A ModaLisboa Vision teve início ontem, dia 7, no Pátio da Galé. Foram apresentadas as coleções dos criadores selecionados para a plataforma Sangue Novo, de Valentim Quaresma e Alexandra Moura. O evento decorre até domingo e Nuno Baltazar, Luís Buchinho, Nuno Gama ou Filipe Faísca são alguns dos designers que apresentam as suas coleções.

Sangue Novo

Batizada com o nome Vision, a mais recente edição da ModaLisboa começou com a exibição dos novos talentos. Foram selecionados oito designers para abrirem uma porta e deixarem entrar ar fresco na passarela, nesta edição em que “o anseio pelo novo” e “a urgência daquilo que vem a seguir” são os ideais pretendidos. Catarina Oliveira, Sofia Macedo, Ina Koelln, Nair Xavier, Cristina Real, a dupla 2ID (Sara Seidi e Ruben Damásio), Patrick De Pádua e Olga Noronha foram os nomes escolhidos e alguns revelaram-se boas surpresas.

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Dois looks de Nair Xavier, Sangue Novo.

De entre todas as apresentações, a nossa redação escolheu algumas coleções. Nair Xavier, com a coleção Bergie Seltzer, explora a estrutura dos icebergs e plataformas de gelo. Com linhas modernas, a designer traz também alguma inspiração dos anos 80 e conseguiu ir muito para além do clássico e convencional e conferir um travo de “criatividade e inovação” à moda masculina, tal como nos afirmou em entrevista. O ambiente do ártico, recheado de cores quentes e frias, foi bem colocado.

Olga Noronha apresentou Corpus In Claustrum, uma coleção em que tanto as roupas como os acessórios “simulam um ambiente teatral”. Celebra o casamento de estruturas metálicas, os acessórios de cor branca, robustas em corpos cobertos por cetim vermelho para nascer um “semblante de clausura íntima”.

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Detalhes das estruturas metálicas criadas por Olga Noronha.

A designer Cristina Real trouxe Interrupção, sem qualquer forma inicial em concreto. Com uma coleção discreta, graças aos tons negros, azul-marinho e cinza, trata-se de uma coleção criada a partir de linhas retas que vão ganhando forma através de várias interrupções de linhas, cores e materiais, de maneira a ser alcançado o resultado final. Em Interrupção há peças oversized, undersized, retilíneas e também um interessante jogo de volumetrias.

Patrick de Pádua criou uma coleção inspirada nos flying jackets utilizados em 1917 pelos exércitos norte americanos. Estes casacos serviam para proteger os pilotos do frio e, com o passar do tempo e de todas evoluções tecnológicas, também este casaco sofreu alterações. B#88 tem esta peça como inspiração e trata-se de uma coleção streetwear/ sportswears com cores como o preto, vários tons de vermelho, entre outras.

Valentim Quaresma

Passadas todas as apresentações dos jovens designers, chegou a vez de Valentim Quaresma apresentar Crash. De volta a uma tematica belicista, tal como tem apresentado nas edições anteriores, o criador volta  a ser retumbante no apelo a uma estética de vanguarda e futurística, numa coleção com materiais como o cabedal, o ferro, estanho, prata e nylon. Os acessórios, alguns deles feitos com osso, transcendem barreiras entre tipologias de vestuário e simples adornos. Firmou-se mais uma vez como um dos grandes criadores de acessórios da atualidade, com uma particular atenção à componente cénica da apresentação.

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Headpiece em malha de Valentim Quaresma e um look masculino do mesmo criador.

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Pormenor de beauty de Alexandra Moura e um manequim no line up de entrada na passarela, com acessórios de Valentim Quaresma.

Alexandra Moura

Para concluir o primeiro dia da ModaLisboa, a plateia encheu-se para assistir à apresentação da coleção de Alexandra Moura. Para De Hadramaut a Pires Vieira foi percorrido um “longo caminho” entre a tribo de Handramaut ao trabalho plástico de Pires Vieira. As bruxas da tribo estão representadas nas primeiras peças em tom preto e no styling grotesco a encargo de Tiago Ferreira. Com música a acompanhar como se o público estivesse presente num ritual, os chapéus cónicos, usados pelos modelos, sugeriam a ideia de transporte para um mundo místico onde se percebeu a tensão entre as trevas da criadora e o seu lado mais sensível.

Alexandra Moura apresentou peças sóbrias, discretas e utilitárias para a estação fria, com discretos estampados e aplicações em feltro de formas irregulares sobre os diversos abrigos. Os acessórios em madeira interligam a designer ao ambiente natural que é sempre uma referência em todas as suas coleções. No meio da obscuridade, sentiu-se no fim um conforto a que só a sensibilidade da criadora nos consegue elevar.

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O backstage de Alexandra Moura onde podemos observar em detalhe o azul intenso pespontado por relevos irregulares. Looks sóbrios, em que a austeridade nao tira lugar à sensibilidade da criadora e ao seu senso de feminilidade.

Para Sábado está reservado o dia às coleções de womenswear e Saymyname, Lidija Kolovrat e Nuno Gama são dois dos destaques.

Texto por David Pimenta e Tiago Loureiro

Fotografias por Maria Meyer