Paulo Viegas e Fátima Cardoso lançaram, de forma independente, no dia 18 de fevereiro, o conto infantil  A Viagem do Golfinho, sobre um barco típico de pesca artesanal, que começa a cair no esquecimento e que necessita que o Homem volte a dar atenção à preservação do património e à transmissão de valores essenciais que se começam a perder nesta era digital.

Paulo Viegas é um farense com alma de artista. Antigo baterista, integrou várias bandas e atuou em várias cidades do país. Como amante da fotografia, além de possuir um certificado CAP que lhe permite dar formação, fundou o grupo de fotógrafos f/18.1 e lidera habitualmente passeios fotográficos e palestras. Tem ainda um gosto especial pela escrita, que o levou a escrever uma saga que espera publicar em breve.

Fátima Cardoso, de raízes transmontanas, é licenciada em Ciências Históricas, História e Arqueologia. Já deu aulas, participou em várias escavações arqueológicas e foi guia turística. Acabou por conhecer Paulo, o seu atual companheiro, graças ao gosto pela fotografia, que a levou até ao f/18.1. Atualmente trabalha na Associação Raiz – Contra a Pobreza e a Exclusão Social, sediada em Tavira.

Em parceria com a Algarve History Association, têm vindo a promover o património português, tornando possível a ligação entre as raízes portuguesas e a comunidade estrangeira, dando palestras, fazendo percursos guiados, exposições fotográficas e angariações de fundos para causas solidárias. Assim, decidiram escrever a dois um conto infantil, com ilustrações de Paulo Viegas, que retrata a história de um golfinho especial.

Na contracapa de A Viagem do Golfinho, está a seguinte descrição:

“- Oh, que saudades dona gaivota! – Lamentava o Golfinho. – Como gostaria de ter mais força para ir consigo pelas águas salgadas.
– Não fiques assim golfinho. Soube de outros como tu que não tiveram a mesma sorte.
– Sorte? Estou aqui sem os meus amigos pescadores, numa água com sabor esquisito e nem tenho ondas para saltar, como pode chamar sorte a isso?
– Posso porque sei o que aconteceu aos outros.
– E o que foi? – Perguntou o golfinho.
– Foram levados para sítios sem água…
A gaivota calou-se de repente e ficou a olhar para o azul do mar“.

Sobre a obra, Paulo Viegas declara que “com o processo natural da evolução, pomos os olhos sempre no futuro, seja ele mais próximo ou mais distante. O presente rapidamente se esfuma e o passado foi há um segundo. (…) A verdade é que era após nos esquecemos do que já passámos para chegar onde estamos, que há algum tempo o homem não dispunha das facilidades que hoje existem e se dissermos aos homens de amanhã que alturas houve em que uma coisa tão simples como a TV era um luxo que só alguns tinham, decerto que se vão rir de nós. Mas essa era a realidade de há 40 anos atrás“.

Por considerarem que “é o passado que nos ensina a crescer”, os autores desejam “preservar o trabalho feito pelas mãos enrugadas dos artistas de outrora” e, a embarcação de que fala o livro deixou, infelizmente, tal como outras embarcações, “de poder cruzar as águas da Ria Formosa”. No entanto, Paulo Viegas afirma que “ainda há a hipótese de adivinharmos as inúmeras histórias que passou, de conhecermos a sua vida; mas para isso é necessário recuperá-lo [ao Golfinho], pois assim como o tempo passa por nós deixando as suas marcas, também num barco de madeira elas se notam”.

Para mais informações contacte os autores via página do Facebook.