O Espalha-Factos inicia a contagem decrescente para o Festival Eurovisão da Canção com a rubrica Rumo à Eurovisão. Já 12 países escolheram os seus representantes e, noutros, o processo para isso já vai avançado. Conhece a nossa opinião sobre as músicas já selecionadas e fica a saber quais são os próximos a carimbar passaporte para Copenhaga.

Quem já decidiu…

Albânia, Bielorrússia, Espanha, Finlândia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Macedónia, Malta, Suíça e Ucrânia foram os países que já anunciaram as suas decisões.

A Albânia, que entrou nas lides eurovisivas em 2004, é um dos menos bem-sucedidos países do chamado bloco balcânico, com o quinto lugar alcançado em 2012 a ser o melhor resultado do país. Zemërimi i një nate é o tema deste ano. Interpretada por Hersi Matmuja, a canção ameaça ser balada rock nos primeiros segundos, mas não vai além disso. É uma balada clássica, sem grande rasgo ou emoção, apesar da qualidade da cantora. Até à semifinal, ainda muito pode acontecer, mas não nos parece que tenhamos candidata de peso.

Os últimos anos têm sido sempre atribulados no que diz respeito às seleções bielorrussas, com trocas de música depois da final nacional a serem ordenadas pelo governo. Este ano isso não aconteceu. Cheesecake, de TEO, foi a eleita e, se calhar, o Estado ditatorial do leste europeu podia voltar a nacionalizar a decisão. É um tema pop sem chama ou fator diferenciador e achamos que nem a repetição consecutiva do refrão vai conseguir torná-lo suficientemente pegajoso (ou seria ‘peganhoso’?) para chegar à final.

A escolha espanhola foi este sábado, dia 22, com Ruth Lorenzo a ser a escolhida pelo público espanhol após um empate com Brequette. A intérprete, muito aguardada pelos eurofãs do país vizinho, não desaponta na entrega. Dancing in the Rain é uma poderosa balada, que ainda tem margem de progressão e melhorias a fazer até à final de Copenhaga. Tecnicamente a intérprete está muitíssimo à altura, e o tema tem suficientes momentos de impacto para causar o arrepiozinho que pode fazer a diferença na hora da votação. Os 12 pontos de Portugal estão garantidos, pela vizinhança e pela apetência pelo género de música. Resta saber se o resto da Europa concordará.

A Finlândia escolheu os seus concorrentes deste ano no início do mês. Os Softengine vão fazer uma viagem, de poucos quilómetros, até Copenhaga. Something Better é a canção que representa os finlandeses. É um pop-rock feito para as arenas, e se ouvíssemos a música de forma desatenta até podíamos pensar ser um single dos Killers. Tem pirotecnia, falsetes e é muito radiofriendly. Caraterísticas suficientes para passar à final?

A Hungria, cujo 10.º lugar no ano passado deu novo ânimo às suas hostes, escolheu Kallay Saunders András para representar o país, com Running. O cantor, a participar pela terceira vez no A Dal, a final nacional húngara, mereceu desta vez a confiança dos seus compatriotas para ir ao Festival da Eurovisão. É uma canção de nível internacional, bem produzida e verdadeiramente contemporânea. Kallay terá o desafio de poder usar a voz e a presença em palco para oferecer cor a uma canção que, contrariamente à tradição eurovisiva, acontece com vigor, mas poucos sobressaltos.

Chamam-se Pollapönk e vão a Copenhaga. A banda de seis elementos mereceu a preferência do televoto na final islandesa. A roupa só lembra aquela que Portugal levou em 1981, com o Playback de Carlos Paião, mas a energia e a diversão podem salvar o tema. Entre os fãs, tudo dividido, porém podemos afiançar que a passagem à final será difícil.

Na Itália, e pela primeira vez desde 1991, a escolha foi feita em seleção interna. Emma Marrone interpretará La mia città na final do Festival Eurovisão da Canção e tem como missão manter o top10 alcançado desde o regresso do país da bota, em 2011. É uma tema rock cheio de atitude e novamente uma aposta de qualidade por parte da RAI. Os italianos têm fugido às fórmulas tradicionais e isso tem resultado. É provável que volte a acontecer.

A Letónia, afastada das finais há cinco anos, este ano aposta em Cake to Bake, dos Aarzemnieki. E a verdade é que o bolo ficou fofinho. Música querida, com um cheirinho hippie a anos 60 e acompanhada por um ambiente de amizade e camaradagem em palco. Os fãs dizem que é suficientemente esquecível para não chegar à final. Eu acho que tem um mood suficientemente bom para o conseguir. Alguém se lembra do caso Kedvesem?

Os macedónios optaram este ano por uma seleção interna. Tijana Dapcevic é a cantora escolhida para dar voz ao pequeno país dos Balcãs. Chama-se To the Sky, o tema escolhido em seleção interna, tendo sido apresentado este fim de semana. O mau playback, as parecenças com uma drag queen e a coreografia ridícula não foram o melhor cartão de visita, mas a Eurovisão também tem a suas ‘mysterious ways‘. É mexida e engraçada, com ares de schlager sueco, mas há muita dificuldade em perceber como é que isto vai soar ao vivo. A maneira como a canção nos foi apresentada mina todo e qualquer olhar sério sobre a mesma.

Malta, que venceu a versão Junior do Festival Eurovisão da Canção em dezembro do ano passado, escolheu a banda Firelight para a representação senior na Dinamarca. Soam a Mumford and Sons logo ao primeiro acorde, e é pouco provável que os telespectadores não notem isso. Não sabemos bem é se isso vai ser bom ou mau, tendo em conta o sucesso da banda britânica. Inspirações à parte, a apresentação em palco é simples e o destaque dado à voz feminina na segunda metade da canção funciona bem. Folkzinho à maneira, feito com instrumentos a sério e que até mereceu um repeat.

A Suíça, nos últimos dez anos, só chegou à grande final três vezes. E uma delas para ficar em último. Este ano a escolha recaiu no cantor SEBalter, representante da RSI, emissora suíça de língua italiana. A canção chama-se Hunter of Stars e poderá ficar conhecida como a ‘música do assobio’. Soa a country e é simpática, mas tem tudo para ser facilmente esquecida numa noite cheia de luz e refrões potentes, nomeadamente um intérprete vocalmente limitado.

Na Ucrânia, apesar de tudo o que tem acontecido, já foi selecionada a canção representante para Copenhaga. Participante desde 2003, o país tem sido uma presença garantida nas finais e alcançou por sete vezes o top 10. Tick Tock, interpretada por Mariya Yaremchuk é, na sua nova versão, uma balada étnica de classe eurovisiva. Uma canção misteriosa, que começa de mansinho e acaba por evoluir em tons épicos e a puxar ao coração do televoto. A versão vencedora na final nacional ucraniana era mais pop e menos épica, mas a troca pode beneficiar a diferenciação da proposta.

Breves

  • As próximas seleções nacionais serão da Irlanda, Estónia, Lituânia e Roménia, que escolhem na sexta e no sábado os seus representantes nas semifinais do Festival Eurovisão da Canção. O Azerbaijão decide no domingo à noite, enquanto a Bélgica e a Suécia ainda se encontram em semifinais.
  • Portugal tem a semifinal do Festival da Canção no dia 8 de março, mas ainda antes disso vai haver apresentação da candidatura de Suzy. A protegida de Emanuel fará um almoço com a imprensa e com os fãs no Hotel das Caldas International, nas Caldas da Rainha. A entrada, que inclui refeição buffet, custa 10 euros.
  • Em Copenhaga já começaram as obras de construção do palco que vai acolher os espetáculos eurovisivos. O evento vai decorrer num antigo armazém, sendo que estão a ser feitos todos os esforços para a estrutura estar pronta em abril, ainda antes dos ensaios.
  • Helena Paparizou, vencedora grega do Festival Eurovisão em 2005, está apurada para a final do Melodifestivalen, o festival da canção sueco. O tema chama-se Survivor e, segundo as previsões, é possível que não seja desta que Helena volta aos palcos do programa de televisão favorito dos europeus.