Jack Ryan, outrora uma saga de sucesso em Hollywood nos anos 90, com os famosos filmes Caça ao Outubro Vermelho e Jogos de Poder, é a mais recente vítima do fenómeno reboot que se instalou na indústria cinematográfica nos últimos anos. O Espalha-Factos foi ver a nova adaptação deste espião e conta como foi.

Neste reboot, um dos acontecimentos mais chocantes dos últimos anos, o 11 de Setembro, acompanha a evolução deste agente secreto até à actualidade. Disfarçado como um corrector da Bolsa e influenciado fortemente pela CIA, Jack Ryan tem de encontrar movimentos monetários irregulares no mercado das acções. Ryan descobre uma transacção suspeita que leva à descoberta de um ataque terrorista iminente.

Aproveitando a ideologia da guerra fria, a eterna disputa entre o Capitalismo e o Comunismo, a narrativa tira proveito da grande tensão que existia entre as duas super-potências e cria um enredo previsível que mais uma vez, mantém a tendência dos Russos como os maus da fita em Hollywood. 

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Após os primeiros minutos da película que contam a origem de Jack Ryan, não sabemos muito bem o que esperar do enredo. A imagem vai sendo reciclada, vezes e vezes sem conta, em diversas localizações e com vários planos diferentes à medida que o tempo vai passando, o que provoca uma sensação de ritmo demasiado acelerado e que deixa o espectador à procura de respostas. Felizmente, esta situação altera-se a meio da película quando finalmente, o realizador decide pegar nas várias peças da origem do agente secreto e começa a formar um enredo decente que aproveita as capacidades de Jack Ryan e todos aqueles que o rodeiam.

O filme procura deixar de lado o efeito blockbuster e focar-se mais na espionagem, criando a ideia de que Jack Ryan é bastante vulnerável e incapaz de realizar feitos inesquecíveis. Face a esta linha de pensamento, o realizador esquece a acção frenética deste género de filmes e testa o poder de decisão do espião. Esta deliberação pode surpreender os mais cépticos porque acaba por contrariar a destruição sem nexo e procura explorar os pontos fracos dos personagens.

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Contudo, para além dos problemas iniciais explicados nos primeiros parágrafos, a acção é demasiado simples e não tem qualquer tipo de elemento surpresa, o que compromete seriamente a qualidade da longa-metragem.  Não existe uma história secundária fiável e o realizador não explora o potencial da disputa entre os EUA e a Rússia. O vilão está muito mal construído e não apresenta qualquer tipo de ameaça para a sociedade. É facilmente ridicularizado e foi claramente menosprezado na construção do guião em prol de outros interesses.

Chris Pine foi uma escolha decente para interpretar Jack Ryan, apesar de ser claramente demasiado novo para o papel. Competente e sempre com noção das falhas que o espião tem (Jack Ryan não é nenhum Jason Bourne), Chris tem mais que capacidade para carregar esta franchise às costas se Hollywood decidir apostar num projecto a longo prazo no futuro. Quem está completamente deslocada na longa-metragem é Keira Knightley. Não consegue convencer o espectador com um sotaque americano demasiado forçado e faz o típico papel de donzela em apuros. Fica a clara sensação, que após as falhas evidentes na construção da personagem, poderia ter existido um pouco mais de esforço por parte da actriz.

Outros nomes do elenco, incluindo o actor Kevin Costner e Kenneth Branagh (que também realiza o filme), apresentam claramente lados diferentes da mesma moeda. Enquanto que Kevin Costner, que procura renascer a sua carreira, convence com uma performance decente, o mesmo não se pode dizer de Kenneth, que parece ter sacrificado a própria personagem no enredo e assume o papel cliché do vilão com um défice acentuado de inteligência.

Demasiado previsível e com lacunas evidentes no argumento, a nova adaptação de Jack Ryan é apenas mais um filme de espionagem que precisa de limar algumas arestas para atingir outro estatuto em Hollywood.

6,5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Jack Ryan: Shadow Recruit

Realizadores: Kenneth Branagh

Argumento: Adam Cozad e David Koepp. Baseado nas histórias de Tom Clancy

Elenco: Chris Pine, Keira Knightley, Kevin Costner, Kenneth Branagh

Género: Acção

Duração: 105 minutos

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.