A rubrica “5” pretende trazer aos leitores cinco factos cinematográficos de 15 em 15 dias. O tema desta semana centra-se em Quentin Tarantino e nas suas cinco melhores obras.

Quentin Tarantino é, sem margem para dúvidas, um dos mais conceituados realizadores da atualidade. A sua carreira avançou sempre numa estrada de constante originalidade, bem como de polémica, e, embora ainda não tenha um número muito elevado de filmes no seu currículo (como realizador fez apenas oito longas-metragens), é certo que ficará para a História do cinema moderno.

Faz agora 20 anos que Tarantino venceu o seu primeiro grande prémio no mundo do cinema: a Palma de Ouro no Festival de Cannes 1994, que consagrou o seu segundo filme, Pulp Fiction. Para celebrar este aniversário, é aqui apresentada a lista das cinco melhores obras do realizador norte-americano.

Cães Danados (1992)

A primeira longa-metragem de Quentin Tarantino foi um sucesso de crítica imediato e tornou-se um enorme filme de culto. Após um assalto ter dado para o torto, seis gangsters tentam descobrir o que correu mal, dando lugar a um desconfortável clima de desconfiança entre o grupo.

Cães Danados é um filme excelente. Conta com um elenco de luxo, onde figuram nomes como Harvey Keitel ou Steve Buscemi, um óptimo argumento, escrito também por Tarantino, e um enredo bastante original. É um filme que, através da sua narrativa não linear, nunca se torna aborrecido pois está repleto de plot-twists e acontecimentos surpreendentes. Tem muito estilo (as roupas das personagens, a banda-sonora, etc.), várias referências à cultura pop e um ar badass aliado a um sabor a film noir.

Não é qualquer um que se estreia assim no mundo do cinema.

http://www.youtube.com/watch?v=qCgulNG5w9g

Pulp Fiction (1994)

A obra maior de Quentin TarantinoPulp Fiction é uma verdadeira obra-prima do cinema e deu origem a um novo estilo de filmes em Hollywood. Novamente recorrendo ao recurso de uma narrativa não linear, Tarantino fez um filme dividido em três enredos diferentes que acabam por se cruzar a dado ponto da história.

Pulp Fiction relançou carreiras como a de John Travolta, deu reconhecimento a outras como a de Samuel L. Jackson e lançou para o estrelado atores como Ving Rhames. Para além disso, foi reconhecido tanto pela crítica como pelo público acabando por se tornar numa referência da cultura pop dos anos 90, graças ao incrível argumento escrito por Quentin Tarantino (quem é que nunca citou uma fala do filme?) e a várias cenas míticas, como a famosa dança que Travolta tem com Uma Thurman ou o monólogo bíblico de Samuel L. Jackson.

Foi o primeiro filme de Tarantino a vencer um Oscar (Melhor Argumento Original) e aquele que o tornou mundialmente conhecido.

http://www.youtube.com/watch?v=s7EdQ4FqbhY

Kill Bill (2003/2004)

Diferente de tudo o que o realizador tinha feito até à altura, mas não menos espetacular, é Kill Bill. O filme (que foi dividido em dois por ser demasiado longo) é uma homenagem aos filmes de samurais que Tarantino costumava ver na sua infância e narra a vingança de uma personagem sem nome, apenas conhecida como A Noiva, que quer justiça após a sua filha e marido terem sido assassinados a sangue frio por Bill, o seu ex-mentor.

Embora não haja gangsters nem diálogos memoráveis como nas suas obras anteriores, Quentin Tarantino não deixou de fazer um filme à sua maneira. O primeiro volume de Kill Bill é recheado de ação e conta com a cena mais sangrenta da carreira do realizador, enquanto que o segundo é mais calmo mas não menos excitante, devido a um maior desenvolvimento da história d’A NoivaUma Thurman foi a atriz escolhida por Tarantino para dar vida à personagem principal de Kill Bill e para com ela contracenar foi selecionado David Carradine, o mítico Kwai Chang Caine da série televisiva Kung Fu. Ambos os atores foram apostas ganhas.

Kill Bill foi a entrada de Quentin Tarantino numa fase mais comercial da sua carreira.

http://www.youtube.com/watch?v=ot6C1ZKyiME

http://www.youtube.com/watch?v=q2h6EFk36kI

Sacanas Sem Lei (2009)

Tarantino decidiu explorar, em 2009, a II Guerra Mundial no grande ecrã e o resultado foi Sacanas Sem Lei. Estes “sacanas” são um grupo de soldados judaico-americanos com uma única missão: matar nazis. A missão atinge novos níveis quando surge a oportunidade de matar o próprio Adolf Hitler.

A sexta longa-metragem (sétima se considerarmos Kill Bill como dois filmes em vez de um) de Quentin Tarantino ficou marcada pela enorme interpretação de Christoph Waltz. O até então desconhecido ator foi a principal razão pela qual Sacanas Sem Lei foi tão apreciado pela crítica e pelo público, acabando por se tornar o único ator a vencer um Oscar num filme de Tarantino (feito que viria a repetir três anos mais tarde). Uma das outras razões foi a ousadia do realizador/argumentista do filme em rescrever totalmente a história da II Guerra Mundial com a sua cena final.

O filme não deixou de ser muito polémico dentro da comunidade judaica, que acusou Sacanas Sem Lei de ser moralmente incorreto, e foi censurado na Alemanha.

http://www.youtube.com/watch?v=KnrRy6kSFF0

Django Libertado (2012)

O mais ousado filme da carreira de Quentin Tarantino chegou às salas no Natal de 2012. Django Libertado conta a história de Django, um ex-escravo que procura a sua mulher com a ajuda de um caçador de prémios, Dr. King Schultz.

Muito polémico pela sua violência explícita e não menos louvado pela crítica, esta foi a obra que levou Tarantino ao terreno western. Contando novamente com Christoph Waltz no elenco (que acabou por vencer novamente o Oscar de Melhor Ator Secundário) e ainda com Leonardo DiCaprio numa brilhante performance, esta foi a maneira do realizador homenagear alguns dos seus realizadores preferidos como Sergio Leone. Django Libertado esteve na base de vários confrontos entre Tarantino e Spike Lee, que disse que o filme desrespeitava os seus antepassados.

Django Libertado valeu a Quentin Tarantino o seu segundo Oscar, consagrando o seu tão polémico argumento.

http://www.youtube.com/watch?v=eUdM9vrCbow