No passado domingo, Shia LaBeouf apresentou-se na estreia do seu mais recente filme Ninfomaníaca – Volume 1, de Lars Von Trier, no Berlinale usando um saco na cabeça para completar a sua indumentária de cerimónia.

Este foi o último de uma série de outros acontecimentos que tem vindo a caracterizar  o estranho comportamento público do ator norte-americano ultimamente. O Espalha-Factos expõe as situações que envolvem o ator e têm preenchido a agenda da imprensa de cinema e entretenimento nas últimas semanas.

Shia LaBeouf é acusado de plágio

Tudo começou quando o ator norte-americano foi acusado de plágio pelo escritor de banda desenhada Daniel Clowes, por não ter incluído o autor norte-americano nos créditos da sua curta-metragem HowardCantour.Com. O filme fazia parte da seleção de Cannes em 2012, porém a questão do plágio só foi considerada após a sua estreia online a 16 de dezembro do ano passado.

Em entrevista ao Buzzfeed, Daniel Clowes afirmou que “Eu nunca falei nem conheci o Sr. LaBeouf… e fiquei chocado, para dizer o mínimo, quando vi que ele tomou o argumento e até muitos dos efeitos visuais de uma história muito pessoal que eu fiz há uns seis ou sete anos e fê-los passar como se fossem um trabalho dele. Na verdade não consigo imaginar o que se passa na cabeça dele“. 

daniel clowes

O autor de Justin M. Damiano, a banda desenhada plagiada por LaBeouf

No dia seguinte, 17 de dezembro, LaBeouf iniciou a publicação de uma série de pedidos de desculpas via Twitter como por exemplo “No meu entusiasmo e ingenuidade enquanto um cineasta amador, perdi-me no processo criativo e descuidei-me em seguir a acreditação apropriada… Estou envergonhado por ter falhado em creditar @danielclowes pela sua novela gráfica Justin M. Damiano, que me serviu de inspiração“.

LaBeouf decide afastar-se de toda a vida pública

As desculpas chegaram a tomar uma maior dimensão – e também um quanto ridícula – quando o ator de Ninfomaníaca alugou um avião para enviar uma mensagem no céu ao escritor de banda desenhada. E o seu caminho polémico prosseguiu ao continuar a desculpar-se, mas, desta vez, usando frases de Charles Bukowski, Kanye West e mesmo Tiger Woods (ver imagem abaixo).

sorry-daniel-clowes

Isto levou a que o ator fosse ridicularizado por algumas celebridades e humoristas, como Seth Rogen ou Patton Oswalt. No dia 10 de janeiro de 2014, Shia acabava por publicar novamente no TwitterFace aos recentes ataques à minha integridade artística, vou-me retirar de toda a vida pública”, seguido de “O meu amor vai para todos aqueles que me apoiaram” e, por fim, o hashtag#stopcreating“.

Plágio é justificado como um forma de arte performativa

Após esta última declaração, Shia LaBeouf acabou por afirmar que as suas recentes atitudes em relação às acusações de plágio não foram mais que uma diferente forma de arte performativa. O ator afirma em dois longos tweets que o hashtag #stopcreating usado nos seus tweets corresponde, na verdade, a um projeto produzido juntamente com outros artistas.

Mas até a originalidade deste suposto projeto não é efetivamente verdadeira. Isto porque o ator Joaquin Phoenix esteve envolvido num trabalho incrivelmente semelhante, em 2009, quando deixou crescer a barba e decidiu desistir da sua profissão para se tornar num violador. Tudo isto fazia parte de uma grande atuação que durou aproximadamente um ano e que conduziu o ator a uma vida pública completamente diferente da sua, em prol da paródia documental de Casey Affleck intitulada I´m Still Here.

I m still here

Joaquin Phoenix em I´m Still Here, o documentário de Casey Affleck

Mais uma vez LaBeouf tweetou uma outra explicação na sua página dizendo que “A arte performativa tem sido uma maneira de atrair um grande público, tal como chocar o público para reavaliar as suas noções de arte e a sua relação com a cultura. O meu twitter @campaignbook é arte performativa metamodernista (…) Ao ver-me enredado em atos de plágio intencional, o mundo apanhou-me e eu reagi. O espectáculo começou…“.

Polémica no Berlinale

O filme Ninfomaníaca – Volume I foi apresentado no passado domingo no Festival de Cinema de Berlim (Berlinale) pelo que os vários atores da película deslocaram-se até à capital alemã para falar sobre o projeto. Apesar de Lars Von Trier não ter comparecido, Shia LaBeouf encarregou-se, mais uma vez, de fazer a tinta correr na imprensa e de assumir o comportamento rebelde, bizarro e desinteressado que o tem caracterizado recentemente.

Vestido de forma invulgar (um boné sujo, uma camisola com capuz e meias roxas) o ator que interpreta Jerôme em Ninfomaníaca surpreendeu ao responder de forma invulgar a um jornalista. Depois de lhe terem perguntado como tinha sido o desafio das primeiras cenas de sexo no filme, o ator retribuiu com uma declaração do futebolista Éric Cantona:Quando as gaivotas seguem a traineira, é porque pensam que se vão atirar sardinhas ao mar. Muito obrigado“. Mais surpreendente que esta enigmática declaração foi o simples facto de Shia abandonar a conferência de imprensa logo após ter citado o jogador francês.

Cantona ficou conhecido por esta afirmação depois do conhecido incidente do “pontapé do kung-fu” que conduziu à sua suspensão do Manchester United em 1995.

Mas como foi dito na parte inicial do artigo, o ator norte-americano não se ficou por aqui. De facto, no dia 13 de janeiro publicou no seu Twitter a simples frase em maiúsculas “I´M NOT FAMOUS ANYMORE“. E foi com essa mesma frase, desta vez impressa num saco de papel, que LaBeouf se apresentou na estreia de Ninfomaníaca – Volume 1 (como se pode ver na imagem abaixo apresentada).

'Nymphomaniac Volume I (long version)' Premiere - 64th Berlinale International Film Festival

É muito provável que o ex-menino dourado de Steven Spielberg continue a dar que falar e, até lá, o ator pode ser visto nos dois filmes de Lars Von Trier que já se encontram em exibição nas salas de cinema portuguesas.