No segundo dia do fórum sobre o futuro dos festivais de verão em Portugal, assistiu-se ao Internacional Day, que trouxe convidados do estrangeiro para relacionar os festivais portugueses com os decorrem Europa fora.

Novas formas de receita – Lições a partir da Europa. Relação entre o tradicional trio (bilhetes, alimentação e patrocínios)

A tarde do Talkfest começou com um debate acerca da importância que as receitas têm nos festivais e James Drury, diretor do European Festival Awards, foi o responsável por moderar um debate que contou com a presença de Álvaro Costa, jornalista da RTP, Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Ivan Milivojev, diretor do festival EXIT, na Sérvia, Pedro Viegas, diretor de produção do Optimus Alive e Fiona Stewart, directora do festival Green Man.

Segundo Pedro Viegas, que tem o sonho utópico de um dia conseguir esgotar todos os bilhetes do Optimus Alive logo nas primeiras horas, como o caso do Glastonbury, referiu que o festival que decorre em Algés não consegue receitas só a partir das bilheteiras. “Geralmente 40% das nossas receitas vêm da bilheteira, outros 40% dos patrocinadores e os restantes com venda de merchandising e alimentação, entre outros“. Uma situação, ainda assim positiva, até porque é um festival que tem mantido o preço, mantendo-se competitivo com outros festivais na Europa que vendem a preços muito mais caros.

1658432_615450255190502_231927255_o

Apesar de Portugal ser um país periférico, Pedro Viegas também fez a ressalva do Optimus Alive conseguir captar milhares de estrangeiros, principalmente oriundos de Espanha e do Reino Unido, que vêm não só pelo cartaz mas também pelas qualidades e características que são reconhecidas a Portugal enquanto potência turística.

Segundo Álvaro Costa, os festivais não podem ser encarados simplesmente como um local de experiências. “O festival, para além da música, é um local que cria memórias inesquecíveis“, apontou, frisando que “um festival vende sempre algo mais“.

Entre as inovações nos festivais, para além da introdução do wireless em alguns recintos, Fiona Stewart e Pedro Viegas apontaram a variedade de alimentação dada ao público, algo que era complicado até há bem pouco tempo.

Nos elogios ao Optimus Alive e Portugal em geral, todos foram unânimes ao afirmar que, apesar dos desafios complicados que todos atravessam, há um esforço no sentido de mudar, e a realização do Talkfest é prova disso mesmo.

Um dos truques para o sucesso dos festivais passa por manter as partes da organização, patrocínios e artistas todos contentes numa luta em que geralmente as promotoras ficam sempre como o “patinho feio“.

Censo sobre os Festivais Europeus e uma análise do perfil de um festivaleiro

Para fechar as conferências da edição deste ano, coube a Ana Teresa Ventura moderar um painel que contou com César Couto Ferreira, diretor da Vice Portugal, James Drury, Marta Azevedo, Relações Externas e Comunicação do Talkfest, Martim Rodrigues, diretor de logística da Simplicity e Paulo Junqueiro, director da Sony Music Portugal.

Num debate muito animado que decorreu durante duas horas, comparou-se o perfil do festivaleiro português com o europeu, tendo-se verificado muitas semelhanças. Desde as características demográficas (público maioritariamente jovem) até à importância dada ao cartaz, são situações que aproximam os portugueses dos restantes festivaleiros europeus. Ainda assim, verifica-se uma disparidade: quando se fala de despesas num festival, o público português é capaz de gastar menos, muito por culpa da conjuntura económica do país.

Num futuro que é incerto para a música, como afirmou Paulo Junqueiro, há que ter em conta a competitividade que existe entre festivais, que pode tornar mais fácil para um músico poder atuar. Contudo, há que ter em conta as mais variadas características entre festivais, como o Boom Festival ou um MEO Sudoeste, ressalvou Martim Rodrigues.

O grande período de mudança revelado na discussão foi o surgimento do Facebook, que começou a ter o seu “boom” em 2008, e que permitiu que os artistas pudessem gerir a sua própria conta, surgindo assim o próprio conceito de sociedade em rede, em que todos precisam uns dos outros.

Um dos temas mais discutidos acabou por ser mesmo o papel da tecnologia nos festivais. Com a sugestão irreal para 2015, por parte de César Couto Ferreira, da criação de drones com cerveja dentro do recinto, até à real importância que o wi-fi em recintos obteve no ano passado, o calcanhar de aquiles prendeu-se com a eventualidade da tecnologia ser uma fonte redutora de experiências, como se pode constatar pelas fotografias e gravações com o telemóvel dos concertos.

O último dia do evento está reservado para a noite de concertos que contará com a presença de Octa Push, DJ Ride, entre outros.

*fotografias disponibilizadas na página oficial no facebook do Talkfest