“Os telejornais contribuem a manutenção do status quo feminino”, afirma Paula Lobo, investigadora da Universidade do Minho, hoje presente no colóquio As Mulheres no Jornalismo.

A investigadora dedicou o seu doutoramento às desigualdades do género no acesso à esfera pública tendo concluído – após a análise de 1767 notícias dos telejornais generalistas ao longo de 2008 – que as mulheres não aparecem por elas próprias, mas como parentes de alguém.

Mulheres no espaço noticioso

As mulheres aparecem no espaço noticioso mais como celebridades do que como comentadoras, especialistas ou ligadas à Economia, à Política ou ao Governo. Paula Lobo fala de um “aniquilamento simbólico“, citando a socióloga Gaye Tuchman que disse – em relação a esse assunto – “quanto mudou e quanto ficou na mesma” desde a década de 70.

A nível cronológico, em Portugal, a apresentação de Paula Lobo refere que o Media Watch de 2010 apresenta uma evolução na presença de mulheres na esfera pública. Em 1995, 17% dos intervenientes totais no espaço noticioso eram mulheres. Em 2010, o número sobe para 24%. A mulher aparece frequentemente como opinião popular, não sendo apresentadas a nível profissional (quase metade nesta situação), o que não acontece com os homens.

Jornalistas no mercado de trabalho

O retrato-tipo de jornalista de telejornal, relata Paula Lobo, tem entre 19 e 34 anos e aparece maioritariamente como voz off em peças jornalísticas, aparecendo pouco em cobertura internacional. Quanto ao número de pivots no feminino e no masculino, o número quase que se iguala, tal como se pode observar, pela existência de duplas com um elemento de cada género. Contudo, o fenómeno não é exclusivo a Portugal, Paula Lobo refere, apoiada em número internacionais, que as mulheres jornalistas só representam 1/3 do emprego a tempo inteiro no jornalismo mundial.

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas acolhe esta manhã o colóquio As Mulheres no Jornalismo: perspetivas do trabalho e produção da esfera noticiosa no contexto do projecto Género e produção noticiosa: uma análise da produção e das organizações noticiosas em termos de género financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e coordenado por Maria João Silveirinha. Este colóquio foi organizado pelo CIMJ, o Centro de Investigação Media e Jornalismo.