O projeto Transformers tem as suas raízes nas ruas de Palmela com um grupo de breakdance, os In-Motion Crew, que só algum tempo mais tarde perceberam que tinham passado de amantes da dança a empreendedores sociais. Uma história sobre o poder da paixão e os acasos felizes da vida.

Os In-Motion Crew lutaram por conquistar a aprovação e admiração dos moradores da sua localidade, que mostraram alguma resistência a princípio. À medida que foram aumentando as suas skills no breakdance, tornaram-se parte “da vida cotidiana do bairro e começaram a ser convidados para dar workshops e exibições, o que fizeram de forma gratuita”, declara Tiago Dantas. “A crew conseguiu que algumas crianças abandonassem a vida das ruas e assim o grupo foi-se apercebendo do poder que a sua paixão, o breakdance, tinha para socialmente envolver a comunidade. Os membros da crew tinham-se tornado verdadeiros agentes de mudança social enquanto dançavam. Tinham começado a fazer trabalho voluntário sem querer”.

Em 2009, João Brites, b-boy da In-Motion Crew, participou no programa Global Changemakers, no âmbito do British Council, tendo tido a oportunidade de representar a juventude no The World Economic Forum, em Davos. “No Fórum, houve uma sessão chamada Ideas Lab, onde João Brites foi desafiado a apresentar a próxima etapa da intervenção social que estava a fazer com os In-Motion em Palmela. Na altura, ele apresentou uma versão diferente [da atual], onde as pessoas podiam utilizar a arte de rua para transformar espaços públicos”.

Depois de regressar a Portugal, João Brites reuniu-se com dois amigos, António Mesquita e Harriet Smith, e acabaram por criar o conceito final do projeto Transformers. “E assim arrancou o projeto em 2010 com o apoio da Fundação EDP”, principal financiador.

O projeto Transformers começou com três jovens de 19 e 20 anos e juntaram-se “19 mentores que deram 10 atividades em 8 instituições diferentes a 123 t-kids”. Atualmente, sendo uma organização sem fins lucrativos, já se encontra na 4ª geração, sendo constituída por três tribos diferentes, localizadas em Lisboa, Porto e Coimbra.

No site oficial, é possível descobrir que a visão e missão deste projeto é, “numa parceria para o desenvolvimento capaz de ultrapassar as fronteiras do Estado, setor privado, ONGs e sociedade civil, transformar a juventude numa geração de transformers. Na raiz desta transformação, um programa de voluntariado que já mobilizou mais de 50 mentores dos desportos, formas de arte e atividades mais variadas para orientarem mais de 500 jovens em escolas, hospitais , centros de detenção, centros de acolhimento, bairros sociais e centros de ensino especial a encontrarem no desporto, arte ou atividade com se identificam uma forma de se exprimirem e intervirem positivamente na comunidade”.

Porque “o lugar de todos é também o lugar de cada um”, também tu podes ser um mentor transformer ou aprender um “superpoder” durante nove meses para, depois daquilo a que se chama o payback, participares “no lendário Dia T, que junta todos os transformers para renovar um espaço desaproveitado”. E se ainda não estás convencido, Niall Ferguson, Professor de História da Universidade de Harvard, declara que seria bom se houvessem mais adolescentes cuja missão fosse transformar a vida dos seus contemporâneos e que, no entanto, a boa notícia é que pode haver mais. Além disso, o que o impressiona acerca do projeto Transformers é que tem o potencial de se tornar viral, espalhando-se através do breakdancing em Lisboa até, quem sabe, do cricket no Bronx e do fly-fishing no Kinshasa. A pergunta final é definitivamente: do que é que estás à espera?

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