O Corpo Transitório: A inerente obsolescência da constante mudança da Moda é o tema em discussão numa sessão teórica que irá ser conduzida por Lara Torres no Ar.co Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa. O evento terá lugar dia 28 deste mês.Depois de vencer em 2003 o primeiro prémio no concurso Sangue Novo, Lara Torres inaugurou um percurso pela moda experimental que a fez viajar até Londres, onde estagiou com Alexander McQueen. O regresso a Lisboa proporcionou a colaboração com o designerMiguel Rios e o convite para integrar a plataforma LAB, no âmbito da ModaLisboa, dedicada ao design jovem. Ali questiona, entre outras coisas, a forma de apresentação em desfile e desenvolve performances que polarizam a reação da crítica e do público nacional. O seu trabalho privilegia o diálogo com outras áreas como a joalharia ou a cerâmica, assim como as artes do palco. Foi pioneira em Portugal na integração do vídeo como meio de comunicação dos seus projetos, e premiada no âmbito da inovação e pesquisa em Design de Produto/ Moda, na Áustria ou Reino Unido.

A formação em Fashion Artifact no London College of Fashion, em 2011, proporciona a Lara o aprofundamento de várias questões que se têm refletido no seu trabalho mais recente.

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Performance do projeto Place, de 2009. Fotografias de Rogério Martins.

A efemeridade da moda e os resultantes processos de produção dificilmente se comprazem com a crescente preocupação com o meio ambiental e com a sustentabilidade social. Poucos são os objetos produzidos pela sociedade atual que compreendem em si mecanismos de desintegração quando depositados na Natureza, prática que torna cada vez mais relevante a discussão sobre o caráter transitório do vestuário e da sua materialidade. Esta foi uma das premissas que orientou o projeto An impossible wardrobe for the invisible, no qual Lara recorre ao vídeo para apresentar uma série de produtos de vestuário que, em contacto com a água, dissolvem-se no líquido, restando apenas as suas costuras.

Com provas reconhecidas neste âmbito, Lara traz ao Ar.co uma aula aberta centrada na ideia de materialidade e na temporalidade da criação, em resultado da índole efémera das formas, e reabre o debate sobre a responsabilidade social e as liberdades individuais, decorrentes do processo de produção em Design e do descartar de objetos de uso, com base no conceito de obsolescência planeada.

A sessão decore nas instalações do Ar.co à Rua de Santiago, Lisboa, na sexta-feira, dia 28 de fevereiro, das 10h30 às 12h30. As inscrições estão abertas e podem ser feitas na secretaria da instituição.