Após se ter notabilizado com filmes de terror, Neil Marshall estreou-se no género da ação com Centurião. Quatro anos depois de ter estreado nos EUA, esta obra que tanto promete mas que pouco oferece chega finalmente às nossas salas.

Centurião conta a história de Quintus Dias (Michael Fassbender), um membro da 9.ª legião romana que, juntamente com meia dúzia de soldados, se vê num verdadeiro jogo do rato e do gato após uma invasão aos Pictos, o povo da Britânia, ter corrido mal.

Embora o filme tenha uma história interessante, que promete muita ação e suspense, Centurião nunca chega a convencer. A cena inicial é original e dá ideia de que o tema da história dos romanos será abordado de uma forma diferente, mas infelizmente não se dá continuidade a essa primeira impressão.

Quando a história em si começa, é percetível de que algo de errado se passa com o filme. Há uma completa falta de coerência nas primeiras cenas, onde as personagens saltam de lugar em lugar demasiado rápido para ser plausível, e o argumento é muito fraco, onde reinam os plot holes. As personagens são insípidas e dificilmente encontramos algo que nos desperte qualquer compaixão ou simpatia por elas, para além de que, graças a nomes difíceis de recordar e vestimentas iguais, não conseguimos distinguir quem é quem da parte dos romanos.

As cenas de ação são igualmente dececionantes, ora porque são excessivamente longas, o que não ajuda ao avanço da história, ora porque são enfeitadas com básicos e ridículos efeitos especiais. Muitas vezes ficamos na expectativa para ver o confronto entre as diferentes personagens mas, quando esse momento chega, não nos sentimos saciados, pois as lutas que o realizador Neil Marshall nos oferece são bastante confusas e, estranhamente, banais.

À medida que se avança na história, Centurião começa a melhorar. Com o aparecimento de novas e mais interessantes personagens, o filme ganha finalmente consistência. Os diálogos parecem querer ser mais profundos e cria-se algum suspense em certos momentos da intriga principal. Para além disso, há uma melhor gestão entre as cenas de ação e os momentos mais dramáticos, o que torna Centurião mais agradável e não tão apressado. Infelizmente, isto não compensa totalmente os estragos anteriormente feitos.

Mas quando parece que Centurião toma enfim um bom caminho, aparece uma personagem que muda tudo. Arianne (Imogen Poots), uma jovem excluída da sociedade por parte do rei do Pictos, vem mudar um pouco o carácter violento do filme e dá origem aos momentos mais cliché da obra, com a tentativa de criar um sub-plot mais soft para o público. O resultado é desastroso e algo frustrante.

Entre tantos pontos negativos, conseguem-se ainda salientar um ou outro aspeto mais positivo. As paisagens e a fotografia que Neil Marshall utiliza para embelezar o seu Centurião são muito boas e quase que dão aquela sensação de que estamos num filme épico. As interpretações dos atores também não são más, especialmente no que toca a Michael Fassbender e Imogen Poots que, embora tivessem papéis que não exigissem muito das suas aptidões, conseguiram dar carisma ao filme.

Centurião tinha uma história e um elenco para mais, mas os caminhos que Neil Marshall toma com o seu filme não o levam a lado nenhum. O fraco argumento e a má exploração das personagens (que até tinham potencial) transforma a sua obra numa hora e meia bastante aborrecida.

Nota final: 2,5/10

Ficha Técnica:

Título: Centurion

Realizador: Neil Marshall

Argumento: Neil Marshall

Elenco: Michael FassbenderOlga KurylenkoLiam CunninghamImogen Poots

Género: Ação, Drama

Duração: 93 minutos