A partir de fevereiro o Espalha-Factos irá passar a destacar um autor por mês. Numa rúbrica intitulada “Autor do Mês”, serão publicados, semanalmente, artigos relacionados com o escritor escolhido. Naquele que é considerado o “mês do amor”, o destaque vai para Nicholas Sparks. Esta semana, contamos o que achámos do livro O Diário da Nossa Paixão.

Um amor impossível eternizado num “Diário da Nossa Paixão”

Não há muitas histórias de amor que demonstram a sublimação e simplicidade que O Diário da Nossa Paixão transmite. Publicado em 1996, este foi o romance de estreia de Nicholas Sparks, que rapidamente o tornou num dos escritores mais aclamados e lidos, graças à forma como desenvolve romances e envolve o leitor na sua magia, deixando-o hipnotizado e maravilhado com tão eloquente escrita.

Contudo, a história em O Diário da Nossa Paixão não podia ser mais simples. Noah Calhoun é um idoso que vive num lar da terceira idade, e todos os dias ele lê para uma mulher uma história de amor escrita num diário desbotado pelo tempo. A história naquelas páginas é verdadeira, e aos poucos vai conquistando a mulher, que já se esqueceu de quem é. Nas páginas do diário está a história de Noah e Allison, duas pessoas que na sua juventude se apaixonaram durante um Verão. Dois jovens de classes sociais diferentes, mas que rapidamente partilharam uma saudável química. Contudo, o dever separou-os durante 14 anos, mas quando se reencontram, tudo aquilo que eles tinham vivido juntos invade-os novamente, e nenhum dos dois consegue negar que ainda têm sentimentos um pelo outro. Contudo, Allie é neste momento uma mulher comprometida com um advogado de sucesso chamado Lon.

Com tão simples enredo, será esta a melhor história de amor de todos os tempos? Certamente que não, mas é inegável afirmar que Nicholas Sparks possui aquele talento especial para envolver o leitor no romance e fazê-lo sentir o que as personagens sentem. O que torna O Diário da Nossa Paixão diferente de muitas outras histórias de amor é exatamente aquilo que foi referido mais acima: a sua simplicidade. Sparks não nos apresenta uma narrativa demasiado complexa, não nos enfada com longas descrições nem nos tenta prender com eventos secundários. Sendo uma história de amor, o seu foco centra-se nas personagens e naquilo que elas estão a sentir naquele momento.

O enredo mostra que uma boa história de amor não precisa de abarcar questões demasiado complexas, não é necessário haver um conflito que ponha em perigo a relação amorosa dos dois protagonistas. Não é necessário existir um vilão, um elemento de desconforto que desestabilize a relação. Esta história mostra que quando um amor é verdadeiro e puro, não interessa quantos obstáculos surjam, pois a sua chama está destinada a reacender-se. Noah e Lon nunca se encontram sequer, não há nenhum momento constrangedor neste triângulo amoroso. A partir do momento em que reencontra a sua paixão daquele verão, Allie não demora muito a perceber que aquele é o homem com quem estaria destinada a ficar.

Nicholas Sparks apresenta-nos um romance sublime, romântico, de fácil leitura, mas que nos consegue prender pela paixão que deposita na sua história e personagens. A química entre Noah e Allie está patente desde o momento do reencontro, e as primeiras e últimas páginas (nas quais a história é contada na primeira pessoa, do ponto de vista do já idoso Noah) deixam-nos com o coração apertado, lamentado aquilo por que o protagonista está a passar. Contudo, somos presenteados com um final soberbo e inesperado, que nos transmite enorme satisfação no momento em que terminamos de ler.

Este romance foi também adaptado para cinema, em 2004, realizado por Nick Cassavetes e com as presenças de Ryan Gosling como Noah e Rachel McAdams como Allie.

http://youtu.be/4M7LIcH8C9U

Nota: 7/10