A ficção tornou-se realidade e Os Barões, protagonistas da série Filhos do Rock ,que é exibida semanalmente na RTP1, estrearam-se esta sexta-feira ao vivo no palco do Santiago Alquimista, em Lisboa.

Com os corpos transpirados, os caracóis molhados – e que caracóis! – sorrisos rasgados, garrafas de cerveja pelo chão e um sutiã atirado para o palco, Os Barões abandonaram o palco do Santiago Alquimista após aquele que foi o seu primeiro concerto de sempre. Isto é rock n’ roll, pensámos (mesmo que a dona do sutiã o tenha ido pedir de volta e isso já não seja assim tão ‘rockeiro’ quanto isso). Mas o que acabámos de assistir foi uma celebração do rock português.

A noite começou da melhor forma com o concerto de Torpe, que assinam a banda sonora original da série. Hugo Leitão, João Eleutério, Frederico Gracias, Paulo Prazeres e Francisco Gracias (fabuloso, no baixo) tocaram temas instrumentais como Miúda Caril, Pouca Luz, Lx Céu ou Amanhã Há Mais, deixando antever que esta iria ser uma noite de celebração do rock.

De seguida, Pedro Vidal, produtor musical d’Os Barões juntou-se aos os seus The Road Runners (Alexandre Frazão e Miguel Barros) para oferecer o mais puro rock n’roll com riffs arrojados, muita pedaleira e bateria possante.

Chegou finalmente o momento pelo qual todos ansiavam: a estreia absoluta dos ex-Mercedes BenzJoão Tempera (JP, na voz e guitarra), Cristóvão Campos (Zé Paulo, no baixo) e Eduardo Frazão (Garrafa, na bateria). “Dois músicos e um meio músico“, como foram apresentados, “mas sobretudo três amigos“.  Isso tem sido várias vezes dito e, efetivamente, a cumplicidade entres os três rapazes foi notória em palco.

Com o Lado A já acabado (13 episódios que podem ser vistos no site da RTP) inicia-se hoje o Lado B na televisão. Mas quem esteve ontem no Santiago Alquimista pode ter testemunhado o início de uma nova fase na carreira d’Os Barões.

O concerto começou debaixo de fortes aplausos de uma casa composta, mas longe de estar esgotada. Numa espécie de viagem no tempo, os primeiros acordes deram-se com Misirlou de Dick Dale , o tema-chave de Pulp Fiction, que pegou com Polícia de Choque, tema que virá a ser single do segundo disco d’Os Barões.

A banda teve em palco a preciosa colaboração de /Pedro Vidal, que na guitarra segurou as pontas de uma ou outra nota mal tocada. Mas atenção: se Garrafa claramente não é um prodígio da bateria (compensaria mais tarde ao microfone com uma postura punk assoberbante, já no encore), Zé Paulo e JP saíram melhor que a encomenda e, além de terem o carisma dos artistas rock, foram profissionais na execução dos respetivos instrumentos.

A banda tocou Tombo (uma música para os que caíram e se ergueram) e uma versão de Sheena is a Punk Rocker dos Ramones, dedicada à Maria. A personagem, que é interpretada por Anabela Moreira e tem o papel de namorada de JP, ainda foi apelidada de “mulher da vida” por um fã em palco – isto também é rock – mas não esteve esta sexta-feira no Santiago Alquimista. Mas outros atores da série, como Ivo Canelas e Filipa Areosa assistiram bastante animados ao concerto.

Os vários agradecimentos à produção da série e a todos os que a tornaram possível estenderam-se a Jorge Palma, “um bom amigo” nas palavras de JP, que emprestou a balada Até Sempre aos Barões, fazendo desse momento o mais íntimo do concerto. Logo de seguida, outros amigos foram invocados: desta feita, os Beatles, com Don’t Let Me Down, sensualmente interpretada pelo público, que até isqueiros acendeu.

E como Tudo Tem um Fim, o single que deu a conhecer Os Barões foi interpretado na reta final do concerto, à boa maneira rockeira, com a banda a dar tudo nos instrumentos, com Tempera a virar todos os microfones para o público e a incitar à sua participação.

Ainda não sabemos onde vão chegar estes Barões mas o que se percebe bem é que o culto que dedicam à emergência do rock em Portugal está a deixar marca em três gerações e isso só pode ser notável. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.