A rubrica A Recordar, iniciada em 2012, está de volta ao Espalha-Factos. Vamos voltar a relembrar atores e atrizes que tenham marcado a sua época, mas que caíram em esquecimento ou não foram suficientemente reconhecidos. Percorreremos atores de diversas décadas, até à atualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Ainda nem tem 40 anos mas é um dos mais famosos e conceituados atores norte-americanos. Já foi nomeado para cinco Oscars e 10 Globos de Ouro, tendo vencido este último por duas ocasiões. Na sua curta carreira contam-se trabalhos com alguns dos mais conceituados realizadores, como Martin Scorsese ou Quentin Tarantino. Estamos a falar de Leonardo DiCaprio.

Nascido a 11 de novembro de 1974, DiCaprio iniciou a sua carreira de ator em anúncios de televisão e filmes educacionais. Em 1990, entrou na série Parenthood e participou na novela Santa Barbara. Estas duas primeiras aparições na televisão valeram-lhe uma nomeação para Melhor Actor Jovem, nos Young Artist Awards.

Leonardo DiCaprio só viria a entrar em filmes a partir de 1991. O seu primeiro projeto cinematográfico foi Critters 3 – O Regresso, um filme de terror de baixo orçamento que nem chegou a ser projetado em sala, acabando por ser apenas distribuído em DVD. Apenas no ano seguinte é que o jovem ator se estrearia no grande ecrã com o filme A Vida Deste Rapaz, onde contracenou com Robert De Niro.

Em 1993, DiCaprio entrou em Gilbert Grape, onde fez de um jovem portador de deficiência. A sua interpretação valeu-lhe a primeira nomeação para os Oscars e Globos de Ouro, na categoria de Melhor Ator Secundário, e o filme foi o seu primeiro grande sucesso de crítica e bilheteira. Entre 1994 e 1995 o ator apareceu em alguns falhanços comerciais e críticos, para além de se ter envolvido numa pequena polémica devido a um desentendimento com o realizador R.D. Robb.

Foi já na segunda metade da década de 90 que o estatuto de superstar de Leonardo DiCaprio se começou a definir. Em 1996, o ator contracenou com Claire Danes no sucesso de Baz Luhrmann, Romeu + Julieta, e tornou-se num dos preferidos do público, especialmente do feminino. Este estatuto atingiu novos níveis quando DiCaprio participou em Titanic, o mais bem-sucedido filme de sempre a seguir a Avatar. A sua amável personagem Jack e a história de amor com Rose (no filme interpretada por Kate Winslet) deram início àquilo que se chamaria LeoMania.

Mas este sucesso com o público não foi acompanhado pela crítica. Embora os dois filmes anteriormente referidos lhe tivessem valido uma ou outra nomeação de melhor ator, os trabalhos seguintes de DiCaprio foram um desastre. O ator recebeu duas nomeações para os Razzie Awards (os Oscars dos piores do cinema), uma delas para a categoria de Pior Ator pelo seu papel em A Praia, de 2000, um sucesso de bilheteira mas que foi arrasado pelos críticos.

Foi preciso esperar até 2002 para DiCaprio voltar a ficar conhecido pelas melhores razões. Nesse ano o ator partilhou o ecrã com Tom Hanks no bio-pic Apanha-me Se Puderes, de Steven Spielberg, e a sua interpretação do fraudulento Frank Abagnale Jr. valeu-lhe uma nova nomeação para os Globos de Ouro. Foi também em 2002 que DiCaprio teve a primeira de muitas colaborações com Martin Scorsese, ao entrar em Gangs de Nova Iorque, mas a sua performance, embora boa, foi ofuscada por Daniel Day-Lewis.

E foi mesmo com Scorsese que Leonardo DiCaprio voltaria a ser nomeado para os Oscars. O Aviador (2004), um drama biográfico sobre Howard Hughes, foi apenas mais um sucesso de crítica e bilheteira na sua carreira e valeu-lhe a sua primeira nomeação para Melhor Actor nos Oscars, isto após ter ganho o seu primeiro Globo de Ouro. Dois anos depois viria a sua nova colaboração com o mítico realizador de Taxi Driver e Touro Enraivecido. A sua interpretação em The Departed – Entre Inimigos foi candidata aos Globos de Ouro e Screen Actors Guild, onde DiCaprio esteve também nomeado por Diamantes de Sangue, o seu outro filme de 2006.

Leonardo DiCaprio voltou-se a encontrar com Kate Winslet no grande ecrã em 2008, no filme de Sam Mendes (marido da atriz), Revolutionary Road. O enredo do filme é mais sério que Titanic, mas não deixou de ser bem recebido pela crítca e valeu a DiCaprio mais uma nomeação para os Globos de Ouro. Depois veio 2010, o ano das grandes receitas de bilheteira. Shutter Island, de Martin Scorsese, e A Origem, de Christopher Nolan, dois filmes muito complexos e fora do comum foram enormes sucessos e renderam, em conjunto, mais de mil milhões de dólares.

Depois de trabalhar com Clint Eastwood em J. Edgar (2011), Leonardo DiCaprio iniciou a sua primeira colaboração com Quentin Tarantino. O ator desempenhou um dos melhores papéis da sua carreira em Django Libertado (2012) e recebeu mais uma nomeação para os Globos de Ouro, desta feita para Melhor Actor Secundário. Voltou depois em 2013 ao Festival de Cannes num novo trabalho com Baz Luhrmann: O Grande Gatsby. Embora o filme não tinha reunido consenso entre os críticos, a performance de DiCaprio, que deu vida ao milionário Jay Gatsby, foi muito aplaudida.

O último filme de Leonardo DiCaprio até ao momento foi O Lobo de Wall Street. A quinta colaboração com Martin Scorsese foi um sucesso de bilheteira e trouxe o ator de volta à passadeira vermelha dos Oscars, com uma nomeação de Melhor Actor, para além de lhe ter valido o seu segundo Globo de Ouro.

Fora do grande ecrã, Leonardo DiCaprio é também um exemplo. Nunca esteve envolvido em escândalos nem em grandes polémicas e é um verdadeiro ativista, tendo dado a cara por várias campanhas em defesa do ambiente. A 11.ª Hora, um documentário sobre os perigos do aquecimento global, foi promovido e narrado por ele. Para além disso, DiCaprio já doou elevadas quantias de dinheiro a inúmeras instituições e participou em várias campanhas humanitárias.

Leonardo DiCaprio passou de jovem talento a sex-symbol, e é atualmente um dos atores favoritos do público em geral. O fato de já ter trabalhado por diversas vezes com os mesmos realizadores mostra que são vários os cineastas que apostam no seu talento e que sabem que os seus filmes ganham mais (quer em termos monetários quer em termos de crítica) com as suas performances. Ainda tem muitos bons anos pela frente e é certo que nos continuará a oferecer grandes papéis.