Há pais e pais. Há pais que ensinam os filhos a andar de bicicleta. Há pais incapazes de mudar uma fralda, mas que se levantam às quatro da manhã para ir adormecer as crianças. Há pais que querem que os filhos sejam aquilo que eles não foram. Há pais que tornam os filhos sócios do Benfica, do Porto ou do Sporting, antes de irem ao registo civil. Há pais que jogam vídeo-jogos com os filhos. Há pais que deixam heranças em dinheiro. E depois há pais que influenciam de tal modo os filhos, que lhes deixam um legado bem mais rico do que o do materialismo. Neste Dia do Pai, destacamos alguns casos de laços, entre pais e filhos, que foram perpetuados pela música. Um verdadeiro património. 

 

Ravi Shankar / Norah Jones

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Apesar de ser fruto de uma relação extra-conjugal de Ravi Shankar e de ter ficado muito tempo sem se relacionar com o pai, Norah Jones herdou do herói da cítara a beleza dos olhos, mas também a técnica dos dedos. Com uma longa carreira que durou até aos seus 92 anos e um papel importante na história da música dos anos 60, Shankar é assim perpetuado com a beleza de Norah Jones, que já foi vencedora de vários Grammy.

Kalú / Fred

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O pai revolucionou o rock português, ao integrar a banda responsável por inserir, no país, o hábito de ouvir rock ‘à americana’, o filho criou a sua carreira à volta de baquetas, bombos e tarolas. Recordamos um programa do ‘Parabéns’, apresentado por Herman José, em que o filho era ainda miúdo e disse que lá em casa era ele que mandava o pai pôr a música mais baixa. Belo prenúncio! Falamos de Kalú, o baterista dos Xutos & Pontapés (estão a festejar 35 anos de carreira) e Fred, o puto-maravilha que comanda o ritmo nos Buraka Som Sistema e também nos Orelha Negra.

Billy Ray Cyrus / Miley Cyrus

http://www.youtube.com/watch?v=NW9ZpKgltjY&feature=youtu.be

Filha do country, Miley Cyrus continua a voltar ao seu passado bem tradicional, mas continua também a deixar o mundo de boca aberta com as atuações, com o que diz, com o que faz, com o que publica nas redes sociais. Na ausência de uma bola de cristal que adivinhasse o futuro, Billy Ray Cyrus – cantor country famoso nos EUA – aventura-se pelo mundo Disney com a filha, Miley Cyrus. Resultado: o sucesso estrondoso que foi Hannah Montana, o verdadeiro melhor de dois mundos. O resto é história.

Miley Cyrus começou por editar álbuns como Hannah Montana, mas logo conseguiu lançar um de originais com a ajuda da Disney. Mais tarde, recusa-se a continuar a série que lhe deu nome, e edita um álbum que já choca os pais de qualquer país, mas ainda muito discreta quando comparada à atitude do último ano. Após um Can’t Be Tamed que já anunciava o dilúvio e depois de uma incursão pela representação, Miley Cyrus regressa à música e pronta para dominar qualquer tabela de vendas: lança We Can’t Stop e Wrecking Ball, ambas com vídeos reproduzidos no youtube sem parar pelos fãs. Célebre fica a performance com Robin Thicke e a sua Blurred Lines, mais comentada do que a guerra na Ucrânia.

Atualmente, tornou-se natural vermos Miley (semi) nua, a lamber martelos e a liderar tops musicais. Ambos partilham de muito sucesso a nivel profissional, ambos tiveram as suas desavenças com a imprensa (falamos das polémicas de Miley com drogas ou de Billy a ser alvo de piadas devido ao estilo do seu antigo penteado. Parece que Billy já não tem mão na Miley (s’miley) que viu crescer. Além disso, ainda temos as frequentes trocas públicas de palavras entre os dois membros da família Cyrus, seja de Billy a apoiar os comportamentos mais loucos da filha ou Miley a criticar o pai pelo Twitter após problemas conjugais envolvendo a mãe da cantora.

Bob Dylan / Jakob Dylan

O talento do cantautor folk, Bob Dylan, dispensa apresentações. Nos anos 90, o seu belo filho, Jakob Dylan, parecia querer seguir os passos do sucesso do pai. Inicialmente com os Wallflowers, Jakob conseguiu entrar no mundo da música, acabando por se lançar, mais tarde, a solo, sem nunca atingir o patamar de reconhecimento nem de qualidade do pai, que conta com mais de três dezenas de álbuns editados.

Júlio Iglesias / Enrique Iglesias

Dois cantores românticos, duas gerações a derreter corações. O clã Iglesias é composto pelo pai Júlio, mestre da balada latina melosa, e pelo filho Enrique, que enveredou pela pop contemporânea. Juntos são dos mais bem-sucedidos artistas espanhóis da história, com carreiras daquelas que metem os Carreiras num bolso. Infelizmente, esta relação já teve melhores dias. Se, outrora, Júlio havia dito que seria “virtualmente impossível” colaborar num dueto com Enrique, por este ser “demasiado comercial”, o ex-manager do patriarca veio agora revelar que este considerou o sucesso do filho resultar unicamente do laço de sangue que os une. Nesta guerra, Júlio parece ganhar, já que nunca lançou nada como Tonight (I’m F****n You), que seria uma música hilariante, se não fosse inacreditavelmente triste.

Sting / Eliot Sumner (Coco)

Gordon Sumner, de nome artístico Sting, é o lendário baixista/vocalista dos The Police e dono de uma carreira a solo com quase 30 anos, abundantes em êxitos, como por exemplo Fields of Gold ou Shape of My Heart. O músico inglês, de 62 anos, é também conhecido por tocar vários instrumentos, entre os quais se destacam o baixo, bandolim, piano, saxofone e a flauta de pan. Sting é também o pai de Eliot Paulina Sumner, de 23 anos, mais conhecida por Coco ou I Blame Coco. Coco tem um álbum editado, The Constant (2010), e o lançamento do segundo está previsto para a primavera deste ano. Apesar de ser filha de Sting, afirma que quer vingar na indústria musical por mérito próprio, e já disse, em entrevista ao Daily Mail, que não há qualquer razão para alguma vez fazer um dueto com o pai, uma vez que ocupam «universos musicais completamente diferentes».

Olu Dara/Nas

Que o leitor já conheça o rapper Nas, é (ou, pelo menos, deveria ser) um dado adquirido, mas será que sabia que o seu pai, Olu Dara, foi um reputado músico de jazz e blues, tendo colaborado com nomes como David Murray e James Blood Ulmer? Destacando-se nas suas respetivas gerações, Nas como cuspidor de histórias de rua, Olu Dara na corneta e  na guitarra, ambos decidiram reduzir o espaçamento geracional com a colaboração Bridging the Gap, onde o pai canta no refrão e o filho fala da orientação que lhe foi concedida pelo velhote. Mas esta não foi a primeira vez que ambos participaram numa música: aquela corneta no final da lendária Life’s a Bitch? Sim, foi o bom do Olu.

Colaboração de Alexandra Silva, António Moura dos Santos, João Pedro Peixoto, Rui Ramalho, Teresa Manso e Tiago Varzim.