A indústria televisiva americana é uma das mais ricas, consolidadas e complexas à escala mundial. Como qualquer outra, é sujeita a picos criativos. Apresentamos-te neste texto o conceito de spin-off e as suas implicações no mercado atual.

Antes de tudo, e para os leitores menos habituados com o conceito, aqui vai a definição deste conceito: um spin-off corresponde a uma série que deriva a partir de outra ou que surge de um enredo já existente no mercado, tendo um conjunto de aspetos comuns com a série que lhe deu origem. Um exemplo básico: CSI será uma série original, enquanto CSI: Miami e CSI: New York são considerados spin-offs.

Esta estratégia já existe há vários anos na televisão americana. Neste último ano, foram lançados três produtos baseados em séries de sucesso ainda no ar:

Na próxima temporada, que ainda está longe, já foram encomendados vários pilotos ou séries baseados em spin-offs:

  • CSI pode ter mais uma variante centrada em crimes cibernéticos;
  • Arrow pode ter um companheiro de luta contra o crime em Flash;
  • NCIS tenta ficar em dose tripla, com a vinda de NCIS: New Orleans;
  • Supernatural vai explorar uma máfia de monstros em Tribes;
  • How I Met Your Mother sai de cena, apenas para dar lugar a How I Met Your Dad;
  • The Walking Dead prepara-se para criar uma história com muito sangue e novas personagens;
  • Breaking Bad terminou em grande, mas oferece aos fãs You Better Call Saul.
Além disso, parece assistir-se a um retorno de grandes séries do passado, que voltam para uma temporada especial:

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Afinal, porque é que a indústria americana recorre tanto ao que já foi feito? Será ela assim tão previsível e standardizada, que já se tornou impossível lançar produtos com conceitos novos? Eu acredito que estamos num meio termo. Existe sempre margem para lançar séries inovadoras, mas os canais vão sempre jogar pelo seguro e apostar em linhas que já sabem que vão trazer público, e só ocasionalmente ir testando estratégias diferentes.

Porque o negócio televisivo americano envolve milhões de dólares e, por isso, os canais vão, naturalmente, procurar minimizar o risco e maximizar o lucro. Assim, se uma marca rende, os canais vão necessariamente explorar o mais possível os proveitos que dela podem retirar. Dou dois casos paradigmáticos:

  • CBS: este é o canal líder durante anos, algo que fica a dever-se em grande parte a um tipo de série – os dramas criminais. Neste momento, contam-se na sua grelha: NCIS, NCIS: LA, CSI, Hawaii Five-O, Blue Bloods, Criminal Minds, Elementary e The Mentalist.
  • CW: a estação teen dos EUA viveu, durante tempos passados, dos dramas colegiais e universitários, como Gossip Girl, 90210, ou One Tree Hill, mas nos últimos anos direcionou-se para séries centradas em heróis e no fantasioso ou sobrenatural. Contam-se atualmente na sua grelha: Supernatural, The Vampire Diaries, The Originals, Arrow, The Tomorrow People e a recém-estreada Star Crossed.

Não podemos estranhar que os canais, mesmo correndo o risco de saturar a marca, optem por expandir os seus produtos (como NCIS ou CSI), ou por continuar com eles mesmo quando terminam (casos de How I Met Your Mother ou Breaking Bad).

Os canais precisam de estabilidade, e procuram incessantemente as galinhas dos ovos de ouro. E se uma galinha calha de conseguir dar cinco ou seis ovos em vez de apenas um, porque não aproveitar?