Deixa este mundo aos 85 anos a atriz que brilhou na Era Clássica do Cinema Americano. A notícia foi revelada pela família, tendo Shirley Temple morrido devido a causas naturais na sua casa, em Woodside.

Shirley Temple Black , que ficou conhecida por “America’s Little Darling“, morreu na passada segunda-feira na casa onde vivia no estado da Califórnia, “rodeada pela sua família e pelos profissionais de saúde“, como se pode ler no comunicado que a família enviou à imprensa internacional.

Nesse comunicado, a família salientou ainda os “feitos memoráveis” de Shirley Templeenquanto atriz, diplomata e, mais importante que tudo, como a nossa amada mãe, avó e bisavó“.

Considerada uma das crianças-prodígio de Hollywood, Shirley Temple começou a carreira aos três anos e começou a conquistar o público com os seus números de dança em filmes como A Menina dos Seus Olhos, de 1934. A menina que levava multidões ao Cinema, encantadas pela sua candura e pelo rosto infantil e contente, foi uma das grandes alegrias de Hollywood nessa década.

Foi uma talentosa atriz, cantora e dançarina que foi responsável por vários dos maiores sucessos de bilheteira do cinema de Hollywood durante a Grande Depressão, desde 1935 a 1938. Com 7 anos, Shirley Temple viu a sua fama crescer, tendo ajudado a salvar o estúdio 20th Century Fox da falência com êxitos muito lucrativos como A Menina dos Caracóis e A Pequena Rebelde, ambos de 1935.

Mas com a idade da atriz a aumentar, e apesar de se ter tornado numa mulher bonita na sua época, o público perdeu o interesse e Shirley Temple retirou-se do Cinema aos 21 anos, deixando prestações em mais de quarenta títulos. Mas nos últimos anos entrou em alguns filmes diferentes daqueles mais ligeiros que lhe deram mais sucesso entre os anos finais da década de 30: Desde que Tu Partiste de John Cromwell, e Forte Apache de John Ford, são disso exemplo. Shirley Temple foi vista pela última vez no Cinema em 1949, com Consequências de um Beijo, de Richard Wallace.

Depois de abandonar a vida do espetáculo, Shirley Temple prosseguiu enquanto diplomata, tornando-se embaixadora dos EUA no Gana e na República Checa (então Checoslováquia). Mas para a posteridade ficou a memória dos vários filmes infantis que protagonizou e da imagem infantil que nunca abandonou a sua vida, profissional e familiar. Quando foi nomeada para a embaixada do Gana, em 1974, Temple falou sobre essa mudança de carreira desta forma: “Aqui não tenho dificuldades em ser levada a sério, enquanto mulher e diplomata. Só tenho tido problemas com os americanos que, a princípio, se recusavam a acreditar que eu tinha crescido desde os meus filmes“.

A fama e o legado que deixou foi tão grande para Hollywood que, em 1999, o American Film Institute incluiu-a no seu top das 50 lendas do grande ecrã, estando Temple na décima oitava posição numa lista de 25 atrizes. Continua a ser a premiada mais nova de sempre da Academia, que lhe deu um Oscar “juvenil” em fevereiro de 1935.