Os Skaters são uma banda nova-iorquina que se formou em 2012 quando Michael Ian Cummings, Noah Rubin e Joshua Hubbard se conheceram na referida cidade. Surge depois o baixista Dan Burke e após um pequeno período a dar concertos na cena underground, assinaram com a Warner Bros. no final do ano. Seguiu-se o EP Schemers, enquanto a banda trabalhava no seu disco de estreia e fazia crescer as expectativas de várias publicações especializadas.

É bem sabido que a indústria da música atual está cada vez mais volátil: com o advento da internet, uma banda pode desaparecer tão rápido como surgiu, dependendo muitas vezes de factores exteriores à sua música e o seu próprio talento, tais como o factor “hype“. Outra coisa que acontece é a “facilidade” com que se lança e publicita um disco nos dias de hoje. O mercado está repleto de bandas novas todos os dias e cada vez se torna mais difícil para as mesmas obterem um lugar de destaque num autêntico mar de projetos musicais que aumenta diariamente.

Eis que chega então, no fim de Fevereiro de 2014, Manhattan, uma espécie de ode ao estilo de vida nova-iorquino inspirada pelas diferentes décadas de cultura, arte e música da cidade. Mas será que estes Skaters de Nova Iorque conseguirão agarrar o seu lugar ao sol? É pertinente. Vamos ao disco.

Resumidamente, este disco de estreia enquadra-se genericamente naquilo que se designa o típico indie rock americano, com as suas influências garage, ska e punk. Aqui há de tudo: podemos ouvir ecos de Ramones ou Talking Heads e algumas influências de The Strokes. Também há inspiração em grupos do outro lado do Atlântico, mais notavelmente os Arctic Monkeys.

E é assim que chegamos ao principal problema de Manhattan. Não há virtualmente nada de novo no som desta banda. Ficamos com a sensação que já ouvimos todas as notas e todos os arranjos das 11 faixas deste disco em mais algum lado, sendo a falta de originalidade o pecado maior nesta estreia dos americanos Skaters. Contudo, não estamos perante um mau disco, temos antes um esforço competente e uma das primeiras grandes curiosidades do ano.

A faixa de abertura, One of Us, tem a estrutura típica de uma canção de rock alternativo e é um início morno para um disco que realmente nunca chega a efervescer. Segue-se então um lado B dos Strokes, ou melhor… Miss Teen Massachusetts, um dos temas do disco que acaba por ficar melhor a cada audição graças ao seu viciante refrão. E parece que é mesmo este o dom da banda: criar canções com refrões orelhudos e onde a última palavra é esticada. O que não falta aqui são músicas com muitos “hoooooow“‘s, imensos “tryyyyyyyyyy“‘s, “miiiiiiiiiiiind“‘s e por aí fora.

Liricamente, a tecla é sempre a mesma: ser jovem em Nova Iorque, ficar bêbado, ir a festas, conhecer miúdas e acordar com ressaca. Não há nada de especial nos versos destas canções, mas também não é realmente preciso uma componente lírica muito forte numa banda que aposta mais em pequenos hinos de fazer bater o pé. É preciso destacar Deadbolt, I Wanna Dance (But I Don’t Know How) e To Be Young in NYC. São três temas que rapidamente se infiltram no ouvido e se recusam a sair muito graças aos riffs simplistas e aos refrões cantados pelo vocalista Michael Ian Cummings.

manhattan

Sendo um álbum que reúne muitas influências, por vezes existem mudanças de registo bruscas como é o caso de Band Breaker (antes fosse “Combo Breaker”), uma composição reggae que surge fora de tom com o restante disco e que realmente não acrescenta grande coisa. Apesar de não ser detestável, acaba por se tornar uma das canções mais fracas do disco, juntamente com as irrelevantes Symptomatic e Fear of the Knife (que é uma má imitação dos The Clash).

Existe ainda Nice Hat, onde os Skaters passam a ser, por instantes, uma banda tributo aos Arctic Monkeys do primeiro álbum. Até a voz do vocalista se parece assemelhar a Alex Turner. Por outro lado, temos Schemers, que é o melhor momento de todo o disco, uma das músicas mais orelhudas de 2014 e aquilo que provavelmente se tornará num dos pontos altos dos espetáculos ao vivo.

Em suma, Manhattan acaba por ser um desfile dos melhores momentos da música nova iorquina na visão dos Skaters. É um disco competente, com temas orelhudos e fáceis de escutar. É uma homenagem às vivências e à essência de uma das cidades mais conhecidas do mundo e consegue captar muito bem deveras esse espírito urbano e jovial em forma de som, sendo isto um dos seus aspectos mais fortes.

Resta agora saber qual o próximo passo para este quarteto americano e quanta qualidade terão em palco, pois hoje em dia esse é um dos maiores factores de sucesso de um grupo rock. Esta é uma banda jovem que ainda precisa de encontrar o seu som e ganhar mais identidade. O seu disco de estreia não é brilhante, acelera sempre na mesma direção e nunca surpreende, mas no entanto é um bom começo e faz com valha a pena a atenção que sobre ele for despendida.

Nota final: 6.7/10

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945