1524392_615484555187072_801218476_o

Talkfest ’14, Dia 2: Os festivais de verão online

No segundo dia do fórum sobre o futuro dos festivais de verão em Portugal, assistiu-se ao Internacional Day, que trouxe convidados do estrangeiro para relacionar os festivais portugueses com os decorrem Europa fora.

Novas formas de receita – Lições a partir da Europa. Relação entre o tradicional trio (bilhetes, alimentação e patrocínios)

A tarde do Talkfest começou com um debate acerca da importância que as receitas têm nos festivais e James Drury, diretor do European Festival Awards, foi o responsável por moderar um debate que contou com a presença de Álvaro Costa, jornalista da RTP, Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Ivan Milivojev, diretor do festival EXIT, na Sérvia, Pedro Viegas, diretor de produção do Optimus Alive e Fiona Stewart, directora do festival Green Man.

Segundo Pedro Viegas, que tem o sonho utópico de um dia conseguir esgotar todos os bilhetes do Optimus Alive logo nas primeiras horas, como o caso do Glastonbury, referiu que o festival que decorre em Algés não consegue receitas só a partir das bilheteiras. “Geralmente 40% das nossas receitas vêm da bilheteira, outros 40% dos patrocinadores e os restantes com venda de merchandising e alimentação, entre outros“. Uma situação, ainda assim positiva, até porque é um festival que tem mantido o preço, mantendo-se competitivo com outros festivais na Europa que vendem a preços muito mais caros.

1658432_615450255190502_231927255_o

Apesar de Portugal ser um país periférico, Pedro Viegas também fez a ressalva do Optimus Alive conseguir captar milhares de estrangeiros, principalmente oriundos de Espanha e do Reino Unido, que vêm não só pelo cartaz mas também pelas qualidades e características que são reconhecidas a Portugal enquanto potência turística.

Segundo Álvaro Costa, os festivais não podem ser encarados simplesmente como um local de experiências. “O festival, para além da música, é um local que cria memórias inesquecíveis“, apontou, frisando que “um festival vende sempre algo mais“.

Entre as inovações nos festivais, para além da introdução do wireless em alguns recintos, Fiona Stewart e Pedro Viegas apontaram a variedade de alimentação dada ao público, algo que era complicado até há bem pouco tempo.

Nos elogios ao Optimus Alive e Portugal em geral, todos foram unânimes ao afirmar que, apesar dos desafios complicados que todos atravessam, há um esforço no sentido de mudar, e a realização do Talkfest é prova disso mesmo.

Um dos truques para o sucesso dos festivais passa por manter as partes da organização, patrocínios e artistas todos contentes numa luta em que geralmente as promotoras ficam sempre como o “patinho feio“.

Censo sobre os Festivais Europeus e uma análise do perfil de um festivaleiro

Para fechar as conferências da edição deste ano, coube a Ana Teresa Ventura moderar um painel que contou com César Couto Ferreira, diretor da Vice Portugal, James Drury, Marta Azevedo, Relações Externas e Comunicação do Talkfest, Martim Rodrigues, diretor de logística da Simplicity e Paulo Junqueiro, director da Sony Music Portugal.

Num debate muito animado que decorreu durante duas horas, comparou-se o perfil do festivaleiro português com o europeu, tendo-se verificado muitas semelhanças. Desde as características demográficas (público maioritariamente jovem) até à importância dada ao cartaz, são situações que aproximam os portugueses dos restantes festivaleiros europeus. Ainda assim, verifica-se uma disparidade: quando se fala de despesas num festival, o público português é capaz de gastar menos, muito por culpa da conjuntura económica do país.

Num futuro que é incerto para a música, como afirmou Paulo Junqueiro, há que ter em conta a competitividade que existe entre festivais, que pode tornar mais fácil para um músico poder atuar. Contudo, há que ter em conta as mais variadas características entre festivais, como o Boom Festival ou um MEO Sudoeste, ressalvou Martim Rodrigues.

O grande período de mudança revelado na discussão foi o surgimento do Facebook, que começou a ter o seu “boom” em 2008, e que permitiu que os artistas pudessem gerir a sua própria conta, surgindo assim o próprio conceito de sociedade em rede, em que todos precisam uns dos outros.

Um dos temas mais discutidos acabou por ser mesmo o papel da tecnologia nos festivais. Com a sugestão irreal para 2015, por parte de César Couto Ferreira, da criação de drones com cerveja dentro do recinto, até à real importância que o wi-fi em recintos obteve no ano passado, o calcanhar de aquiles prendeu-se com a eventualidade da tecnologia ser uma fonte redutora de experiências, como se pode constatar pelas fotografias e gravações com o telemóvel dos concertos.

O último dia do evento está reservado para a noite de concertos que contará com a presença de Octa Push, DJ Ride, entre outros.

*fotografias disponibilizadas na página oficial no facebook do Talkfest

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Andreia Big Brother
Big Brother. “A Andreia saiu porque quis. O André, numa situação normal, seria expulso”