O realizador francês Alain Resnais morreu ontem à noite em Paris, aos 91 anos.

Resnais gravitou ao redor da lendária geração de realizadores que revolucionou o cinema nos anos 60, a Nouvelle Vague, que acompanhou uma inovadora e incisiva crítica de cinema com a realização de um novo cinema de autor por eles idealizado.

O cineasta francês, que realizou sobretudo documentários nos anos 50, realiza a sua primeira longa-metragem em 1959, não outra que Hiroshima, Meu Amor, lançando a sua carreira em definitivo, assim como a de Emmanuelle Riva. O filme foi exibido no Festival de Cannes nesse ano.

Seguiram-se outros grandes filmes, o surrealista O Último Ano em Marienbad (1961), que arrecadou o Leão de Ouro do Festival de Veneza; o caleidoscópico Muriel ou o tempo de um regresso (1963), e o político A Guerra Acabou (1966).

A sua filmografia está repleta de colaborações notáveis como a de Marguerite Duras na definição de Hiroshima, Meu Amor, ou a de Jorge Semprún no argumento de A Guerra Acabou.

Resnais teve uma longa carreira, realizando alguns dos seus melhores filmes mais tarde e na companhia de um grupo constante de atores, Pierre Arditi, André Dussollier e Sabine Azéma. Corações (2006) é um bom exemplo dessa colaboração, um filme sobre a solidão e o desencontro, envolto na neve do inverno Parisiense.

O realizador fora homenageado na 64ª edição do Festival de Berlim, onde estreou o seu último filme Amar, Beber e Cantar.