A 11.ª edição do Festival Internacional de Cinema Independente irá decorrer entre 24 de abril e 4 de maio, nas salas do Cinema São Jorge, da Culturgest, do Cinema City Campo Pequeno e da Cinemateca Portuguesa.

A programação abrange um conjunto alargado de apostas independentes oriundas de várias partes do globo, não esquecendo, mais uma vez, uma particular atenção às novidades do Cinema Português, e uma secção especial para comemorar o 40.º aniversário da Revolução dos Cravos. Das curtas às longas, esta será mais uma edição do IndieLisboa que vai dar que falar.

A seleção dos filmes portugueses que poderão ser vistos ao longo do Festival servem para, segundo o comunicado da organização, “comprovar que a produção cinematográfica nacional está cada vez mais desperta para novos formatos e linguagens“. Na Competição Nacional poderão ser vistas obras dos mais variados géneros, estilos e ideias, que têm como denominador comum o facto de possuírem “uma voz marcadamente original“.

Estão marcadas as estreias dos novos projetos de realizadores já conhecidos do festival, como Joaquim Pinto e Nuno Leonel (que apresentam o documentário O Novo Testamento de Jesus Cristo segundo João), Sérgio Tréfaut (que com Alentejo, Alentejo mostra a forte expressão que o cante alentejano continua a ter), Tiago Hespanha e Frederico Lobo (com o documentário Revolução Industrial, sobre o Vale do Ave) e Cláudia Alves (que traz Tales on Blindness, um filme que aborda a presença portuguesa na Índia).

Já para as curtas metragens, a Competição Portuguesa é outra, numa seleção que pretende demonstrar “que o formato curta é cada vez mais procurado por realizadores portugueses“, sendo que alguns dos autores que entram nesta parte do certame são “regressados de uma tradição de longas metragens“. É o caso de Manuel Mozos, Sandro Aguilar e Tiago Guedes, três dos vários participantes da Competição, onde serão também exibidos trabalhos de nomes que já passaram por edições anteriores do Indie. Mas muitos novos talentos estão a surgir, com muitas obras a concurso “assinadas por realizadores que estudam cinema fora de Portugal“.

Talentos esses que poderão ser descobertos também  na secção Novíssimos, que continua a marcar presença no festival e consolida a sua relevância, contando com três sessões nesta edição, e tendo como novidade na sua programação uma longa metragem (O Primeiro Verão de Adriano Mendes). Serão também apresentadas muitas curtas metragens de uma série de cineastas que podem ser mesmo o futuro da Sétima Arte em Portugal.

Já a secção Director’s Cut promete ser uma das mais mediáticas, porque para além de uma série de filmes sobre o olhar de vários realizadores conceituados (Leos Carax, Ingmar Bergman, entre outros), vamos poder contar com clássicos na Cinemateca Portuguesa, uma das parceiras do IndieLisboa ’14. Entre elas, destacam-se as exibições de Antes da Revolução de Bernardo Bertollucci, Stromboli de Roberto Rossellini, e o Frankenstein protagonizado por Boris Karloff. Aqui os espectadores poderão descobrir ainda uma raridade cinematográfica: a versão em 3D de Chamada Para a Morte, um dos filmes mais populares de Alfred Hitchcock.

E para celebrar 40 anos de liberdade, o IndieMusic mostra que “a música também se canta em português“, exibindo um documentário sobre The Legendary Tigerman (True), e outro dedicado a José Mário Branco, um dos maiores nomes da música portuguesa de intervenção: Mudar de Vida.

O IndieMusic faz assim a ponte com o programa República dos Cravos: 25 de Abril, Sempre. Nesta secção os espectadores poderão ver o documentário Outra forma de luta, realizado por João Pinto Nogueira e baseado na correspondência entre Nuno Bragança e Carlos Antunes, que reconstitui uma parte da história do 25 de Abril. Haverá ainda espaço para a comédia, com a co-produção Les Grandes Ondes, de Lionel Baier, que conta a história de uma equipa de televisão suíça que aterra em Portugal no dia 24 de abril de 1974, e que testemunha a mudança política do país.

Uma das outras grandes surpresas desta 11.ª edição do IndieLisboa será a projeção de duas produções portuguesas elaboradas para o programa Capital Europeia da Cultura – Guimarães 2012 em que estiveram envolvidas grandes personalidades do Cinema mundial. São elas 3X3D, assinado a três por Peter Greenaway, Edgar Pêra e Jean-Luc Godard, e Centro Histórico, feito a quatro mãos por Pedro Costa, Manoel de Oliveira, Víctor Erice e Aki Kaurismäki.

Por fim, há que destacar o regresso do IndieJúnior e a inclusão, na sua seleção de filmes para o público mais jovem, de três títulos portugueses.

Contando com grandes convidados e uma panóplia de apostas promissoras, o IndieLisboa ’14 promete arrancar em grande, voltando a encher a capital do melhor Cinema independente do país e do Mundo.