Mais um dia de GUIdance, mais uma ida do Espalha-Factos até Guimarães. Quinta-feira foi dia de produção nacional, sendo Tiago Guedes o coreógrafo de Hoje.

Segundo o programa oficial do festival, Hoje é uma peça que nos leva a tentar compreender o que nos rodeia e o que nos é exigido. Fala-se de mobilização coletiva em favor da massa e o que resta no indivíduo dessa entrega ao todo. Fala-se da necessidade de ser fiel a si mesmo, de se entregar ao outro e deixar que o outro se entregue a si. “Por tudo isso, falar-se-á de instabilidade, manifestação, contestação, reivindicação, decisões conjuntas, mobilização e confrontação, mas também recato e de refúgio.”

O espetáculo começou com passagens  e cruzamentos pelo palco. Os intérpretes cruzavam-se cada vez mais próximos uns dos outros, copiavam gestos do outro, até que começaram a trocar uns passos em conjunto. Pequenas interações que mostravam o que o outro significa e como condiciona a nossa prestação social. Correram em círculos, primeiro sozinhos e depois em conjunto, ajudando-se mutuamente. Um bailarino era o eixo central, sempre de mãos dadas, sempre procurando o apoio e a ajuda do outro, sempre a correr.

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Houve um momento que funcionou muito bem: ao fundo do palco, os bailarinos criaram uma figura que fazia lembrar a deusa hindu Durga, com os seus dez braços. Os intérpretes estavam em sintonia, com movimentos fluidos iam fazendo surgir novas figuras que, em conjunto com o jogo de luzes, dava um certo ar místico e de um ser só.

Nos quatro cantos do palco estavam quatro pilhas gigantes de colchões, que faziam lembrar fortes de proteção ou torres de castelo. Esperei (em vão) que fossem utilizados para saltos grandes e arriscados que nunca aconteceram. Então qual o sentido daqueles colchões todos? Apenas cenário… Depois de as derrubarem e cobrirem o chão com eles, voltaram às corridas. O chão estava agora mais fofo e, apesar de dificultar e condicionar os movimentos, ia-se moldando aos intérpretes, conforme a força e o peso que exerciam sobre ele. Mais depressa ou mais devagar, sozinhos ou abraçados a outro, corriam, acabando por caírem em exaustão isolados uns dos outros.

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E assim acabou, cada um conformado com a sua condição de ser independente e só. Tanto esforço não deu em quase nada, apenas na constatação que juntos são mais fortes que sozinhos, mas que a identidade individual também é importante. Foi um espetáculo monótono. Corridas, abraços e uns movimentos estranhos não fazem um espetáculo de dança. Não se pode esquecer de dançar, nunca!

Direção Artística e construção coreográfica: Tiago Guedes

Desenho de som: Lorenzo Senni

Desenho de Luz e direção técnica: Carlos Ramos

Interpretação: Anaísa Lopes, Ângelo Cid Neto, António Onio, Jonas Lopes, Marcella Mancini, Marco da Silva Ferreira e Teresa Silva

Duração: 60 minutos

Fotografias retiradas dá página do facebook Materiais Diversos