Vivemos numa época globalizada onde as novas gerações estão a crescer com conceitos diferentes de fronteiras, de limites, de colaboração. Hoje, ao contrário de no passado, é possível sonhar em projetos internacionais, onde as melhores e mais brilhantes mentes se podem juntar para fazer nascer novas ideias e conceitos fazendo o mundo avançar, sonhando com aquilo que queremos ver melhorado e aperfeiçoado no mundo.

O avanço da tecnologia e das formas de comunicação é um veiculo importante para tudo isto. É por isso que isto me irrita:

"El gobierno se carga el crowdfunding de pequeños proyectos en España" | Omicrono

Fonte:El gobierno se carga el crowdfunding de
pequeños proyectos en España” | Omicrono

Não quero entrar em discussões partidárias, conversas sobre quem está certo ou errado, ou quem é o rei da razão na cena política espanhola, portuguesa ou de outro qualquer país.

Esta crónica vai servir para mostrar a minha indignação – que sendo pessoal pode estar cheia de falhas e de enviesamentos – sobre como aquela que se aproxima de ser a coisa mais próxima de uma revolução global que a nossa geração, a quem chamam de egoísta, aluada e sem valores, terá. E esta nossa revolução tem vindo a ser atacada, e muito fortemente, porque há muitos que nunca pensaram que a internet  podia ser aquilo que hoje representa.

A internet é a nossa revolução!

Eu não sou do tempo do 25 de abril, mas é com calor no coração que vou comemorar os seus 40 anos. Eu nasci quando Portugal vivia uma época em que os nossos pais olhavam para os seus primeiros 3o anos de vida e, espantados, planeavam o futuro. Eu sou de 1990 e é com orgulho que hoje, a viver na Dinamarca, escrevo para este acolhedor projeto que é o Espalha-Factos, e faço-o porque hoje podemos, porque hoje temos uma plataforma que, com todas as suas falhas e erros, com todos os seus vilões e heróis, nos permite isso mesmo: ser parte de projetos globais, ser mais cidadão do mundo do que em qualquer altura na história da humanidade.

Como pequenos passos nos tiram a liberdade

Pode parecer exagerado achar que uma taxação/limitação do acesso a crowdfunding para pequenos projetos é um atentado à liberdade, mas na internet não há golpes militares. Assim, e tendo em conta a enormidade desse universo, os ataques feitos à liberdade, à criatividade e ao espírito comunitário são feitos aos poucos, mas vão sendo feitos. Acho que o autor do artigo referido acima inicia o texto com uma frase que resume tudo isto:

El crowdfunding es algo que solo podría haber salido de una plataforma como Internet. La mera idea de que era posible financiar proyectos a base de pequeñas donaciones de miles de usuarios es algo que hubiera sido imposible de implementar hace veinte o treinta años. Y como suele pasar con este tipo de pequeñas revoluciones en el mercado, no pasa mucho tiempo hasta que son advertidas por los legisladores y los lobbys.

A parte grave desta nova lei é o atentado que ela representa aos micro-projetos, às micro-colaborações e à independência de um sistema financeiro que bloqueia, com alguma regularidade, a possibilidade de ter novos projectos devido à sua aversão ao risco, ou pior, à sua incapacidade de compreender os avanços dos tempos.

Esta lei, para explicar de forma muito resumida, é um estrangulamento do espírito empreendedor que os governos, as instituições internacionais, as universidades, a televisão e até a vizinha do terceiro esquerdo nos têm vindo a dizer que não temos pelo que está na altura de o adquirir. Uma das mais graves obrigações que este projecto de lei impõe é a necessidade, para TODOS os projetos (pelo menos no meu entendimento), de terem à partida o capital social de 50 mil euros e um seguro de responsabilidade civil de 150 mil. Portanto, se não tens dinheiro para começar um projeto, nem penses em começá-lo. A isto chama-se estrangular a economia das ideias.

O crowdfunding, ou financiamento coletivo, baseia-se na ideia de que se tens um valor disponível, e o queres investir num projeto em que acreditas, tens liberdade para o fazer; em troca o inventor/inovador/criador que te apresenta o projeto tem que cumprir a parte dele do contrato, correndo o risco se não fizer de ter uma anti-campanha que não o permite financiar o resto do projeto. É nestes micro-investimentos que muitos projectos florescem e que muitas ideias evoluem.

Mas estes não estão sozinhos

giphy

Esta crónica não nasceu para ser apenas o que está a ser agora, mas a verdade é que alguns acontecimentos dos últimos meses deixam muita preocupação no ar. Durante as próximas semanas vamos discutir algumas questões que me parecem prementes ser colocadas em cima da mesa sobre a internet como um espaço de liberdade. Desde o fim da neutralidade da internet (net neutrality) aos constantes abusos de “segurança” com os escândalos da NSA – muito há para falar.

A internet é para ti uma questão importante? Quais são as coisas que te preocupam na internet? Deixa as tuas respostas na caixa de comentários.