Aproximamo-nos a passos largos de mais uma edição do Talkfest, um “festival sobre os festivais” que inclui palestras com diversos oradores (portugueses e estrangeiros), seminários, documentários, mas também concertos de várias das melhores bandas nacionais da atualidade, tais como os já confirmados Octa Push, Brass Wires Orchestra ou Los Waves. Para saber mais sobre a edição deste ano, o Espalha-Factos entrou em contacto com Ricardo Bramão, diretor desta iniciativa que, em conjunto com os restantes membros da sua equipa (Andreia Peixoto, Marta Azevedo e Tiago Fortuna), nos respondeu às seguintes questões:

Espalha-Factos: Como surgiu a ideia de criar um “festival sobre festivais”?

A ideia surgiu porque os fundadores eram acima de tudo loucos por festivais de música, embora todos fossem de áreas distintas. Era algo que todos falavam, mas que não tinha um espaço definido e continuado para ser discutido o “estado da arte”.

EF: Quais foram os pontos fortes e menos fortes das primeiras edições?

A de 2012 foi um teste. O Talkfest’13 já foi um evento estruturado, com comunicação atempada ao público, imprensa e presença de testemunhos internacionais. A nível positivo de ambas as edições, realçamos a credibilidade reconhecida ao mesmo por todos os envolvidos, enquanto que pontos a melhorar, destacamos a chegada e envolvência do evento para o público em geral e não apenas aquele que está ou tem a ilusão de estar nesta indústria. Foi através dessa reflexão que partimos para o Talkfest’14.

EF: De que forma considera que o Talkfest pode contribuir para melhorar os festivais portugueses?

Já notámos que em anos anteriores muitos promotores (nomeadamente os mais novos) estiveram a absorver conhecimentos no evento, para poderem aplicar nos seus eventos. Queremos que isso aconteça cada vez mais, que o Talkfest seja uma fonte de conhecimento com testemunhos nacionais e internacionais, mas também sirva para criar e potenciar networking entre público, marcas, artistas e jornalistas. Acreditamos que só comunicando se poderá crescer e optimizar projetos, e os festivais de música não são excepção.

EF: Como vê o panorama atual de festivais de música em Portugal?

Estamos a crer que será muito difícil surgirem novos festivais de grande dimensão, além daqueles já existentes. Será também difícil festivais de pequena dimensão conseguirem ter uma continuidade quando dependem do apoio dos seus municípios e de público, que está cada vez mais exigente. Acreditamos que 2014 irá ser um ano de alteração de paradigma. Numa das conferências do Talkfest’14, no dia com oradores internacionais iremos discutir se existem festivais de música a mais ou público a menos. Algo que faz sentido perante um país que teve mais de 120 festivais de música só no ano de 2013.

EF: Como é que são vistos os festivais portugueses no estrangeiro?

Penso que essa questão deverá ser colocada a James Drury (Festival Awards, Ltd.), Martin Elbourne (Glastonbury), Ivan Milivojev (Exit Festival), Ben Robinson (Kendall Calling) e Stefan Lemkuhl (Melt!). São eles os oradores internacionais e quem poderá responder melhor do que ninguém a esta questão. O Talkfest é também interação direta com estes interlocutores e em cada conferência permitiremos 25-30 minutos de perguntas e respostas obrigatórias, facto que nas edições anteriores era claramente valorizado.

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EF: Quais os objetivos da edição deste ano do Talkfest?

Os objetivos passam por fidelizar o público. Notamos que tal está a acontecer, pois a menos de um mês do evento estamos com conferências praticamente cheias, fruto da comunicação ao longo de um ano, não só no nosso site e redes sociais mas também em alguns parceiros.

EFQual o critério para a escolha dos intervenientes do festival (concertos e palestras)?

Serem as melhores personalidades de determinado assunto que queremos que seja discutido, destacando os temas fraturantes. No Talkfest’12 falámos de segurança, e tivemos Luis Montez, Mário Lavrador e o comissário nacional da PSP, António Fortes, na mesma mesa; no Talkfest’13 tivemos o representante das três maiores empresas de comunicação móvel em Portugal e no Talkfest’14, na temática de mobilidade reduzida, estarão lá o presidente do Instituto Nacional de Reabilitação, uma fisiatra e um portador de mobilidade reduzida.

EF: Se pudesse escolher quem quisesse, qual o “convidado de sonho” que chamaria para participar no festival?

São vários e se no primeiro ano tivemos os dois maiores promotores nacionais, Luis Montez e Álvaro Covões, e em 2013 tivemos o responsável pelos prémios aos festivais de música a nível europeu, este ano teremos uma das figuras mestre do Glastonbury. Temos sonhos, e queremos concretizá-los de ano para ano.

EF: Prognósticos para a próxima edição?

Ter um papel cada vez mais interveniente nesta indústria, não só colocando todos em discussão mas também projetando resultandos importantes para serem discutidos. No primeiro dia iremos lançar as conclusões do nosso estudo “Perfil do festivaleiro português e ambiente social nos festivais de música em Portugal”.

EFUma mensagem que convença os nossos leitores a ir ao Talkfest’14?

No Talkfest terão a oportunidade de interagir com todas as personalidades de que se sonha no mundo dos festivais e aprender com elas durante o dia – nas conferências, PRO e seminários . E de noite poderão descomprimir com os melhores documentários sobre festivais do mundo e acabar tudo com uma noite de concertos na mítica Aula Magna.

O Talkfest’14 realizar-se-á entre os dias 13 e 15 de março no ISEG e na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Mais informações no site oficial do evento.