A rubrica A Recordar, iniciada em 2012, está de volta ao Espalha-Factos. Vamos voltar a relembrar atores e atrizes que tenham marcado a sua época, mas que caíram em esquecimento ou não foram suficientemente reconhecidos. Percorreremos atores de diversas décadas, até à atualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Com quase 40 anos de carreira, Jessica Lange afirma-se como uma das mais poderosas atrizes da sua geração e um verdadeiro ícone do cinema feito em Hollywood. Mas a carismática atriz, que em tempos quebrava corações a gorilas gigantes, caiu um pouco no esquecimento do público mais jovem, que agora a conetam mais com o seu trabalho feito em televisão. É tempo de recordá-la, é tempo de voltar um pouco atrás e relembrar toda uma carreira cheia de colossais prestações na mais bonita das artes: a 7ª.

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O currículo da atriz é vastíssimo, começando no cinema, passando pelo teatro e televisão, a prateleira de prémios de Jessica Lange está repleta de sucessos. Foi nomeada, até hoje, para seis Oscars da Academia, sendo que foi das poucas atrizes, na História de Hollywood, a receber uma dupla nomeação em apenas um ano, acontecendo isto em 1983 quando estava nomeada tanto pelo seu trabalho em Frances, como em Tootsie – Quando Ele Era Ela. Acabou por levar a estatueta dourada por Tootsie – Quando Ele Era Ela e se consagrar na melhor atriz secundária desse ano, feito novamente conquistado em 1995 com Céu Azul (Blue Sky) – na categoria de Melhor Atriz. Ainda no repertório, Lange conta 14 nomeações aos Globos de Ouro, tendo ganho cinco. Dois Emmys, um SAG e ainda 27 outras vitórias nas mais variadas premiações.

Jessica Phyllis Lange, nascida a 20 de abril de 1949 em Cloquet, Minnesota. Entrou em cena pela primeira vez em 1976, num blockbuster, assinado por John Guillermin, que nada mais era que um remake do clássico King Kong de 1933. Apesar de ter feito as delícias do público e de ter catapultado Lange para os focos de Hollywood, sendo este o seu primeiro trabalho e pelo qual ganhou o seu primeiro Globo de Ouro para Nova Estrela do Ano, o filme foi mal recebido pela crítica especializada. A performance de Lange também não escapou a comentários menos positivos, chegando até ao ponto de Marshall Fine, um crítico norte-americano, dizer que a atriz quase matou a sua carreira à nascença. De facto Jessica Lange esteve afastada das câmaras durante três anos, durante esse tempo a atriz apostou em aperfeiçoar o seu já talento nato para a representação.

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No entanto, a salvação da carreira de Lange chega em forma de Bob Fosse, que contratou Jessica para o seu filme auto-biográfico, O Espectáculo Vai Começar (All That Jazz). O mais interessante aqui foi que a atriz nem teve de fazer casting, o papel de Anjo da Morte foi especialmente escrito para ela por Fosse, num filme que acabaria por ser nomeado para nove Oscars, ganhando quatro. A carreira de Jessica Lange estava finalmente lançada em Hollywood, tendo o apoio do público em comunhão com a aceitação da crítica, os trabalhos da atriz começaram a ser mais recorrentes tendo brilhado em alguns filmes ao  lado de nomes como Jane Curtin e Jack Nicholson.

Já na década de 80, Lange conseguiu um papel na primeira obra de Graeme Clifford como realizador, Frances, que é um filme biográfico da trágica vida da atriz Frances Farmer. Para Jessica Lange as rodagens do filme foram tão pesadas que a mesma decidiu aceitar o conselho da sua colega de equipa Kim Stanley e participar num filme “mais leve”. Continuando com as gravações de Frances, Lange aceita assim um papel secundário no filme Tootsie – Quando Ele Era Ela para a aliviar da carga dramática do primeiro. O resultado foi bombástico, ambas as performances foram muito bem recebidas pela crítica, aclamando-a como uma das mais promissoras atrizes de Hollywood e resultando numa dupla nomeação para os Oscars no ano de 1983. Jessica Lange, na 55ª edição dos prémios da Academia, competia assim na categoria de melhor atriz principal, com Frances, perdendo para Meryl Streep que ganhou nesse ano com A Escolha de Sofia (Sophie’s Choice) o seu segundo Oscar e também competia na categoria de melhor atriz secundária com Tootsie – Quando Ele Era Ela, acabando por ganhar a sua primeira estatueta dourada pela prestação no mesmo.

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A carreira de Jessica Lange estava agora completamente cimentada, sendo convidada para muitos outros papéis e constantemente nomeada para Globos de OuroOscars da Academia até ao final da década de 80. Sendo a sua prestação em Depois da Meia-Noite (Sweet Dreams), filme de Karel Reisz, uma das suas mais memoráveis, como Patsy Cline, uma cantora country. A atriz acaba por ser nomeada pela quarta vez para um Oscar e até a sua colega de profissão Meryl Streep afirmou: “Eu tive que implorar ao Reisz pelo papel, mas ele sempre o guardou para a Jessica (…) mas nunca me imagino a fazer melhor que ela, porque ela foi simplesmente fantástica no papel“.

Já nos anos 90 a época de ouro da vida profissional de Lange continuou  e culminou em 1994 quando foi novamente nomeada para o Oscar como atriz principal em Céu Azul (Blue Sky). Talvez das suas performances mais recordadas, em Céu Azul, Lange mostra-nos realmente a excelente atriz que é e a capacidade que a mesma tem de cativar o espetador através do seu imenso carisma. Esta prestação fez Lange ganhar o seu segundo Oscar e terceiro Globo de Ouro. Os restantes anos da década foram repletos de boas prestações, que não escaparam à atenção da crítica. Jessica Lange tinha agora a sua reputação na sua melhor forma, sendo quase sempre aplaudida por aquilo que fazia, chegando até a ganhar um Schermi d’Amore no Festival de Verona.

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No entanto, a época dourada que Lange vivia até aos finais da década de 90 começa a acabar. Em 1998, a atriz entre no filme Relação Mortal (Hush), de Jonathan Darby, sendo que o mesmo foi muito mal recebido pela crítica especializada acabando com Lange a ser nomeada, pela primeira vez na sua carreira, para um Razzie Award, cerimónia que premeia o que de pior se faz no ramo cinematográfico. Isto quase que faz a ponte para os anos do novo milénio, anos em que os papeis da atriz começaram cada vez mais a ser secundários.

Com a sua presença a aumentar na televisão, Lange começa, invariavelmente, a aparecer cada vez menos no grande ecrã. Os seus papéis deixam de ser os mais importantes nas películas e a sua participação no cinema na primeira década do milénio deu-se apenas até 2006. Estando afastada seis anos da 7ªArte , a atriz volta em 2012 com um pequeno papel em Prometo Amar-te (The Vow), um filme bastante mal recebido pela crítica.

Estando afastada do mundo do cinema a atriz tem concentrado os seus esforços na série de terror American Horror Story que caminha já para a sua quarta temporada e também quarta colaboração de Lange com Ryan Murphy. A atriz, não estando a conquistar elogios no cinema, continua a demonstrar o seu talento inato e a imensidão da sua qualidade enquanto atriz na televisão norte-americana. Foi já nomeada três vezes, como melhor atriz, tanto para os Globos de Ouro como para os Emmy com os papéis que vai desempenhando em American Horror Story, sendo que ganhou ambos com o seu papel como Constance na primeira temporada da série.

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Hoje em dia a atriz encontra-se a gravar a quarta temporada de mais uma série de American Horror Story, afirmando que será a última colaboração da mesma no projeto televisivo de Murphy. No panorama cinematográfico, a atriz continua muito parada, apenas em mãos com um título para 2015 chamado The Gambler.

Aqui recordámos uma das mais graciosas e interessantes carreiras de Hollywood, de uma das suas maiores divas modernas. Infelizmente não tem tanta sorte quanto Meryl Streep no rumo que deu à sua carreira, mas sem dúvida que o talento de ambas é equiparável, sendo que Jessica Lange afirma-se como uma verdadeira força da natureza no grande e pequeno ecrã.