o Oscar de Melhor Filme. Esta receita de puro suspense em muito se deve à brilhante interpretação de Hopkins; na voz serenada e paulatina de Hannibal Lecter – que o próprio ator descreveu como “uma combinação de Truman Capote e Katherine Hepburn – fica patente a verdadeira essência da personagem: um génio calculista com rasgos de animalesco.

Quando vemos Clarice Starling (Jodie Foster), uma destemida agente-revelação do FBI, a ser congratulada pela captura do assassino Buffalo Bill (Ted Levine), pensamos que podemos respirar de alívio. Mas, tudo se desconstrói quando Starling recebe um breve telefonema do Dr. Lecter, a lembrá-la de que os cordeiros nunca vão parar de gritar…

Outras frases famosas deste filme:

 Dr. Lecter: “A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti.”

Dr. Lecter: “You still wake up sometimes, don’t you? You wake up in the dark and hear the screaming of the lambs.”

Em baixo, é possível ouvir (e apenas ouvir) esta que é uma das falas mais arrepiantes do cinema:

9. “O captain, my captain!” – O Clube dos Poetas Mortos (1989)

É assim que começa e se intitula o poema de Walt Whitman, escrito no ano de 1865, em honra da morte do presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln. Mas sejamos sinceros: não é graças a um vasto conhecimento da obra Leaves of Grass que este verso nos vem à cabeça, pois não?

E não é preciso pensar muito. Facilmente chegamos ao inspirador Clube dos Poetas Mortos. O culminar de toda a tensão dramática do filme edifica-se quando os alunos do professor John Keating (Robin Williams) quebram as regras do colégio interno que frequentam. Num gesto de devoção pelo professor, colocam-se, um por um, em cima das carteiras, clamando “O captain, my captain!”“O captain, my captain!”

Outra frase famosa deste filme:

John Keating: “Carpe diem, seize the day boys, make your lives extraordinary.”

E aqui fica a célebre cena final que sabe sempre bem rever:

8. “E.T. Phone Home” – E.T. O Extraterrestre (1982)

A existência de extraterrestres é a dúvida de muitos e a certeza de tantos outros. Contudo, se todos forem como o adorável E.T. de Spielberg estão convidados a visitar-nos. Conta-se até que o aspeto do extraterrestre mais famoso de sempre foi imaginado depois de a equipa de Spielberg ter acrescentado os olhos e a testa de Einstein à fotografia de um bebé.

Não é, pois, de admirar que em  E.T. – O Extraterrestre os mais rijos dos corações se derretam com a criatura de barriga saliente que faz amizade com um rapazinho chamado Elliot (Henry Thomas). Um dos momentos mais ternurentos do filme acontece quando o inofensivo E.T. aponta para a janela e diz “E.T. Home Phone”. Dado que Elliot e a pequena irmã, Gertie (Drew Barrymore), corrigem a adorável criatura, a frase ficou mais conhecida como “E.T. Phone Home”.

Outra frase famosa deste filme:

E.T.: [E.T. coloca o dedo  na testa de Elliot] “I’ll… be… right… here.”

Parecendo que não, E.T. – O Extraterrestre já tem 32 anos:

7. “Run, Forrest, run!” – Forrest Gump (1994)

“I’m not a smart man… but I know what love is”. Este é Forrest Gump (Tom Hanks), um simpático idiot savant com um QI de 75. Ainda assim, corremos a lado de Forrest numa deliciosa incursão por alguns dos acontecimentos mais marcantes da história americana do século XX. E se Forrest não nos consegue ensinar as ciências exatas, faz muito mais: ensina-nos a viver genuinamente.

Esta viagem alucinante começa no dia em que Forrest descobre que, apesar das suas limitações físicas e psicológicas, consegue correr (e muito!). Em criança, o protagonista era discriminado pelos colegas devido às suas inegáveis diferenças. Mas, quando a amiga Jenny (Hanna Hall) o encoraja a fugir de um grupo de bullies – com um inesquecível “Run, Forrest, run!”-, Forrest Gump parte em direção a  uma vida maior do que as suas limitações.

 Outra frase famosa deste filme:

Forrest Gump: «My momma always said, “Life was like a box of chocolates. You never know what you’re gonna get”».

6. “Here’s Johnny!” – The Shining (1980)

Correção: “Heeeeere’s Johnny!”. Às portas do top 5, temos uma cena do filme The Shining, uma adaptação por Stanley Kubrick do livro de Stephen King, que, segundo um estudo realizado pelo website Play.Com, é a mais assustadora de toda a história do cinema.

Palpitações, tremores, calafrios – The Shining promete tudo isto e muito mais. O expoente máximo de uma atmosfera de terror habilmente desenhada por Kubrick dá-se quando Jack Torrance (papel icónico de Jack Nicholson), um escritor perturbado, espreita através de um buraco na porta – que ele próprio abriu com um machado – e diz “Heeeeere’s Johnny!“. Esta fala  fez disparar o batimento cardíaco dos inquiridos pela Play.Com em 28,2 %. Uma cena que mexe literalmente com o nosso coração não podia faltar nesta lista. 

Aviso: O vídeo abaixo é só para os mais corajosos

 

5. “Rosebud” – Citizen Kane – O Mundo a Seus Pés (1941)

Quando um homem escolhe para últimas palavras um enigmático “rosebud“- em português, “botão de rosa”-, há que ficar intrigado. Ainda para mais quando o homem de que falamos é o magnata da imprensa Charles Foster Kane (Orson Welles). O enredo de O Mundo a seus Pés é guiado por este mistério, à medida que um grupo de jornalistas procura descobrir o significado do vocábulo. A insondabilidade que a palavra “rosebud” ganha neste filme fá-la perder a vulgaridade dos milhares de termos que podemos encontrar num dicionário. A última palavra proferida por Kane passa a ser, mesmo fora do grande ecrã, sinónimo de misticismo, obscuridade e de abismo.

A longa-metragem de estreia de Orson Welles não só arrecadou um Oscar pelo argumento, como foi considerada o melhor filme de todos os tempos pelo American Film Institute, em 1998, e pela revista Sight & Sound, desde 1962. Nesta última, Welles teve “o mundo a seus pés durante 50 anos, apenas para ser destronado por Vertigo – A Mulher Que Viveu Duas Vezes, em 2012.

Outras frases famosas deste filme:

Jerry Thompson“Mr. Kane was a man who got everything he wanted and then lost it. Maybe Rosebud was something he couldn’t get, or something he lost. Anyway, it wouldn’t have explained anything… I don’t think any word can explain a man’s life. No, I guess Rosebud is just a… piece in a jigsaw puzzle… a missing piece.

A poderosa cena inicial em que tudo acaba e começa:

4. “We’ll always have Paris” – Casablanca (1942)

O caso é sério. Escolher apenas uma fala de Casablanca para figurar nesta lista não é um exercício de prioridades fácil. A história de amor de Rick Blaine (Humphrey Bogart) e Ilsa Lund (Ingrid Bergman), que se desenrola durante os últimos e tumultuosos anos da II Guerra Mundial, foi pródiga na produção de frases inesquecíveis (ver em baixo “outras frases famosas deste filme”).

Recheado de interpretações de ouro, Casablanca é uma das mais queridas obras do painel de vencedoras do Oscar para Melhor Filme. A história do realizador Michael Curtiz eleva-nos ao som de As Times Goes By, fazendo-nos pairar sobre dois momentos: uma vida simples em Paris e uma vida amargurada pela guerra numa cidade no meio do deserto, Casablanca. E, embora as transições sejam suaves, a verdade é que o argumento era reescrito quase todos os dias. Antes da rodagem da cena final, a própria Ingrid Bergman desconhecia se Ilsa iria ficar com Victor Lazslo (Paul Henreid) ou partir com a sua antiga paixão, Rick. (Spoiler Alert) O destino não foi feliz para os amantes da cidade do amor. Mas Rick consola Ilsa – e consola-nos a nós – com um apaziguador e mágico “We’ll always have Paris“.

Outras frases famosas deste filme:

Rick Blaine: “Of all the gin joints in all the towns in all the world, she walks into mine.”

Rick BlaineLouie, I think this is the beginning of a beautiful friendship.”

Ilsa Lund: “Play it, Sam. Play ‘As Times Goes By’.”

Spoiler Alert – só para quem já viu o filme:

3. “May the force be with you” –  Saga  A Guerra das Estrelas 

Os chefes do estúdio estavam tão convencidos de que A Guerra das Estrelas – Uma Nova Esperança iria ser um fracasso de bilheteira que entregaram, de mão beijada, os direitos de merchandising de todos os produtos do filme ao realizador George Lucas. Mal sabiam que, mais do que uma saga épica, A Guerra das Estrelas se tornaria num novo mundo, num Cinema dentro do Cinema. Pelas mãos de Lucas, nasceu uma religião maior do que o Espaço, cujas orações podem ser ouvidas e lidas em todo o tipo de artigos. Entre as várias frases originárias deste monstro do grande ecrã – repetidas por todo o mundo, tanto por fanáticos como por pessoas que nunca viram nenhum dos filmes da saga -, temos a emblemática “May the force be with you“.

Em A Guerra das Estrelas, esta fala é a maneira formal de dizer “adeus e boa sorte” entre os cavaleiros Jedi, membros de uma velha ordem que tenta manter a paz e serenidade da galáxia, seguindo o lado bom da “Força”. A “Força” é referida ao longo dos vários filmes, mas em Uma Nova Esperança, Obi-Wan Kenobi dá-nos a sua definição: “It surrounds us and penetrates us. It binds the galaxy together”. Apesar de “May the force be with you” ser a referência à “Força” mais conhecida, a menção a este poder ubíquo conhece outras variações (que podem ser consultadas abaixo); a frase é dita pela primeira vez  pelo General Dodonna antes da batalha da Estrela da Morte.

Mais referências à “Força”:

Uma Nova Esperança

Obi-Wan: “The Force will be with you, always.”

Darth Vader“The Force is strong with this one.”

O Império Contra-Ataca

Darth Vader: The Force is with you, young Skywalker, but you are not a Jedi yet.”

O Regresso de Jedi

Yoda: Strong am I with the Force, but not that strong.”

Luke Skywalker“The Force runs strong in my family.”

Admiral Ackbar“May the Force be with us.”

2. “I’m going to make him an offer he can’t refuse” – O Padrinho (1972)

A oferta era, de facto, irrecusável. Ao adaptar ao cinema o best seller O Padrinho, de Mario Puzo, Francis Ford Coppola fez história: arrecadou os Oscars de Melhor Filme, Argumento e de Melhor Ator para Marlon Brando (que este conseguiu recusar), fez brilhar Al Pacino e James Caan; acima de tudo, eternizou esta obra como um dos filmes americanos mais amados de sempre, cujas personagens e diálogos são indestrinçáveis do que mais nobre se fez na sétima arte.

Aqueles que se atrevem a fazer uma imitação do poderoso Don Corleone pecariam se não incluíssem a implacável frase “I’m going to make him an offer he can’t refuse“. Numa das cenas mais memoráveis desta obra-prima de Coppola, o Padrinho recebe uma visita do seu afilhado, o famoso cantor Johnny Fontane (Al Martino), que lhe pede ajuda para conseguir um papel num filme que o catapultaria para o estrelato.  Se o chefe do estúdio tinha previamente recusado dar o papel a Fontane, certamente muda de ideias quando acorda com a cabeça do seu caríssimo cavalo de corrida na cama. Afinal, quem é capaz de recusar uma oferta do Padrinho?

Outras frases famosas deste filme:

Don Vito Corleone: “A friend should always underestimate your virtues and an enemy overestimate your faults.”

Don Vito Corleone: “You talk about vengeance. Is vengeance going to bring your son back to you? Or my boy to me?”

Don Vito Corleone: “A man who doesn’t spend time with his family can never be a real man.”

Bonasera: “I believe in America. America has made my fortune, and I have raised my daughter in the American fashion.

Uma proposta que não podes recusar:

1. “You talkin’ to me?” – Taxi Driver (1976)

Um espelho e um De Niro no seu máximo. Assim nasce um ícone da cultura popular: “You talkin’ to me?”.  Num argumento duro e cru, Travis Bickle (Robert De Niro) debate-se entre o desprezo pela sociedade decadente e sombria que o rodeia e o desejo de não ficar à margem dela. A cena em que Bickle simula um confronto em frente ao espelho é um perfeito epíteto de Taxi Driver, de Martin Scorsese  o momento em que a alienação de Travis é mais evidente e em que o desespero contraditório para tentar comunicar num mundo no qual se sente invisível é máximo.

You talkin’ to me?” é uma das frases mais famosas do cinema, cuja presença é obrigatória em todas as listas de best quotes. E, ainda assim, nunca esteve escrita no guião de 1976 de Paul Schrader. De acordo com o próprio argumentista, o guião apenas dizia “Travis speaks to himself in the mirror”; foi o improviso de De Niro o escultor de umas das cenas mais inesquecíveis da história do grande ecrã, sem a qual não conseguimos definir o Cinema e que, por isso, merece o primeiro lugar nesta seleção do Espalha-Factos.

Outras frases famosas deste filme:

Travis Bickle: Someday a real rain will come and wash all this scum off the streets.”

Travis Bickle: “Loneliness has followed me my whole life. Everywhere. In bars, in cars, sidewalks, stores, everywhere. There’s no escape. I’m God’s lonely man.”

 Intemporal: