Depois de ter cancelado as negociações com a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, a Câmara do Porto assume este ano a organização da Feira do Livro, que decorrerá nos dias 5 a 21 de setembro, nos jardins do Palácio de Cristal.

Após a Câmara ter rompido as negociações com a APEL, alegando “grave quebra de confiança“, o município liderado por Rui Moreira ficará encarregue da organização da Feira do Livro do Porto. Em comunicado, a autarquia referiu que “a decisão foi tomada depois de ter sido afastada a hipótese de regressar ao modelo em vigor até 2012“.

As negociações entre a Câmara Municipal do Porto e a APEL tinham chegado a um consenso no dia 7 de fevereiro. Porém, por questões monetárias o contrato entre os dois órgãos acabou por ficar comprometido.

No dia seguinte ao consenso, o vereador da Cultura do Porto, Paulo Cunha e Silva, afirmou ao PÚBLICO que o processo negocial permitia que não fosse a CMP a custear a feira. No dia 25, João Alvim, líder da APEL, referiu que se os compromissos financeiros não fossem assegurados, a APEL não organizava a feira. Horas depois, a CMP declarava “não haver condições” para negociar.

Esta será a primeira vez em 80 anos que a Câmara do Porto organiza a Feira do Livro sem parcerias, optando por um modelo aberto a todos os editores, livreiros, livrarias, alfarrabistas e associações do setor. Rui Moreira sustenta que o novo modelo organizativo oferece “ganhos de competitividade para os participantes e de autonomia para a cidade do Porto“.

Contando “com programação cultural e apoio da Biblioteca Almeida Garrett”, de acordo com uma fonte da autarquia em declarações ao Expresso, os custos da Feira para os participantes serão mais acessíveis e equitativos, o que permitirá a presença de editoras nacionais e locais, mas também de livreiros e alfarrabistas de bairro.