“It’s a piece of my life that I’m so glad is here for me to have for the rest of my life [é um peça da minha vida que eu estou orgulhosa de agora o ter para o resto da minha vida]”, é assim que Lea Michele classifica, em declarações à Billboard, o seu primeiro álbum de originais, Louder. A cantora, mais conhecida pela sua personagem Rachel em Glee, estreia-se a solo numa altura em que a série tem o fim ditado, devido à morte do seu namorado e também ator Cory Monteith.

Cannonball

Esta forte canção, graças à autoria da sempre brilhante Sia, dá uma bela entrada a um álbum que se adivinha cheio de drama e lirismo inerentes à voz de Lea Michele. Não inova, não nos deixa de boca aberta, mas apresenta-se como um bom hino à nossa capacidade de sermos invencíveis. Longe de ter o sucesso de Wrecking Ball de Miley Cyrus, a música foi lançada como sendo o primeiro single de Louder e já conseguiu alcançar sete milhões de visualizações no YouTube.

On My Way

Pop-song bastante americana, com uma letra catchy – a tocar no kitsch – e com potencial para dominar os tops de vendas. On My Way anima ao mesmo tempo que mostra a voz de Lea Michele no seu melhor, e ainda passa uma mensagem eficaz. A dor continua lá: “I wish that I could listen | To all the advice that I give away | But it’s hard to see things clearly | Through all of the pain, all of the pain”.

Burn With You

A emoção corre nas veias de Lea Michele e, por isso, era expectável que o álbum fosse inundado por baladas. E a estratégia até que nem corre mal. Lea é mestre nas interpretações emotivas e Burn With You é um desses exemplos.

Battlefield

Sia volta logo na terceira canção. Para Lea Michele, esta é a música que soa a ela própria e não a outra cantora pop. E eu concordo. A interpretação de Lea Michele faz-nos lembrar de algumas atuações mais marcantes de Rachel Berry em Glee. “What seemed like a good idea has turned into a battlefield | Peace will come when one of us puts down the gun“, canta Lea sobre o tema que domina este álbum: as relações amorosas.

You’re Mine

Sia continua e Lea Michele gosta. A dupla parece funcionar. Esta é a música favorita da cantora, certamente porque lhe diz muito. Porém, na verdade, não tem nada de especial, acabando por ser uma canção que facilmente passa despercebida neste álbum. A repetição constante do refrão e a letra previsível não ajudam. Não chega a ser forte, nem é uma música calma. Ficou num meio-termo chato.

Thousand Needles

Não só a canção mais complexa (Lea já disse que é a mais difícil de cantar), como é a minha preferida de todo o álbum. A letra diz tudo: “Running fast in hell in rain | The summer tell me I’m insane | Throw a reason out the door | Will make a difference no more” – é visível o contraste da complexidade entre Thousand Needles e o resto das canções tipicamente pop que povoam o álbum.

Louder

A timidez fica para trás e Louder vem sem avisar. Uma música no estilo yolo (you only live once), mas bem produzida e concretizada. Para mim, uma das melhores deste álbum. Cheia de força, tem um refrão orelhudo, como se pretende, mas sem entrar em exageros repetitivos e monótonos. Com a quantidade de baladas de Louder, é sempre bom tirar uma folga do choro e ser atingido por uma música mais eletrizante.

Cue The Rain

Banal. O conceito pode ser interessante e a interpretação, para variar, é excelente, mas as baladas começam a cair no mesmo protótipo e começa a ser difícil gostar de ouvir Lea Michele atingir notas mais altas.

Don’t Let Go

Na mesma linha que a anterior, Don’t Let Go devia ter ficado naquela pasta do computador de “músicas que não quero no álbum”.

Empty Handed

Pode ser simples e até aborrecida, mas é impossível não gostar. Christina Perri é a autora e isso está bem visível. Bem ao estilo de Perri, Empty Handed traz-nos uma melancolia especial longe das restantes baladas mais banais e previsíveis. Obrigado à Christina Perri por ter dado esta canção à Lea, deixando-a percorrer outras potencialidades da sua voz.

If You Say So

Cory Monteith é o protagonista desta canção, sem margem para dúvidas. Apesar de não gostar particularmente da música, especialmente da letra, tenho de admitir que If You Say So traz-nos uma Lea Michele no expoente da emotividade. É uma boa forma de acabar o álbum, apesar de não ser em apoteose, tal como se pretende. Ficamos à espera de um próximo trabalho mais profundo, mais diferente, com menos medo de errar, com mais ambição, e menos influências da pop americana habitual.

Nota: 8/10