Depois de encherem o Grande Auditório do CCB no ano passado, Ana Moura e António Zambujo reuniram-se novamente, agora no Coliseu dos Recreios, para repetirem a dose e mostrarem a força e a beleza do fado. Os músicos dão hoje um novo concerto no coliseu lisboeta e levam, no sábado, o espetáculo em conjunto para o Porto.

Como fizeram questão de salientar, a ideia de realizarem um concerto em conjunto não surgiu originalmente dos fadistas. Quando o fado se tornou Património Imaterial da Humanidade, o Museu do Fado propôs a António Zambujo e a Ana Moura a realização de um concerto em conjunto, que acabou por se realizar no Centro Cultural de Belém. Esgotou com tantos meses de antecedência que sentiram a necessidade de mostrar a mais público, em Lisboa e no Porto, o espetáculo que planearam para aquele dia.

O espetáculo foi planeado para mostrar um repertório de fados tradicionais, conhecidos na carreira dos dois músicos, e influências nas suas carreiras. Começaram por interpretar Despiu a Saudade, presente no álbum Desfado, de Ana Moura. Zambujo elaborou a música deste fado para o último disco de Ana Moura e percebeu-se alguma da cumplicidade que une esta dupla de fadistas, com estilos tão diferentes dentro do fado, mas ambos tão reconhecidos em terras portuguesas e estrangeiras. Sem a banda, os dois interpretaram o tema e fizeram dele um momento íntimo. Um momento a sós para cantarem e elevarem os versos da canção.

Depois de Despiu a Saudade, António Zambujo cantou, sozinho, temas de fado tradicional: Amor de Mel, Eu Já Não Sei e o conhecido Fado Desconcertado, do seu último disco, para depois dar lugar a Ana Moura, com o Caso Arrumado. Quem diria que, por essa altura, o público já sentiria vontade de se levantar e ouvir o fado interpretado pelos dois artistas.

Para além da interpretação dos fados tradicionais, a dupla de músicos decidiu interpretar a suas influências, de forma a fazer homenagem. Ao cantarem O Barco Vai de Saída, de Fausto, contagiaram o público com uma boa energia, tendo-lhe pedido que participasse daquele momento. Podia ouvir-se, por essa altura, todas as pessoas a cantarem o verso “E foi pecado sim senhor” ou mesmo “E arrepia, sim senhor”. Do repertório escolhido, fez também parte Lua Nha Testemunha, de Cesária Évora.

Depois de inundarem o público com as suas inspirações, boa disposição e cumplicidade, a dupla voltou a cantar temas reconhecidos das suas carreiras. Quando Ana Moura cantou Flagrante, um dos fados de António Zambujo, mostrou ao público porque é tão afamada lá fora. Já António Zambujo interpretou um dos temas mais reconhecidos da carreira da fadista, Os Búzios.

O concerto de Ana Moura e António Zambujo é regozijo para os olhos e ouvidos dos apreciadores de fado. Trata-se de uma fusão de estilos diferentes na mesma área musical e de duas amizades, que se sentaram para cantar e mostrar ao público o que de lhe melhor existe em Portugal. Mesmo depois de Ana Moura ter encerrado o espetáculo com Desfado, ainda regressaram ao palco para um encore de três canções.

Se António Zambujo colocou todo o público, mais uma vez, a cantar o tema Lambreta, Ana Moura silenciou ao cantar a plenos pulmões o Fado Loucura. E todos aplaudiram em pé.

O palco do Coliseu dos Recreios recebe hoje mais uma vez a dupla de fadistas e, no sábado por volta das 21h30 no Coliseu do Porto, o público portuense pode também assistir ao espetáculo.