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Viagem-relâmpago: Peak District, Reino Unido

Mais uma vez, o Espalha-Factos fez-se à estrada por terras de sua majestade para te trazer um pouco do mundo que há aí fora até ti. Desta feita, o destino foi Peak District numa visita realizada em cerca de 3 horas. O contacto com a natureza num estado perto do autenticamente puro foi o resultado.

Partindo de Nottingham acompanhados pelo sol da matina, dava-se a crer que o céu destas terras largara os tons cinzentos tão característicos para proporcionar as melhores condições em torno do percurso a tomar e no desvendar da próxima paragem, que recebe milhões de visitantes anualmente.

A aventura desenrolou-se então em Peak District, que tal como o nome diz – “pico” em português – é uma área de terras altas situada no centro-norte do território britânico, a sudeste de Manchester e a sudoeste de Sheffield. Esta região é insistentemente pautada pelas enormes colinas e vales, tanto em tons de verde claro e escuro como em alguns tons acastanhados e amarelados.

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Sendo marcadamente rural, esta área dá lugar a pequenos aglomerados habitacionais à medida que se vai atravessando as suas estradas, sendo que estas oferecem uma paisagem que alia uma imensidão de espaços verdes a estes conjuntos dispersos de casas tipicamente britânicas, tudo coberto por um céu azul cujo sol penetra as nuvens ora brancas ora fracamente acinzentadas para proporcionar uma experiência visual capaz de fazer os restantes sentidos pronunciarem-se sobre a mesma.

Peak District é também uma área caracterizada pela predominância dos famosos pubs britânicos e estabelecimentos comerciais de cariz mais local em detrimento de outros estabelecimentos que saiam um pouco fora do tipicamente britânico, sendo que estes podem ser encontrados ao longo do caminho isolados na estrada como se de uma estação de serviço se tratasse ou nos ditos aglomerados habitacionais.

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Após atravessar uma série destas pequenas localidades, uma após a outra, e uma rua que dá pelo nome de Church Street, finalmente nos deparamos com a obrigatoriedade de estacionar e explorar através do da máquina que é o nosso próprio corpo. A sinalização rodoviária dizia agora que teríamos de estacionar no parque à esquerda da mesma e utilizar os nossos próprios pés para seguir em frente, assim foi feito.

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O contacto com o espaço envolvente foi muito mais intenso. Peak District é uma área que, sem dúvida, preserva fortemente a natureza na sua essência. Pequenos riachos e lagos transparentes espelhando o negro das rochas, o esverdeado da relva e o balançar dos ramos das árvores aliados às casas cuja arquitetura e decoração exterior se adapta perfeitamente ao meio envolvente fazem as delícias dos transeuntes que por ali passam ou de bicicleta ou a pé, com um sorriso e uma saudação prontos a remeter para quem com eles se cruza.

Peak District recebe também, muitas vezes, grupos de visitantes com vista à prática do ciclismo de montanha.

De facto, o próprio parque nacional de Peak District atribui um certificado de qualidade ambiental (“Peak District Environmental Quality Mark“) às empresas e organizações que investem na economia local e na sua comunidade em articulação com um forte respeito pelo meio ambiente abrangido por esta região. Os setores cujos negócios já se viram reconhecidos por esta distinção são o da alimentação e agricultura, do artesanato, das atividades e atrações e o hoteleiro.

Finalmente, o ponto alto desta visita passa exatamente por isso mesmo, por alcançar o ponto mais alto possível de uma das imensas colinas que dão um encanto soberbo a Peak District. À medida que se vai seguindo em frente por este caminho exclusivamente pedestre é possível deparar-se com vários caminhos privados pelos quais não é permitido atravessar embora também se dê de caras com caminhos cujas cancelas abertas oferecem a possibilidade de as atravessar e iniciar a subida. Atenção! Esta oportunidade não deve ser desperdiçada.

Ao subir-se a colina, o acréscimo de altitude traz como consequência o aumento da intensidade do vento e do frio que este carrega com ele. O tato parece que é também por ele levado mas a vontade de chegar ao topo não vai por arrastão. Por esta altura, convém aconselhar qualquer futuro visitante a não desafiar as temperaturas destas zonas em pleno Inverno e trazer vestuário e calçado apropriados e igualmente capazes de evitar constantes deslizes na terra molhada.

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Porém, escusado será dizer que o panorama que se torna possível perspetivar a partir do pico da colina compensa todo o esforço de a subir. O ar já não traz tanto o frio gélido destas terras mas sim a sensação de liberdade e o experienciar visual de uma paisagem que um habitante citadino talvez nunca sonharia ter a oportunidade de apreender. Daqui, o verde, o amarelo e o castanho das colinas e vales em harmonia com o azul e cinzento (agora predominante) do céu e do rio oferecem uma amostra global da beleza de Peak District.

A descida é acompanhada da criação de um desporto ao qual se poderia chamar “mud surfing”, contudo, é também seguida de um desejo de retornar para uma libertação do espírito, uma pausa em tudo para respirar a vida. Talvez um dia, é altura de regressar.

Ao leitor deixa-se, assim, o conselho de visitar a região e não desperdiçar nenhuma eventual oportunidade de o fazer.

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