Às mães, às avós, às tias, às filhas, às netas, às sobrinhas, às primas, às irmãs, às cunhadas, às sogras, às noras, às altas, às que se querem como a sardinha, às de média estatura, às magras, às gordas, às de Índice de Massa Corporal no ponto, às ruivas, às loiras, às morenas, às de madeixas, às multi-colores, às carecas, às entrançadas, às de rastas, às encaracoladas, às lisas, às onduladas, às casadas, às solteiras, às divorciadas, às viúvas, às indecisas, às meninas, às miúdas, às pitas, às moças, às damas, às princesas, às centenárias, às recém-nascidas, às pretas, às brancas, às amarelas, às castanhas, às bronzeadas do solário, às empresárias, às aventureiras, às motoristas de táxis e de autocarros, às jogadoras da bola, às halterofilistas, às Evas, às Joanas D’Arc, às Virginias Woolf, às Teresas de Calcutá, às Ediths Piaf, às Benazirs Bhutto, às Marilyns Monroe, às Joaquinas, às Marias, às Manuelas, às que mudam o mundo, às que enchem o mundo, às que sustentam o mundo e às que o tornam melhor, às criaturas mais perfeitas da criação e às bonitas, porque feias não as há. Se o Natal é quando um homem quer, que o Dia da Mulher seja de 1 de janeiro a 31 de dezembro. 

1 – Otis Redding – Respect

Originalmente escrita por Otis Redding, mas reeditada e lançada como um single por Aretha Franklin em 1967, Respect tornou-se num clássico do soul/blues dos anos 60 e num dos hinos dos movimentos feministas. Neste dia de homenagem às mulheres, esta canção é o testemunho perfeito do papel da mulher na sociedade. Afinal, todas as mulheres só querem um pouco mais de “respect”.

http://www.youtube.com/watch?v=KvC9V_lBnDQ

2 – Eurythmics – Sisters are doing it for themselves

«This is a song to celebrate the conscious liberation of the female state», ou seja, a apologia à mulher que deixa de ter apenas um papel de dona de casa e que se torna independente. Força mulheres, mostrem o que valem!
3 – Queen Latifah – U.N.I.T.Y.
Queen Latifah canta sobre o respeito que as mulheres merecem e motiva-as a serem confiantes, não deixando que nenhum homem as rebaixe ou trate mal. Uma verdadeira lição.
4 – Diana Ross – I’m Coming Out
Uma música com uma mensagem tão positiva e motivadora, cantada por uma voz feminina, adequa-se perfeitamente a este dia, que celebra a luta da mulher para ultrapassar todos os obstáculos que a impedem de chegar mais longe. Cantem isto num dia mau, aos altos berros, e vejam a vossa feminilidade ser rejuvenescida por completo.
5 – Akua Naru – Poetry, How Does It Feel
Do ponto de vista daqueles que têm a limitação de não ser mulheres, esta música descreve na perfeição a condição da mulher apaixonada. Sexy (e explícita até) sem ser vulgar, retrata uma mulher segura mas com a vulnerabilidade natural de quem se entrega de corpo e alma à sua cara-metade. A voz sensualíssima de Akua Naru e o acompanhamento pleno de soul conjugam-se para criar uma faixa intoxicante. Ah, e já referimos que tem um solo de saxofone?
6 – Eric Clapton – Wonderful Tonight
Pelo mundo afora, e desde o início dos tempos, o sexo masculino debate-se como uma grande questão: “Como é que eu mostro à minha mulher que ela é linda?”. Se existe alguma espécie de fórmula mágica para tal, esta música é uma forte candidata. Fossem todos os homens o génio da guitarra que é Eric Clapton e as inquietações das mulheres estariam para sempre serenadas. Porque as mulheres são perfecionismo, mas, acima de tudo, romantismo, sugerimos um Wonderful Tonight, a balada à qual nem a mulher mais cética vai conseguir resistir.
7 – Stratovarius – Black Diamond
O heavy metal é normalmente conotado com temas como a morte, o satanismo e vísceras em decomposição. É verdade que o metal é isso tudo, mas também baladas de grande qualidade. Em 1997, os Stratovarius lançam a música Black Diamond e o sucesso foi imediato. Os finlandeses são conhecidos pelo seu power metal bem arrojado e surpreenderam aqui com uma balada bem orelhuda. A canção fala de um amor à primeira vista que é impossível de ser consumado. A emoção transparece pela voz de Timo Kotipelto, pelas longas sequências de teclas e pelo solo luciférico de Timo Tolkki.
8 – John LennonWoman
Nesta músic,a há uma generalização de todos os homens e todas as mulheres do mundo. John Lennon representa os homens, falando na primeira pessoa e expressando aquilo que sente pelas mulheres (neste caso, Lennon haveria até de estar a pensar em Yoko Ono…). Antes da canção, propriamente dita, começar, ouve-se um suspiro de Lennon: ‘para a outra metade do céu’, que é na verdade um provérbio chinês. Na letra são expressos o amor e admiração pelo ser feminino, bem como um pequeno pedido de desculpas final por qualquer sofrimento que se tenha causado às mulheres. A música acaba com a constante repetição de ‘I Love You‘. Woman foi um dos últimos hits antes do assassinato de John Lennon, em 1980.
9 – Portishead Glory Box
Um dos temas mais conhecidos desta aclamada banda britânica e provavelmente o expoente máximo de todo o seu (curto) trabalho. Dotada de uma vibe que oscila entre a classe do jazz e a batida suja e underground do Trip-Hop, esta Glory Box é uma das composições mais requintadas e sofisticadas da música britânica dos 90’s. É também um marco no que toca a prestações vocais femininas, com o canto onírico e sombrio da inconfundível Beth Gibbons: “I just wanna be a woman…“. Sublime!
10 – Percy Sledge – When a Man Loves a Woman
Existem várias versões desta música, mas a original ainda não perdeu destaque perante tanta diversidade de cópias (boas e más). A canção é uma ode à mulher e, mais propriamente, ao poder que o sexo feminino exerce no masculino. Neste dia, vale a pena relembrar, ou descobrir, se for o caso, uma letra que fala das características das mulheres… ou pelo menos, de todas as coisas que as tornam o fascínio maior dos homens. A paixão move as nossas convicções e pode fazer com que acreditemos na mais pura das ilusões… mas afinal, o que seria de nós sem tudo isso? Porque, como Sledge canta, quando um homem ama uma mulher, ele não consegue pensar em mais nada…
11 – José CidTodas as Mulheres do Mundo
Uma proposta pirosa, sim. Porquê? É necessária. José Cid, quer se goste ou não, é um dos mais versáteis autores da música portuguesa. Desde o prog-rock aos grandes hits que saltam ao ouvido de cada um de nós, o artista já fez de tudo um pouco. E porquê Todas as Mulheres do Mundo, entre tantas canções sobre a Mulher, que Cid colecionou no seu vastíssimo e imparável reportório? É a mais direta homenagem do cantor do Macaco e de 20 Anos a todas as moças deste planeta. Desde as mulheres da família às mulheres das paixões, Cid trata-as todas por igual… no carinho e nos cuidados que se devem ter com elas, tão grande que é a sua importância para a vida dos miseráveis homens que, infelizmente, também povoam a terra: tal como as rosas, elas têm de ser estimadas, beijadas e apreciadas pelo perfume que nos transmitem, também as mulheres. É uma melodia simplista… mas a letra diz tudo.
12 – António Carlos Jobim – Garota de Ipanema
Muito provavelmente, a canção mais famosa de sempre, pelo menos segundo os media, que conta com milhentos covers que, por várias vezes, fugiram ao espírito do original escrito pelo multifacetado Tom Jobim. Quando Diana Krall fez a sua versão desta música, trocou o texto e transformou-a num homem. Para quê? As intenções do autor eram óbvias: esta música é sobre as mulheres e para as mulheres. Quando passam não deixam ninguém indiferente, e “o mundo inteirinho se enche de graça“, por ver estas “coisas lindas” passar. E elas podem não se aperceber, mas fazem tanta falta pela poesia que dão à vida mundana, triste e desiludida… A melhor versão? Recomendamos a intemporal gravação de João e Astrud Gilberto com Stan Getz!
13 – The Beatles – Julia

Uma das mais sinceras e comoventes odes à mulher, Julia é uma música escrita por John Lennon, tanto para a sua mãe, Julia Lennon, quanto para sua (então) futura esposa, Yoko Ono. Homenageando as duas grandes mulheres de sua vida (Julia incitou-o a aprender música, Ono foi a inspiração para muitas de suas composições), Lennon envolve-nos em mitigantes versos de amor, acompanhados por um irresistível tom de guitarra acústica. Uma simples mas poderosa celebração da figura feminina, repleta de emoção e assinada por um dos mais influentes grupos da história da música.

http://www.youtube.com/watch?v=CIf4_KgBcfM

14 – Peter Gabriel – Shaking the Tree
Um excelente hino às mulheres (e lindíssimo, já agora). Peter Gabriel é dono e senhor da razão quando salienta: “You’re more than just a wife”. A toada alegre e quase gospel de Shaking the Tree faz jus à sua letra sonhadora e ambiciosa.
15 – WolfmotherWoman
Pelo título e pela quantidade de vezes que a palavra woman é repetida ao longo da música, é quase um cliché escolher este tema. A dedicar às mulheres que preferem o rock às baladas.
Playlist elaborada com a colaboração dos redatores: André Franco, António Moura dos Santos, Joana Andrade, Maria Teresa Sousa, Patrícia Nunes, Pedro Bento, Pedro Miranda, Rui Alves de Sousa e Sebastião Barata.