Regressou ontem à SIC um dos programa mais bem sucedidos nas noites de domingo da estação no ano de 2013. Agora, João Manzarra traz uma segunda temporada com novos concorrentes, novas mecânicas de jogo, mas com a descontração de sempre. O Espalha-Factos analisa a estreia da segunda temporada.

César Mourão, Rui Unas e Inês Castel-Branco (os melhores atores do elenco da 1ª temporada) continuam em jogo e a eles juntaram-se o inigualável João Paulo Rodrigues, a divertida Ana Guiomar, a surpreendente Vera Kolodzig, o irrequieto Pedro Granger e a bela Dânia Neto.

As novas caras do programa vieram reforçar aquilo que já se via na temporada anterior: um ambiente de jogos entre amigos, com o fator competição a tentar trazer alguma novidade à noite. Esta primeira emissão do Vale Tudo ficou marcada pelas novidades. Os novos jogos pareciam vir dominar o programa, mantendo-se da série anterior apenas alguns, como os cenários inclinado e deitado (estes dois, os mais mediáticos). Mas acabámos por ver recuperados muitos dos jogos anteriores, tais como o Voz Off ou o Sombras Chinesas.

A estreia começou em grande com a apresentação dos dois cenários inclinados da noite (agora a estrutura apresenta um cenário de cada lado, que a determinado momento é rodada), neste caso um barco de piratas e um avião. Foi precisamente no barco de piratas que esta série foi inaugurada. A primeira equipa, formada por César Mourão, João Paulo Rodrigues, Dânia Neto e Ana Guiomar protagonizaram este momento, notoriamente nervosos por iniciarem a segunda temporada desta aventura.

Já o sketch do avião, com a equipa de Rui Unas, Pedro Granger, Vera Kolodzig e Inês Castel-Branco acabou por criar momentos mais divertidos, muito graças ao desempenho do seu capitão. Na segunda volta do cenário inclinado, ambas as equipas estiveram melhores, mais descontraídas, sobretudo a primeira.

A noite seguiu a um bom ritmo, com um novo jogo de desenho na passadeira rolante, um novo ABCorpo em versão numérica, um momento de improviso com uma história contada pelos atores e uma estranha dança de domingo à noite, entre outros. Também o já conhecido Por um Fio deu um ar da sua graça, com os participantes a representarem, nas alturas, através da mímica, os nomes e expressões em jogo.

No leque de jogadores, o destaque não vai para uma equipa no geral, mas para alguns atores em particular. César Mourão continua a ser o mestre do improviso, Rui Unas o lord do humor e das tiradas mais engraçadas do programa e Inês Castel-Branco mantém a sua postura competitiva mas divertida. Já Vera Kolodzig, que habitualmente vemos em papéis mais dramáticos em televisão, provou que o humor é também um dos seus pratos fortes. Para além de talentosa, mostrou um grande fairplay e boa disposição. Ana Guiomar é outro dos destaques da noite, pois com o seu jeito despreocupado divertiu todos, em momentos como o do “chinês na faculdade”.

João Paulo Rodrigues continua igual a si próprio, sendo uma mais valia para o programa e para a SIC, enquanto Pedro Granger e Dânia Neto acabam por ser os que menos se destacaram na noite, pela falta de capacidade de improviso em alguns momentos, ainda assim a conseguirem reagir bem às diversas situações nos jogos.

Mas se este Vale Tudo trouxe muitas coisas positivas, houve uma nova mecânica que nada veio acrescentar ao jogo, ao contrário do que seria de esperar. Tal como já foi referido, agora os concorrentes estão divididos por equipas, e no final a melhor da noite ganha o troféu. Isto poderia ser bastante interessante, mas a escolha do vencedor é feita de uma forma quase aleatória e desinteressante. É uma pequena parte do público, com os comandos, que seleciona a sua equipa favorita. Tudo isto faz com que o sistema se perca e este jogo de equipas perde o sentido.

O enfadonho Jogo de Casa continua a ocupar grande parte da emissão, com João Manzarra a repetir várias vezes o 760 que dá acesso a 15.000€. Porque não abrir duas linhas de telefone e o público em casa votar na equipa favorita? Para além de fazer muito mais sentido, acabava por justificar o uso do número e não tornar apenas uma forma óbvia de fazer dinheiro. E se normalmente o público em casa é soberano, neste formato faria ainda mais sentido. No final da noite, o público em estúdio acabou por votar e escolheu a equipa vencedora: a de César Mourão.

Como balanço geral, pode-se dizer que o novo Vale Tudo não fica nada atrás do anterior. Sentimos a falta de alguns jogos, como o Palavra Proibida, e de algumas caras, como a de Filomena Cautela, mas o saldo é bastante positivo. Apenas a apontar o notório cansaço de João Manzarra (que era bem visível na sua expressão, apesar do esforço) ou de alguns momentos mortos durante a emissão (que poderia ser reduzida e terminar por volta da meia-noite). Vale Tudo tinha deixado saudades e voltou na altura ideal, pronto para reconquistar os portugueses. E quem certamente ganhou mais no passado domingo foi quem assistiu ao programa.

Fotos: Pedro Dimelo/SIC