O pequeno auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) e a Companhia Paulo Ribeiro, nas noites de 28 e 29 de março pelas 21h, vão dar mãos e apresentar um ciclo de três coreografias e interpretações a solo que se avizinham, no mínimo, promissoras.

Sem um tu não pode haver um eu, abrirá as honras do programa de duas noites e comemora o regresso a palco, após uma participação especial em JIM (2012), do coreógrafo e bailarino PauloRibeiro.

Após estreia em novembro de 2013 no seu co-produtor Teatro Viriato, em Viseu, Sem um tu não pode haver um eu vai trazer à capital aproximadamente uma hora de intensa relação do bailarino com a obra autobiográfica do cineasta Ingmar Bergman: “Bergman cruza-se comigo num momento em que considero que temos de nos debruçar sobre a nossa felicidade, tenha ela os contornos que tiver. Apesar de nos tentarem abafar com números e realidades que não são as nossas, a condição humana tem de vingar”, enfatiza Paulo Ribeiro acrescentando que, nesta criação predominantemente afetiva, emocional e de entrega, pretende trabalhar os significados e sentidos das palavras enquanto portadoras de vida, conjugando-as com um leque musical muito específico.

A noite seguinte (29 de março) marcar-se-á, já numa outra dimensão e abordagem, pela interpretação da aclamada Leonor Keil, que, numa comemoração dos seus vinte e gloriosos anos enquanto bailarina, se associa, pela primeira vez, a duas referências coreográficas do plano nacional. Numa primeira parte, a bailarina contemporânea actuará à luz de uma criação de trinta minutos de Olga Roriz e, posteriormente, sob uma criação de Tânia Carvalho. ‘’Deixei que despertassem em mim coisas que, mesmo pequenas, eram distintas, de memória, de um lado negro que não sabia que tinha, um humor que eu sei ser mais natural em mim.’’ aponta Leonor Keil numa entrevista ao jornal Público.

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Bits & Pieces dará continuidade ao programa e, em estreia absoluta no CCB, revelar-se-á enquanto expressão do reencontro de duas mulheres através de uma viagem de memórias e vivências com base de sustento na dança. “Armadilhadas de tudo o que vivemos e despidas do saber uma da outra, vamos por fim acertar o passo por instantes”, revela a coreógrafa.

Como é que eu vou fazer isto? dará fim ao ciclo. A convite da Companhia Paulo Ribeiro a coreógrafa Tânia Carvalho assumiu enquanto base coreográfica do solo a bailarina Leonor Keil e o seu movimento, o seu modo de expressão. A partir da ideia de inquietação, ‘’da vontade de gritar mas não gritar’’, a coreógrafa abraçou as características em evidência da bailarina e, ao colocá-las em movimento, apresentou a criação em novembro passado.

O programa tem o custo base diário de 13,50€ (Plateia) ou 11€ (Laterais) mas dispõe de uma alargada paleta de descontos a consultar no site do CCB. Destinados a maiores de três anos, os espetáculos têm início marcado para as 21h, ambos os dias.