Hoje em dia, são inúmeros os anúncios que “saltamos” enquanto navegamos na Internet e várias as vezes que trocamos de canal televisivo para não assistir à meia hora de publicidade que se vai alternando por entre os programas transmitidos. É neste contexto que o Pricious e o adfamilies surgem como dois sites que pretendem revolucionar, cada um à sua maneira, a indústria da publicidade ao beneficiar financeiramente quem está disposto a apreender a mensagem publicitária.

Ambos têm como requisito o registo como utilizador para usufruto do respetivo serviço, mas divergem na medida em que o Pricious atribui descontos nos produtos que disponibiliza no seu site a quem assiste à respetiva publicidade, ao passo que o adfamilies atribui uma comissão a quem opina sobre os anúncios que nele se podem visualizar.

O Pricious, iniciativa de quatro engenheiros informáticos do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, funciona mediante um regime através do qual, para cada produto, é colocado um anúncio em formato audiovisual que, uma vez visualizado, coloca duas perguntas ao utilizador do site. Ao responder corretamente, o preço do produto sofre um desconto que se vai tornando cada vez maior à medida que os diversos utilizadores vão respondendo, sendo que a qualquer momento a compra poderá ser feita por um deles. Porém, esta redução no preço vai sendo cada vez menor de resposta para resposta, o que torna moroso fazer com que o preço desça substancialmente.

Em declarações ao Público, Carlos Mendes, 27 anos e co-fundador do Pricious, afirmou que “normalmente, as pessoas não veem publicidade, porque não têm incentivo. Além disso, o poder de compra das pessoas tem diminuído e queríamos descontos para produtos em que as empresas não os fazem.”

No site podem ser adquiridos produtos bem conhecidos como a Playstation 4 da Sony, um Samsung Galaxy S4, uma Bimby, um iPaid Air ou um Ford Fiesta. Aqui, o anunciante só se vê na obrigação de pagar pelo serviço quando a visualização é acompanhada de uma resposta correta, sendo a quantia de oito cêntimos por resposta.

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No que diz respeito ao adfamilies – também impulsionado por quatro portugueses, amigos de infância – o modo como promove o consumo voluntário de publicidade funciona sob um sistema não de descontos mas de atribuição de uma comissão por cada classificação que o utilizador atribui a um anúncio que visualizou. Por conseguinte, como o próprio nome do site indica, é possível criar uma família e adicionar pessoas, sendo que o benefício disto passa por cada vez que um membro da mesma repete o processo de classificação presenteando os restantes “familiares” com mais comissão.

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No vídeo promocional do projeto, João da Maia Jorge, co-fundador e CEO da empresa, refere como a relação que as pessoas têm com a publicidade que lhes é imposta se deixa pautar pelo desinteresse ao ser algo que se interpõe entre o que realmente se quer ver. Face a isto, o adfamilies procura “revolucionar a maneira como a publicidade é transmitida, fazendo com que a publicidade seja o verdadeiro conteúdo”.

Entre as várias marcas que já aderiram ao projeto é possível enumerar várias de destaque, tais como a Compal, a Knor, Moche, o IKEA, a Ford ou a TAP.

Deste modo, estes dois projetos procuram revolucionar o consumo de publicidade, tornando-o algo interessante e financeiramente vantajoso para o consumidor enquanto rentabiliza os recursos financeiros mobilizados para fins publicitários pelas empresas, através de um modo mais eficaz de transmitir uma mensagem e promover a fidelização do público à marca.