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Teatro Rápido: uma viagem por um amor diferente

Estrearam no passado dia 1 de fevereiro os quatro microespetaculos do Teatro Rápido relativos ao tema Quem feio ama… , o tema de fevereiro, numa invocação alternativa ao dia dos namorados, celebrado no dia 14 deste mês.

Abrem a porta do início do corredor que nos leva por mundos diferentes, em cada 15 minutos, depois de horas e dias cansativos. Na sala 1 somos convidados a assistir a Ego – Divergência da 3ª Pessoa, um espetáculo da imagem, da palavra, do arrepio e da comoção. Todos temos um pouco de nós no outro, naquele a quem confiamos o nosso amor. É disso que trata este espetáculo: de dois corpos e duas almas uníssonas, onde uma delas está quase no desespero, por não saber como continuar a relação. Quem feio ama, não ama assim – este é um amor diferente. Fábio Ferreira Sara Rio Frio proporcionam-nos um bom início, numa longa viagem que trato agora de descrever.

Sala-1---Ego-Divergencia-na

Prosseguimos viagem para uma cela de prisão, obscura, onde A Mulher do Ditador, maltratada por esconder um segredo numa altura de Golpe de Estado, angustiada por saber muito pouco, conversa com a próxima vítima de interrogatórios intimidantes. Numa sala despida e pouco intimidatória, os 15 minutos de opressão, interpretados e encenados por Flávia Carvalho e Lia Goulart, são a prova que é o trabalho de ator o essencial na pedra basilar da interpretação que é o teatro – sabe a pouco, mas sabe tão bem que dá vontade de sair e voltar a entrar, para assistir infinitamente ao bom trabalho corporal e interpretativo de quem enche um palco inexistente.

Sala-2-flyer-Mulher-do-Dita

De seguida, o oposto – não a opressão, mas a beleza existente no que é feio. A Mulher Mais Feia do Mundo, em cena na sala 3, é quase uma ode à fealdade existente em todos, que parece escondida no quotidiano atarefado de uma sociedade onde o feio não tem lugar. A Mulher Mais Feia do Mundo de feio tem pouco, porque há beleza nas palavras e na escuridão irónica do mundo onde estamos soterrados. “Só te posso amar se fores perfeito”, mesmo que a perfeição não exista. Susana Vidal criou este espetáculo com uma liberdade tremenda, na união de dois atores (Anabela Caetano e João Manso) que demonstram que na vida há teatro, e que todos temos uma vida obscura.

Sala 3 - A Mulher Mais Feia A4

Terminamos num ambiente mais fácil de assistir, mas não menos angustiante – na sala 4 somos confrontados com o retrógrado ambiente empresarial, onde prevalece a imagem à competência, onde os Moldes de Imagem ditam o destino daqueles que são sinceros e profissionais. A contradição entre sinceridade e hipocrisia, entre aqueles que se submetem e os que se recusam a aceitar, dão o mote à interpretação de Elizabeth Bochmann e Mariana Mourato. Uma interpretação que dá realidade ao texto e encenação de António Carlos Andrade, também ele participante sob as nossas costas.

Cartaz-Sala-4-Moldes-de-Ima

Termina desta forma mais uma viagem atribulada pelos espetáculos em cena na forma mais rápida, mas não simples, de fazer e ver teatro. São apenas 15 minutos que nos deixam cheios de teatro. Por fim, um brinde ao amor, pelo teatro e pelos outros. Estes espetáculos estão em cena até dia 28, de quinta a segunda, entre as 18h00m e as 20h25m, e têm um custo de 3€ cada (10€ um pack dos quatro espectáculos).

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