Na semana passada apresentámos-te algumas dicas para defenderes a tua privacidade online, tendo em conta os escândalos que se têm tornado públicos relativamente aos serviços de segurança de certos países, que (quase) indiscriminadamente farejam tudo o que partilhas e escreves online de forma a “proteger” o seu povo de todos os teus instintos terroristas (sim, Estados Unidos da América estou a falar de vocês e Barack, meu amigo, tu desiludes-me). Mas falando do tema desta semana: será que o nosso estado de conectividade permanente é uma benção da era tecnológica ou uma condenação para o resto da eternidade? Será que o a obra distópica de Orwell, 1984, se vai realizar no nosso futuro?

1984_Screenshot

Screenshot do filme 1984 baseado na obra de George Orwell e realizado por Michael Radford

Esta questão surgiu quando passei os olhos por este artigo da Mashable, onde Chris Dancy, conhecido como “o ser humano mais conectado da mundo”, explica a sua visão sobre o futuro do conceito de internet; para este especialista em big data, a internet, como a conhecemos, está morta. O futuro está na inner-net.

E o que é a inner-net?

Bem, o conceito ainda é recente, mas de certa forma está relacionado com o conceito que dá nome a esta crónica, The Internet Of Thingsou A Internet das Coisas, sendo que a inner-net  inclui o elemento humano na equação, ou seja, a recolha, processamento e análise de toda a realidade se aplica também ao ser humano. Não te assustes! A ideia não é colocar chips sob a pele de ninguém (pelo menos para já), mas será antes a interacção entre o mundo virtual e o mundo offline, algo como o Google Glass, onde a realidade física e os bits virtuais se conjugam para ler e interpretar o universo que nos rodeia. Mas o melhor será veres o video em que o próprio Chris Dancy fala um pouco da sua teoria (cheio de estilo!)

As consequências:

Para Dancy estes são tempos de mudança: a experiência quotidiana de recolher quase toda a sua realidade – desde dos quilómetros que percorreu a pé, até ao número de vezes que esfregou os dentes – já começou a ser uma parte da nossa vida e no futuro só se antevê que se torne ainda mais comum e integrado nas actividades diárias. E o homem sabe do que fala, tendo em conta que todo o seu quotidiano é medido por algo entre 300 e 700 serviços/sistemas, desde wearable tech como smart watches, até um colchão que analisa o seu sono e lhe dá dicas para descansar melhor.

Mas este aficionado da conectividade também está atento, pois sabe que apesar de o futuro apontar para uma utilização cada vez mais normalizada de produtos que registam a nossa existência ele também sabe que para muita gente isso será um desafio.

“Há montanhas de dados em tudo o que usamos em casa, mesmo quando não é ‘inteligente’ […] Pelo fim da década, não haverá trabalho no mundo que não tenha sido influenciado por objectos e peças de vestuário inteligentes assim como por informação pessoal”

“Eu sinto-me empoderado mas também um pouco assustado pelo triste futuro dos humanos conectados que não conseguem tomar conta [do seu perfil] do Facebook muito menos a sua relação com os dados que criam na vida […] Eu penso que é urgente que as pessoas tomem atenção à informação que estão a criar e a ‘espalhar’ […] Tanto do nosso valor para os nossos empregadores, família e pares pode ser usado de maneira a fazer as nossas vidas melhores — em vez de irem parar às mãos das mega-instituções que lutam pela nossa atenção”

Meet the ‘Most Connected Man’ in the World
by Samantha Murphy Kelly para mashable.com

Na humilde opinião do autor deste artigo, Dancy está certo, sendo que acho que será sempre uma batalha entre o aceitável e o “opá, isto já é demasiado” no que toca ao que partilhamos, mas que a tendência já começou é evidente.

Christory 2014 - Rise of the Inner-Net

Estaremos a perder a nossa humanidade?

Será que esta entrada do virtual nas nossas vidas está a desvirtuar a nossa humanidade? Agora até já se criam aplicações que servem exatamente para te ajudar a seres anti-social, se bem que também há projetos que tentam combater a tendência da solidão em massa.

Para finalizar deixo dois vídeos com uma reflexão sobre a nossa capacidade de nos relacionarmos e a hiper-conectividade dos nossos dias. Boas reflexões, e até para a semana!