No segundo dia da ModaLisboa Vision, 8 de março, foram apresentadas as coleções de Nuno Baltazar, Lidija Kolovrat, Saymyname, Luís Carvalho (LAB), Lukasz Jemiol, Ricardo Preto e Luís Buchinho. Com maior afluência que o primeiro dia, Sábado contou com mais jornalistas e mais bloggers presentes. A casa esteve cheia em várias apresentações e evento termina hoje, no Pátio da Galé. 

No Wonder Room continuam em exposição as peças dos criadores da plataforma Sangue Novo, da qual destacamos Nair Xavier e Olga Noronha. A workstation é também um local a visitar para conhecer o interior do backstage da ModaLisboa através da lente de seis fotógrafos nacionais, entre os quais Sal Nunkachov e Élio Nogueira.

  • Nuno Baltazar

A coleção de Baltazar, Mar de Sophia, é uma interpretação do designer do universo e da poesia de Sophia de Mello Breyner Andersen, a ser transladada para o Panteão Nacional dez anos depois da sua morte. Evidencia-se mais uma vez a sua assinatura sóbria e clássica. Há sobriedade na silhueta feminina e também nas tonalidades, com múltiplos azuis, meia-noite, céu, ultramarino e também cinza para além dos tons de barro e rosa poudre. Com a presença de Raquel Strada na passarela, os múltiplos godés das saias e as texturas ricas mimetizavam a espuma das ondas na rebentação e a ondulação suave e ininterrupta. O Mar de Sophia é uma coleção entre o mar e a terra, entre o palpável e o etéreo e é rica, com todos os detalhes que refletem a assinatura de Nuno Baltazar. Possivelmente, a sua melhor coleção desde a ModaLisboa Love (março/2011).

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Detalhes da coleção de Nuno Baltazar.

  • Lidija Kolovrat

Não sabemos se a Lidija gosta da ModaLisboa mas, definitivamente, a ModaLisboa gosta da Lidija Kolovrat. Todos os lugares estavam preenchidos para assistir à apresentação da coleção, intitulada Legend. É com a pergunta “Se o Batman entrasse num café em pleno Alentejo, como apareceria? De capote alentejano?” que surge o mote para o seu mais recente trabalho. Lidija já nos habituou a piadas deste género. Com máscaras a cobrir o rosto e a reproduzir a ideia de super heróis, os manequins atravessaram a passarela em silhuetas simples ou reinventadas através de um intenso trabalho de draping.

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O backstage de Lidija Kolovrat.

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Visual artist, por excelência, Kolovrat reinventa-se a cada coleção.

Mais uma vez, Lidija lança o público numa espiral teatral onde as tonalidades metálicas, uma panóplia de têxteis tecnológicos e texturas diversas ganhou uma vertente mais desportiva que a designer procurava há algum tempo. O preto é uma constante, uma das cores mais confortáveis para a artista bósnia, e percebeu-se um aproveitamento de silhuetas de coleções anteriores, existindo assim uma linha de continuidade do seu trabalho. Legend traz o guarda-roupa perfeito para os super heróis de uma grande metrópole, urbana e contemporânea e foi um dos melhores trabalhos apresentados no segundo dia da ModaLisboa Vision.

De notar também o casting de manequins mais exclusivo até agora, com a presença de Fernando Cabral, Luís Borges e Sharam Diniz.

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Luís Borges e outra manequim em Lidija Kolovrat, no backstage do evento.

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O line up para entrar na passarela e a manequim Ana Búrea com uma das máscaras de super heróis, de Lidija Kolovrat.

  •  Saymyname

Tal como o nome indica, Revolution Is My Name, houve algumas “revoluções” e mudanças nesta coleção de Catarina Sequeira. A cor preta, não muito habitual na marca, ganha uma expressão renovada e intensa nesta coleção que recupera o estilo grunge da adolescência da criadora. “O preto era a minha segunda pele e os esqueletos tornavam-se adornos. Eu era incompreendida e nem queria saber, tudo o que eu queria era ser revolucionária”, pode ler-se no press release. A designer laborou na cor e nas texturas e revela-se mais uma vez prolífera em apresentar peças com um cair descontraído e moldes que são verdadeiros quebra-cabeças. Permaneceram as cinturas subidas, os materiais em encaixes contrastantes, assim como as habituais colaborações com a Xperimental Shoes e Pêlos Cabelos, de Bruno Bessa Cruz. Trata-se de uma revolução bem sucedida e, sucintamente, isto foi Saymyname out of the box.

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Saymyname apresentou uma coleção rica em cores e texturas criadas pelos materiais perfurados. Esta marca tem uma presença bastante expressiva nos países asiáticos.

  • Luís Carvalho (LAB)

Luís Carvalho apresentou uma coleção definitivamente mais madura que a anterior, neste segundo dia da ModaLisboa. Se uma paisagem de inverno, desfocada pelo nevoeiro, foi a sua inspiração podemos dizer que esta coleção foi uma das mais focadas e elegantes que desfilaram no certame de moda lisboeta. Um casaco preto estruturado com mangas em pêlo abriu o desfile da melhor forma. O styling corresponde, mais uma vez a João Pombeiro. As peças continham cortes geométricos entrevistos com drapeados. Alguns vestidos revelaram-se, no entanto, um pouco hirtos e a secção em encarnado integral foi a mais inconstante e o brilho do tecido acentuou pequenos lapsos no fitting.

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Detalhes da elegante coleção de Luís Carvalho, na plataforma LAB.

  • Lukasz Jemol

O designer convidado apresentou a coleção feminina Sense, a apostar em formas minimalistas e em sobreposições. Uma das intenções de Lukasz Jemol foi criar “fashion puzzles” e para o efeito utilizou materiais tecnológicos, sedas e jacquards exclusivos. Sense foi inconstante, enfadonha e desnecessária, demasiado comercial e sem qualquer ponto de inovação ou, pelo menos, que surpreendesse a nossa redação. Os saltos pouco ergonómicos causaram alguns problemas às manequins, assim como as bainhas demasiado descidas.

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A modelo enverga um vestido curto do guest designer polaco.

  • Ricardo Preto

O penúltimo desfile, já com algum tempo de atraso, ficou reservado para Ricardo Preto. Apresentou Arquitetura I. E. Natureza, uma coleção em que as linhas geométricas tencionam lembrar a Arquitetura Contemporânea e “os clássicos recuperados” ao fundirem-se com a fluidez da Natureza, local onde tudo se transforma. Há um toque jovem, romântico e comercial nas peças. Em algumas, os vivos em pelo no dealbar dos bolsos são detalhes inesperados. Ricardo Preto é o designer que mais aposta na estamparia, depois de Lidija Kolovrat, e investe muito no pêlo, sempre com a sua assinatura comercial.

  •  Luís Buchinho
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O backstage de Luís Buchinho em dois detalhes.

Buchinho apresentou Knitwear em Lisboa. Trata-se de uma linha “que tem como conceito principal o conforto, transmitido através de peças versáteis e práticas”. O designer retorna aos cortes geométricos e despretensioso, silhuetas simples para ideias muito concretas, apesar de esta não ter sido uma das suas coleções mais fortas. Nenhuma das peças parece ser desadequada ou fora do lugar. As malhas variam entre os jerseys de caimento direito e os canelados espessos e com alguma estrutura. Luís Buchinho afirma-se, continuamente, como um dos nomes mais seguros da moda atual e de nível adequado às melhores semanas de moda internacionais. As suas idas a Paris, sob o patrocínio do Portugal Fashion, têm-lhe feito muito bem.

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Sharam Diniz e Margarita Pugokva no backstage de Buchinho.

O último dia da ModaLisboaVision decorre hoje também no Pátio da Galé. Os destaques vão para Nuno Gama, Miguel Vieira e Filipe Faísca.

 Texto por: David Pimenta e Tiago Loureiro

Fotografias por: Maria Meyer