A apresentação do novo livro de Sérgio Luís de Carvalho, A Última Noite em Lisboa, teve lugar na Fnac do Chiado, na passada sexta-feira, dia 28 de fevereiro, pelas 18:30h. Para além do autor e da sua editora, o evento contou com a participação de Miguel Real e Alice Vieira.

A iniciativa teve início com uma breve apresentação da sessão por parte da editora, que descreveu como a semente da História sempre fez parte de Sérgio, que em criança desejava chegar à quarta classe para ter essa disciplina.

Seguiu-se Miguel Real, um dos amigos do autor, que apresentou todos os livros do escritor até à data. Referiu que um verdadeiro escritor tem de possuir fases na sua escrita e que já era possível encontrar tal característica na obra de Sérgio. Segundo o mesmo, a primeira fase vai desde 1990, altura da publicação do primeiro romance de Sérgio (Anno Domini) até 2008 onde se verifica uma ruptura presente nos últimos cinco romances do autor.

Alice Vieira, Miguel Real e Sérgio Luís de Carvalho durante a apresentação do livro.

Alice Vieira, Miguel Real e Sérgio Luís de Carvalho durante a apresentação do livro.

A sua primeira fase apresenta uma erudição histórica, o que não é de admirar sendo este um historiador e professor de história, onde encontramos uma linguagem abstracta e cuidada, com uma presença muito acentuada de gramática latina. A esta fase, que culmina precisamente no antigo e tradicional sentido de romance histórico, muito fiel à História real, opõe-se uma segunda com características distintas. A segunda fase é marcada por um aligeiramento do vocabulário, utilização frequente de discurso direto e linguagem com um cunho brejeiro, do dia-a-dia. Dá-se ainda a internacionalização dos temas como é possível observar em A Última Noite em Lisboa, que apresenta uma intriga internacional ao trazer os alemães para Portugal, como se a Europa “desaguasse” em Lisboa. Já o estilo irónico e algo sarcástico de Sérgio é comum às duas fases. Miguel Real terminou por referenciar que A Última Noite em Lisboa é sem dúvida um dos melhores romances do escritor até à data.

Alice Vieira discursando acerca d’A última noite em Lisboa

Alice Vieira confessou que, sendo A Última Noite em Lisboa um dos romances de Sérgio de que mais gostou, foi também o que mais lhe custou ler. Isto por encara a obra como sendo muito pessoal e remetendo a situações que a própria experienciou no passado, chegando mesmo a dizer que conseguia não só antever as imagens fortes como até ouvir-lhes as vozes. Referiu, ainda, como o romance era um verdadeiro guia da cidade de Lisboa daqueles tempos, guiando-nos através de ruas, cinemas (referência à estreia do Casablanca), dos actores, das rádios (Emissora Nacional, Rádio Renascença) e das músicas, dos cafés como a Brasileira, da publicidade, do futebol, dos bares com as bailarinas espanholas e até um pouco da culinária. O romance apresenta a Lisboa onde tudo isto se passava, mas é sobretudo uma Lisboa dos Jornais, sendo que Alice Vieira referiu o quanto apreciou o facto de Sérgio ter utilizado nomes de jornalistas reais.

Quando foi a vez de Sérgio Luís de Carvalho intervir, este referiu o quanto o seu avô influenciou a sua obra. Isto porque Sérgio não conheceu a Lisboa daquela altura, mas captou-a pelos olhos do avô, com quem aprendeu a amar a cidade. Taxista de profissão, uma verdadeira figura de romance segundo o mesmo, com uma personalidade muito animada, era chofer de uma condessa. Sérgio referiu o facto de, dado a sua paixão pela História, essa característica ser o mais perto da monarquia de que alguma vez se tinha encontrado em criança, algo que o fascinou profundamente.

Sérgio Luís de Carvalho durante a sessão de autógrafos.

Sérgio Luís de Carvalho expressou ainda que, no fundo, A Última Noite em Lisboa é uma homenagem à cidade e aos portugueses, que de modo geral se portaram extremamente bem com os refugiados.

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