Sílvia Alberto passou de ser a menina dos programas infantis, a rapariga engraçada que não dizia os L’s, para ser um dos nomes mais importantes no entretenimento nacional. Ídolos, Operação Triunfo, vários Festivais da Canção, o Masterchef, o Êxtase, o Só Visto e agora um Desafio Total. Revemos a carreira e ficaram algumas perguntas para o futuro.

Espalha-Factos: A carreira da Sílvia tem sido marcada por vários talent-shows. É um género que gosta ou a opção é mais de quem dirige os canais?

Sílvia Alberto: É de facto um género que aprecio mas, claro, a escolha dos formatos será sempre opção da direção de programas.

EF: Tem sido, nos últimos anos, a cara mais associada ao Festival da Canção. O Festival esteve suspenso durante um ano e regressou agora em 2014. Como apresentadora o que é que gostava que mudasse na nossa candidatura à Eurovisão?

SA: Sabe que não sou propriamente uma estratega. Essa é uma preocupação para a coordenação, autores e intérpretes, mas como tudo hoje em dia, criar muita expectativa na imprensa internacional, fazer-se falar e responder em palco com muito nível à proposta, é meio caminho. Como apresentadora divirto-me imenso a apresentar o Festival da Canção. Pessoalmente e futuramente gostaria de ver a Vânia Fernandes concorrer novamente. Acho que tem o que é preciso, tradição na voz, presença e imponência.

«ficava longos períodos de tempo longe do ecrã o que, a meu ver, não era nada benéfico»

EFRecentemente voltou às entrevistas, um formato que não experimentava desde o Êxtase. Ficou contente por lhe ter sido entregue o novo Só Visto?  

SA: Anteriormente eu ficava longos períodos de tempo longe do ecrã o que, a meu ver, não era nada benéfico para o meu rendimento, uma vez que tinha de passar por sucessivos “regressos e recomeços”. A sugestão de ocupar este espaço horário partiu inclusive de mim, com a concordância da direção de programas, que mais tarde se decidiu pelo regresso do Só Visto!. Eu estou muito contente com o formato, a equipa e os resultados.

EF: Gostava de ter um programa com mais tempo para a conversa? Um Alta Definição?

SA: Esse formato é coordenado pelo próprio entrevistador, pelo Daniel, logo, a sua pergunta é ingrata. Não gostavam todos os entrevistadores de ter mais tempo para as conversas que dirigem? O Só Visto! funciona muito bem assim e o meu trabalho passa por servir este formato e as diretrizes que são estipuladas pela coordenação. Não sou contratada para satisfazer vontades privadas embora todos tenhamos as nossas, não é?

Só Visto

EF: Recentemente a Cristina Ferreira alcançou um lugar na direção da TVI. Gostava, no futuro, de dirigir um canal de televisão, mais do que só apresentar programas?

SA: Por favor não desprestigie a função do apresentador com esse seu “só”. Tomara todos os que passam o dia atrás de uma secretária numa agência de viagens poderem fazer as viagens que agendam. Essa não é de todo a minha pretensão e muito menos vocação. Eu gosto do trabalho de campo e de ter espaço para criar. Embora o arquitecto seja essencial para a estabilidade e funcionalidade do edifício, eu prefiro o raciocínio da equipa de design de interiores. Pensar o conforto, a habitabilidade, a adequação ao objetivo e a fruição.

EF: Quem são as suas maiores referências nacionais na apresentação? Porquê?

SA: A Catarina é inequivocamente um exemplo de profissionalismo e beleza e é das apresentadoras consagradas a que sinto que está mais livre para se desconstruir quando é necessário e surpreender. Sempre me diverti com os textos da Teresa, mas confesso que como espectadora os reality shows não são a minha praia. Mas você fala-me em referências e eu tenho sempre receio de me esquecer de bons profissionais.

Se, como apresentadora no feminino, e com esta idade, eu conseguisse fazer um pouco do que vejo na calma e experiência de grandes senhores da comunicação como o Júlio Isidro e o Mário Augusto… ah sabedoria… seria uma junção muito interessante. Gosto mesmo do estilo da Tânia, da Cláudia Semedo e da Leonor Poeiras, gosto de ver nelas (e em mim, claro) o futuro. Acho que a Ana Guiomar tem um sentido de humor e uma descontração que pouco se vê nas mulheres e que podia ser uma surpresa se apostassem nela para apresentar. Também gostei da aposta na Diana Chaves para a apresentação, mas entretanto não regressou…

«cativar o público será sempre um objectivo tanto do serviço público como do privado»

EF: A RTP tem estado em crescimento e alcançou, nos últimos meses, as melhores audiências na nova medição. Qual é a importância deste fator para uma apresentadora do serviço público?

SA: Não vejo relevância em trabalhar em comunicação social, fazer um bom trabalho e não ser visto ou reconhecido por ninguém. Cativar o público será sempre um objectivo tanto do serviço público como do privado. Para mim é muito importante, o entusiasmo do público dá-me motivação para continuar.

EF: Alguns anos depois de ter saído da SIC afirmou ter sido uma decisão inteligente. Apesar disso, há alguma coisa da ‘antiga casa’ de que tenha saudades?

SA: De todos os colegas e profissionais, da boa energia, dos projetos, ficam sempre muitas saudades. Oiça, a minha decisão foi difícil mas não tinha alternativa, o Francisco Penim deixara claro que não iria apostar em mim.

Sílvia Alberto

EF: O Masterchef agora vai para a TVI. Curiosa para ver esta versão? Quais acha que serão as diferenças em relação ao mesmo programa na RTP?

SA: Gosto do formato, reconheço a capacidade de trabalho da produtora, simpatizo com o Manuel Luís, tenho a certeza que vai ser um sucesso e isso irrita-me profundamente [risos].

EF: O que é que gosta de ver na televisão?

SA: Vejo séries, agora: Os Filhos do Rock, Game of Thrones, Breaking Bad, Orange Is The New Black. Vejo o Agora”na RTP2 e a síntese de Notícias também na RTP2. Mais esporadicamente acompanho o 5 Para Meia Noite e o Vale Tudo. Não vejo novelas. Vejo Britcom quando a encontro, não sou muito certa com os horários. Revejo muitas vezes o Little Britain. Também faço serões musicais e de vídeos cómicos do Youtube.

Quando acordo consulto o DN, o Público, o Correio da Manhã, o Guardian, o Independent,  o Times, tudo online. Também online gosto de visitar mais esporadicamente, a revista Mutante,  a ELLE e a Vogue IT.

«o vídeo não acabou com a estrela da rádio… a internet também não o fará com a televisão»

EF: A TV generalista continua a perder público. O que é que acha que pode interromper este ciclo negativo?

SA: Não acho que se trate de um ciclo negativo mas de uma revolução na forma como vemos televisão. Afinal, a escrita não acabou com a memória e o vídeo não acabou com a estrela da rádio… A internet também não o fará com a televisão. Acho que é uma questão de tempo para que as grelhas de tv se adaptem à nova realidade e para que a tecnologia venha a permitir uma relação com a televisão tão indiferente em relação aos horários e tão interactiva quanto a internet já permite.

EF: A formação de base da Sílvia é em Teatro. Nunca pensou em enveredar pela representação televisiva, como a Catarina Furtado fez em Cidade Despida?

SA: Não digo que não tenha esse apelo, mas foi a minha formação em teatro que me fez ter medo de colocar o pé em ramo verde. Sabe, a minha formação é como dramaturgista. Passei bom tempo a observar e dirigir atores, sei o quão difícil é chegar a sentimentos verdadeiros, sei que exige técnica e experiência. Levo o trabalho do ator muito a sério, sei o quanto a formação é importante e temo não estar à altura.

EF: Numa entrevista recente admitiu querer voltar a escrever. O que é que lhe apetece escrever?

SA: Ir escrevendo, para meu prazer, crónicas, textos para teatro, porque não? Gosto da minha versão escrita, é muito diferente da oral. Não tenho ainda objetivos concretos, mas sim, tenho pensado em voltar à atividade.

EF: “Há pessoas que vão a igrejas. Eu vou a museus”. Que hábitos mantém religiosamente na sua vida?

SA: Lembro-me dessa frase…! Os espaços de cultura e não só, o ar livre, a cidade, os espaços públicos, a tarde de sol passada na esplanada a conversar, as caminhadas de máquina fotográfica em punho, fazem por mim o que a visita a uma igreja, imagino, faz por um crente. Têm em mim um efeito apaziguador, inspirador, prazeroso e deixam-me a pensar na vida.

EF: E viagens? Quais foram as melhores e quais é que ainda continuam por fazer?

SA: Com o avançar da idade começa a ser cada vez mais eminente a vontade de fazer uma volta ao mundo durante um ano. Pesquiso muito sobre outros viajantes que já cumpriram o meu sonho. Gostava muito de o fazer mas bem sabemos a complexidade de planear a sustentabilidade de uma viagem deste género… Vou sonhando e lendo os feitos dos outros.

As melhores viagens que fiz foram talvez à Grécia, Itália, Jordânia, Índia e Moçambique.

EF: É diva de uma canção d’Os Azeitonas. Além desta, que outras declarações de amor interessantes já lhe foram feitas?

SA: Não tenho sido alvo de grandes atos de romantismo, não que me lembre. Guardo uma carta de amor anónima que a professora de português do quinto ou sexto ano pediu aos alunos para escrever, endereçar e ela tratou da distribuição. Quem a terá escrito?

EF: Admite ter uma armadura e que as entrevistas que dá raramente a conseguem dar a conhecer. O que é que gostava que o público reconhecesse mais quando pensa em Sílvia Alberto?

SA: Sei lá, imaginem que eu podia ser a vizinha do lado, a quem se diz bom dia todas as manhãs quando ela vem de pijama colocar o lixo na rua ou podar a vegetação. Essa Sílvia tem todo um outro glamour e é indissociável da primeira.

Créditos Fotográficos: Artur Lourenço –  LUX