No primeiro dia do Portugal Fashion destacou-se o Bloom, espaço dedicado o trabalho de jovens designers, que volta a mostrar-se a mais valia do certame, desta vez sob o tema Organic. Quarta-feira, como vem sendo habitual, o primeiro dia foi em Lisboa na Academia Real de Ciências, e apresentaram coleções a marca HIBU. e João Melo Costa.

O Bloom teve início com HIBU.. Depois da aclamada presença no Sangue Novo (ModaLisboa) na estação passada, a marca de Gonçalo Páscoa, Nuno Sousa e Marta Gonçalves transferiu-se para o Portugal Fashion. A inspiração para esta estação partiu do preto e da associação à bruxaria nos meandros da Idade Média. A julgar pelo que vimos, todo o buzz que tem envolvido o surgimento deste projeto faz todo o sentido.

Sem conceitos rebuscados nem pretensiosismos, desta vez ousaram ainda mais na silhueta vincadamente andrógina e em constante mutação, através do diálogo entre materiais rígidos e outros mais leves e fluidos, do jogo de volumetrias e da gradação de texturas diversas. À silhueta descontruída adicionaram, como habitual, passamanarias e outras soluções desportivas, que quebraram o distanciamento entre o conceito e a usabilidade. Um trabalho de vanguarda que nos deixa expectantes quando ao crescimento desta marca.

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João Melo Costa é um dos criadores mais notáveis a mostrar o seu trabalho nesta plataforma e está claramente num período próspero. Em Fevereiro, apresentou em nome próprio durante a Semana de Moda de Londres e viu a peça que criou para a exibição portuguesa no International Fashion Showcase ser selecionada para uma exposição em que estiveram presentes algumas individualidades da política e da realeza britânicas.  

O objetivo desta coleção foi explorar através do vestuário a complexa identidade do ser-humano. Recorrendo a exigentes drapeados, atreveu-se a retorcer as vistas de algumas peças, a criar silhuetas dinâmicas com um toque masculino, que os movimentos mecânicos dos manequins fizeram parecer incompletas e ocasionalmente desconexas. Como pinceladas pontuais, as aplicações brilhantes pejaram os abrigos de elegância senhoril que elevaram a coleção a outro patamar. Afastando-se da corrente de jovens designers que perseguem a forma e a estrutura, João Melo Costa conserva o romantismo e o senso dramático que dão o seu trabalho uma assinatura facilmente reconhecível.

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Na mesma noite, o evento prosseguiu com o desfile da dupla Alves/ Gonçalves na esplendorosa biblioteca do antigo palácio.